O admirável ensino novo de Belmiro

Belmiro Valverde Jobim Castor. Foto: Eduardo Reinehr

Belmiro Valverde Jobim Castor. Foto: Eduardo Reinehr

Belmiro Valverde Jobim Castor volta à condição de referência central de um debate sobre nossa sociedade e seu futuro. E o faz com a apresentação de uma obra que lhe custou anos de reflexão, dedicação e esforços. Uma obra fantástica e que deverá provar que é possível fazer mais do que fazem os governos e a vã negligência de nossas pobres elites.

O Centro de Educação João Paulo II não poderá ser ignorado em nenhuma discussão sobre projetos educacionais e mais, sobre as soluções para os problemas sociais que afligem a população e deixam os governo de mão atadas com suas fórmulas gastas e ineficientes.

A ideia de partida é a de que “se cada um, de alguma forma, tentar resolver o seu problema, e mostrar que certas coisas são possíveis de serem feitas, no mínimo cria um quadro de referência”, como ensina o próprio Belmiro.

Centro de Educação João Paulo II . Foto: Eduardo Reinehr

Centro de Educação João Paulo II . Foto: Eduardo Reinehr

Foi o que ele fez. O Centro de Educação João Paulo II, construído em terreno de 5.500 metros quadrados em Laranjeiras, município de Piraquara, na Grande Curitiba, vai permitir que crianças de famílias de baixa renda da localidade, na faixa etária de três a seis anos, tenham uma escola de qualidade, na qual permanecerão em regime de dois turnos, obedecendo a um projeto pedagógico elaborado e em instalações físicas e tecnológicas concebidas para esse fim.

Para consolidar esse objetivo, Belmiro Valverde imaginou um processo de implantação progressiva. No primeiro ano de funcionamento, o centro terá 50 crianças de três a quatro anos. A partir do segundo ano, haverá o ingresso anual de 25 crianças de três anos e a progressão das já matriculadas.

No terceiro ano, serão 100 crianças e, a partir do quarto ano, será implantado um programa de contra-turno. As crianças, ao alcançarem seis anos de idade, serão matriculadas na Escola Municipal Julia Wanderley, vizinha ao Centro de Educação João Paulo II, e freqüentarão o local no contra-turno, com uma jornada escolar de seis a sete horas diárias.

O centro educacional que Belmiro Valverde sonhou, planejou e agora começa a concretizar “não fará distinção de raça, cor, credo religioso ou opinião política. Vamos estimular e canalizar a curiosidade científica das crianças, disponibilizando equipamentos e práticas educacionais adequadas para isso. Estimularemos a criação de uma mentalidade respeitadora dos limites da natureza nos alunos. Isso, desde o projeto arquitetônico, que incorpora princípios de economia energética e procurará desenvolver a familiaridade das crianças com os processos naturais ligados à luz, ventilação, águas, etc. Também vamos perseguir o objetivo de transformar o centro em referência no campo da educação infantil, aproximando-o das instituições universitárias mais respeitadas nessa área”.

Em síntese, o centro pretende ampliar as possibilidades educacionais para crianças de baixa renda e baixo nível de acesso às oportunidades escolares, contribuindo para elevar o nível de socialização e inserção delas na comunidade.

Uma ONG, em fase de constituição, será responsável pela construção e manutenção do empreendimento, bem como pela busca de apoios financeiros e técnicos de entidades, empresas ou organizações com objetivos semelhantes ou que desejem se associar a esse projeto de responsabilidade social. A esperança é a de que o exemplo de Belmiro Valverde Jobim Castor frutifique.

Belmiro Valverde é professor do corpo permanente do Doutorado em Administração da PUC do Paraná e professor colaborador do Mestrado em Organizações e Desenvolvimento da FAE Business School, Faculdade de Administração e Economia também do Paraná, é membro da Academia Paranaense de Letras, consultor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e autor do livro “O Brasil não é para Amadores”, lançado em 2000.

Na vida pública, Belmiro Valverde foi por duas vezes Secretário do Planejamento do Paraná e Secretário de Estado da Educação. Planejamento e educação são os assuntos que ele conhece bem e mais gosta, mas se quiserem poderá discorrer longamente sobre a literatura brasileira ou a história do segundo império. Belmiro Valverde é, sem dúvida, a cabeça mais preparada neste Estado que costuma deixar de lado seus melhores quadros para privilegiar a mediocridade. Mas não conseguirá esconder a obra de Belmiro.

 

Fábio Campana

Você pode escolher, há muitas possibilidades de definir a obra que Belmiro Valverde Jobim Castor e sua mulher Elizabeth Bettega Castor acabam de entregar à comunidade. Pode-se classificar o Centro de Educação João Paulo II, situado em Laranjeiras, Piraquara, como uma escola desafiadora, rompendo com sinas estabelecidas pelo “estava escrito”; ou pode-se, também, ver o projeto educacional instalado num moderníssimo e adequado complexo arquitetônico, como uma rara junção de forças da sociedade, sob a liderança do casal, para garantir ensino e educação de alto nível para populações da baixa renda.

Eu prefiro classificar a proposta materializada com a inauguração do Centro Educacional, em 27 de março de 2010, como a melhor expressão de que é possível romper com ciclos de misérias e ignorância, marcas que fatalmente identificariam a clientela de 250 crianças que lá receberão educação na escola infantil e, depois, no contraturno. Marcas que não mais serão dessas crianças, que agora estarão a salvo desse ciclo de “reencarnações” da miséria com que já estamos acostumados a contemplar nesses despossuídos, os anawins bíblicos, os que nada têm senão a sua falta de horizonte para contemplar.

 

Belmiro e Elizabeth

Belmiro rompe com os ciclos de miséria e ignorância com a construção da sua nova escola. Foto: Eduardo Reinehr

Belmiro rompe com os ciclos de miséria e ignorância com a construção da sua nova escola. Foto: Eduardo Reinehr

Ele com sólida carreira pública e privada, e formação acadêmica consolidada com doutorado e pós-doutorado na UCLA, Califórnia – são legatários da forte mentalidade comunitária dos norte-americanos. Cristãos católicos de fé provada e comprovada, eles às vezes me parecem um pouco descendentes dos pais peregrinos, os puritanos do Mayflower. Têm um espírito de silencioso desprendimento material como só vi em poucos seres humanos, assim confirmando, na prática, a convicção religiosa de que nada levarão dessa para a Parusia. A começar pelo começo do Centro João Paulo II, erguido em terra por eles doadas e com cuja doação Belmiro começou a ampla peregrinação junto a construtores da sociedade, parte do patriciado curitibano, engajando-o na grande proposta em que se envolveram instituições de importância estadual, como o Colégio Bom Jesus, dos franciscanos, com sua notória espertise pedagógica; a Federação das Indústrias do Paraná; o arquiteto Manoel Coelho, de portfólio insuperável em arquitetura voltada para colégios e universidades, empresários e empresas e um bom número de pequenos e mensais doadores…

Belmiro fez peregrinações incontáveis, nos últimos 24 meses, envolvendo gentes e instituições nessa proposta de mudar realidades pelo ensino de qualidade hoje só garantido a classes privilegiadas materialmente. Pediu, vendeu ideias, plasmou ideais, ofereceu alternativas de engajamentos aos que iriam se aliar ao projeto do casal e que acabou sendo dividido com outros homens e mulheres singulares. Boa parte deles eu vi reunida na solenidade simples e comovente, para entregar às novas gerações de crianças de Laranjeiras oportunidades de ensino que têm, por exemplo, os filhos da chamada burguesia no Colégio Bom Jesus, que dá o aval pedagógico e assistência à proposta.

Choveu a cântaros na manhã da inauguração em Laranjeiras e toda Piraquara. Só parou de chover quinze minutos antes do ato inauguratório, “foi interferência do Papa”, garante Belmiro, referindo a uma possível graça concedida pelo patrono da obra, o venerável João Paulo II. Foi o tempo necessário para iniciar-se um cortejo de boa parte de personagens que fizeram a História do Paraná do século XX, como, por exemplo, o ex-governador Jayme Canet Junior e dona Lourdes; o ex-prefeito de Curitiba, Saul Raiz; Maurício Schulman; e educadores, como irmãos professores Davide e Dario Bortolini, da Congregação dos Maristas, mantenedores da PUC; professor Ismael Lago, e Rogério Mainardes, da Universidade Positivo.

Belmiro Valverde Jobim Castor. Foto: Eduardo Reinehr

Belmiro Valverde Jobim Castor. Foto: Eduardo Reinehr

Deambulei pelo Centro Educacional, examinando salas, equipamentos, falando com os futuros alunos e seus pais que lá estavam. Não fiquei impressionado com o que vi porque já estava acostumado com o desenvolvimento da proposta que garante o bom e o melhor a crianças que, assim, ganharão efetiva cidadania.

Uma delas, Robson, 6 anos, me perguntou se era verdade que poderiam ver as estrelas, na escola. Referia-se ao miniobservatório em implantação. Eu tive vontade de indagar à criança sobre seu interesse em astros e galáxias. Limitei-me a fazer uma imagem que ele não entendeu ainda. Mas um dia compreenderá na sua inteireza: “Aqui vocês vão enxergar o futuro, o que é muito mais do que ver estrelas…”

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