Curitibanos devem gastar R$38,7 bilhões em 2010

Até o fim de 2010, os consumidores curitibanos devem gastar  R$ 38,7 bilhões, segundo o estudo IPC Target. A pesquisa indica que o potencial de consumo dos moradores de Curitiba 0,15 p.p. neste ano em relação a 2009, ou seja, serão gastos R$ 5 bilhões a mais. O que mais vai consumir o dinheiro dos curitibanos é o item chamado de manutenção do lar, R$ 9,541 bilhões, seguido de alimentação em casa, R$ 4,350 bilhões, e gastos com veículo próprio, R$ 2,511 bilhões. Logo depois, vêm os gastos com a alimentação fora de casa, R$ 1, 627 bilhões, compras de roupas e sapatos confeccionados, R$ 1, 332 bilhões, e despesas com saúde (fora medicamentos), R$ 1,149 bilhões.

Foto: Divulgação

Os números colocam a cidade em 6º lugar no ranking nacional de potencial de consumo para este ano. Embora a cidade mantenha a colocação de 2009, a participação da capital paranaense no potencial nacional cresceu. Em 2009, Curitiba foi responsável por 1,53% de todo consumo brasileiro e  em 2010 deverá será responsável por 1,76%. O consumo dos brasileiros deve girar em torno de  R$ 2,202 trilhões, em 2010, apresentando um crescimento superior a R$ 338 bilhões quando comparado com IPC Target  2009.

A servidora pública municipal Maria da Luz de Souza Panzone, 61 anos, é um exemplo da tendência dos curitibanos de gastarem bastante na manutenção do lar. Iniciou o ano com gastos em uma reforma da cozinha. Economizou o que conseguiu na reforma dos armários, com mais de 70 anos, mas teve que gastar com material de construção e a mão de obra dos pedreiros. “Fiz o que consegui com minhas próprias mãos na hora de folga, mas tive gastar bastante na obra, mas que já estava sendo adiada há tempos”, conta a servidora. Nem deu tempo de comemorar a reforma, já que logo em seguida surgiu um vazamento de água. “A manutenção do lar pesa e muito no bolso do trabalhador e não tem como escapar”, confirma Maria. A professora Patrícia Haboviski, 34 anos, também confirma que a manutenção do lar consome boa parte do orçamento, mas, na opinião dela, a alimentação ainda é a grande vilã. “Os preços sobem constantemente. No caso de verduras e frutas, sobem conforme a variação climática e aos consumidores resta comprar. Fora que a alimentação não é um investimento, como a manutenção do lar, por exemplo”, diz ela.

 

Em 2010, Curitiba deverá ser responsável por 1,76% de todo o consumo brasileiro

 

Em Curitiba, o porcentual de expectativa de consumo caiu de 2009 para 2010 em quase todas as classes sociais listadas pelo estudo, menos na classe B1,  onde subiu de 25,1% para 30%, A1, que passou de 4,2%  para 5,7% e C2, de 5, 3% para 5,4%. Mas quando são levados em conta os dados nacionais, o IPC Target de 2010 consolida a importância da classe C (C1 e C2) que, mesmo segmentada,  evidencia a potencialidade de consumo ao concentrar o maior contingente de domicílios urbanos – quase 23 milhões, ou seja, 48,7% dos domicílios brasileiros –,  respondendo por 27,7% de tudo que será consumido no País,  observa Marcos Pazzini, diretor da IPC Marketing Editora e responsável pelo estudo. Para exemplificar, Pazzini destaca que a classe C vai absorver R$ 579,7 bilhões do consumo nacional, elevando o seu poder de compra em relação a 2009 quando essa cifra era de R$ 532 bilhões. Já os dados dessa tendência de segmentação mostra, por sua vez, que a  classe C2 (R$ 211,4 bilhões) espelha comportamento mais próximo dos parâmetros de consumo das classes D e E, de menor poder aquisitivo e base da pirâmide social, gerando uma movimentação expressiva de R$ 329,4 bilhões, equivalente a 15,8% do consumo nacional.

 

Classe média praticamente estagnada

Levando em conta os números nacionais do estudo IPC Target, a classe média se mantém praticamente estagnada com os seus R$ 863,9 bilhões de consumo puxados  pelas classes B2 – com cerca de  R$ 495,7 bilhões – e  C1 (cerca de R$ 368,2 bilhões). Responde  por 41,4% do total previsto para o País, em  2010, pouco superior à demanda de 2009 quando a participação foi de 41%. Já as classes A1, A2 e B1 (topo da pirâmide social) disputarão o poder de compra com a classe média com outros R$ 895,8 bilhões, ou seja, 42,9%.

Em termos de mobilidade social nas áreas urbanas, verifica-se ainda crescimento significativo na população das classes B2 e C1, retomando o cenário pré-crise econômica de 2008. Esse aumento quantitativo de pessoas  provém normalmente das classes C2 e D, que em 2010 representa também expansão de renda para consumo.  Nas classes A1, A2 e B1, entretanto, observa-se um contingente menor de pessoas, mas com aumento no potencial de consumo, na comparação de 2010 com 2009. O maior crescimento ocorrerá na classe B2, representada por domicílios com rendimento médio de R$ 2.950,00/mês, que contém 19.4% dos domicílios urbanos em 2010 (ante 18,0% em 2009) e será responsável por 23,7% do consumo nacional (ante 22.5% em 2009). “Esta movimentação de domicílios entre as diversas classes econômicas significa oportunidade de mercado para as empresas, por meio do planejamento adequado de produtos e serviços às demandas destes novos consumidores”, ressalta Pazzini.

 

 

Regiões

103-consumo-nacionalA região Sudeste mantém a liderança, e junto com o Sul do País apresentam crescimento no consumo nacional. O Sudeste projeta uma participação de 52,7% (no ano passado registrou 51,4%) e o Sul registra 16,5% (em 2009, foi de 16,3%). Nas demais regiões verifica-se leve declínio participativo, sendo as do Nordeste e  Centro-Oeste que menos reduziram suas presenças – o Nordeste fica com 17,7% (contra os 18,8, em 2009) e o Centro-Oeste marca 7,7% ante os 7,8% apresentados no ano passado. A região Norte deve participar com 5,3% (em 2009, marcava 5,7%). No ranking do IPC Target, a região Nordeste continua na 2a posição, a frente da região Sul e atrás da região Sudeste, tradicionalmente a primeira colocada neste ranking.

 

 

Londrina entre as 50 maiores

103-consumo-estadualAlém de Curitiba, Londrina é a outra cidade paranaense que aparece na lista das 50 cidades com maior potencial de consumo. A cidade do Norte do Paraná está 38º lugar no ranking IPC Target. Na verdade, a cidade caiu uma posição em relação à pesquisa de 2009.

Os 50 maiores municípios brasileiros responderão por 45,8% do consumo nacional, em 2010. No ano passado, estes municípios eram responsáveis por 43%. São Paulo e Rio de Janeiro lideram o ranking do País e ganharam participação no IPC Target entre 2009 e 2010, fato que não ocorria há muito tempo, devido à descentralização do consumo das capitais para o interior, na época. Neste ano, São Paulo responderá por 9,64% e o Rio de Janeiro por 5,87% do consumo nacional no ano passado os indicativos eram de 8,53% e 5,31%, respectivamente.

Em 2010, Brasília passa a ser a 3ª maior cidade brasileira, com o IPC Target estimado em 2,17749, superando Belo Horizonte (com o IPC Target de 2,13816), que cai para a 4ª posição. Destacam-se ainda Porto Alegre (voltou a ser 7ª cidade do País, com uma participação de  1,47591 – estava em a 8ª no ano passado), Campinas (SP) passa a ocupar a 9ª posição, com o IPC previsto de 0,99275 (saltando da 13ª, com  0,84645, em 2009) e Manaus, que subiu para 11º lugar, com um IPC previsto de 0,86110 – em 2009, estava em 14º.

Fortaleza e Recife mantêm-se entre as 10 maiores, mas com leve declínio,  o mesmo ocorreu com Goiânia e Belém (11ª e 14ª do ranking, respectivamente). – Veja gráfico 2010/2009 do IPC Target com as 50 maiores cidades  ou as 500 maiores pelo link www.ipcbr.com – Imprensa / Consumo Brasil IPC Target 2010.

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