Mulheres ao poder

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Fernanda Bernardi Vieira Richa é presidente da Fundação de Ação Social (FAS) da prefeitura de Curitiba. Mulher do ex-prefeito Beto Richa, se transformou na grande revelação política das duas últimas campanhas eleitorais. Mesmo sem ter disputado eleições, se tornou tão popular que teve de usar energia para convencer o PSDB de que não seria candidata neste ano. Foto: Rogério Machado

Em um universo ainda dominado pelos homens e pela cultura machista, mulheres paranaenses deixam de ser coadjuvantes para assumir funções decisivas. Mulheres que assumiram papéis de decisão e influência em vários planos da vida paranaense. Mulheres que fazem. Não herdaram posições. Assumiram graças aos seus méritos.

A matéria traz a história de sete mulheres guerreiras, que conquistaram posições, cargos e reconhecimento graças ao talento, persistência e inteligência concretizados em projetos, grandes perspectivas e novas ideias. Claudia Wasilewski, Gleisi Hoffmann, Fernanda Richa, Marina Nessi, Monica Rischbieter, Paula Fernandes de Siqueira e Valéria Prochmann são grandes mulheres que galgaram espaços em diferentes áreas e todas têm essas qualidades em comum, e muito mais. Confira.

“O difícil mesmo é ser homem nos dias de hoje”, ironiza Monica Rischbieter, roteirista e produtora de cinema. A jornalista e militante feminista Valéria Prochmann avalia que o machismo ainda é muito forte na nossa sociedade. E aí você pergunta: o que faz com que mulheres independentes e bem-sucedidas tenham respostas tão diferentes quando confrontadas com a permanência da discriminação contra a mulher?

Os motivos que as duas apresentam são diversos, e refletem bastante bem a realidade do país, em particular, e do mundo ocidental, de uma forma geral. As conquistas femininas são fato incontestável; saímos há pouco de um século de lutas que alcançou destaque na conquista do voto feminino e tomou embalo, de vez, nos anos 60, para nunca mais deixar de avançar ou sair da agenda da sociedade.

 

“Temos que beijar o chão que as feministas pisaram”, diz Gleisi Hoffmann. “Sem dúvida, elas abriram caminhos jamais antes trilhados por uma mulher e colocaram em pauta preocupações e necessidades relegadas a segundo plano”

 

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Gleisi Hoffmann, advogada, foi a primeira mulher a dirigir o PT no Paraná e a ocupar a diretoria financeira da Itaipu Binacional. Foi secretária de Gestão Pública do município de Londrina e secretária de estado no Mato Grosso do Sul. É pré-candidata ao Senado Federal pelo PT. Foto: Elias Dias

O problema é que, subjetivamente, nem tudo ficou tão cor-de-rosa quanto se poderia supor analisando o resultado das lutas e dos avanços obtidos, em sua maioria registrados em leis que punem e multam as transgressões. O problema, então, fica claro: comportamentos não mudam por imposição. E é aí que reside o perigo da simplificação.

 

As filhas da revolução feminista, que tomou corpo e simbologia quando as mulheres saíram às ruas e queimaram sutiãs em praça pública, não são, afinal, tão felizes com a liberdade pela qual suas mães tanto lutaram. A presidente da Fundação de Ação Social (FAS) da prefeitura de Curitiba, Fernanda Richa, não tem a menor dúvida. “Temos liberdade, conquistamos espaço, mas há outros problemas hoje que impedem que possamos usufruir dos avanços, como o medo da violência, as drogas, a falta de limites”.

 

Como se vê, é preciso levar em conta que boa parte dos problemas é causada não exatamente pelo machismo, mas pela forma como evoluiu o mundo e principalente o sistema capitalista. Sempre, porém, seguindo a lógica mas­culina, é claro.

É difícil separar o que resulta de um e de outro. Ou de imaginar como seria se um não sofresse a interferência do outro. O fato é que a liberdade tão arduamente conquistada pelas feministas não produziu os resultados imaginados. Ou todos os pretendidos. E, de quebra, gerou uma certa confusão na cabeça masculina. “O homem ficou sem papel, sem função social”, avalia Monica Rischbieter. Ao passo em que a mulher saiu de casa, abriu espaço no mundo profissional e não depende de mais ninguém, na maior parte de suas atividades não obteve a cumplicidade masculina: a casa e os filhos continuam sendo obrigações suas; o companheiro, no mais das vezes, “ajuda”, mas não divide responsabilidades.

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Claudia Wasilewski é empresária, formada em economia; foi secretária geral e tesoureira geral da União Paranaense de Estudantes (UPE), atuou junto ao Conselho Estadual da Condição Feminina e produziu programas femininos em rádios de Curitiba. Foto: Gilberto Rosa Martins

Aqui, a semântica é apenas reveladora de uma situação de fato. “A função social do homem ficou esquisita”, analisa Monica, de certa forma procurando brincar com uma situação presente na vida da mulher independente das classes A e B, especialmente, e parte da C em transformação. Excetuando-se o prazer, é claro, o homem perdeu funções no mundo dessa mulher; seu papel na família diminuiu de forma considerável. E como Monica diz, “ser mãe é uma profissão; ser pai é um hobby”.

Há poucos dias, a antropóloga Mirian Goldenberg publicou artigo no caderno Equilíbrio, do jornal Folha de S. Paulo, em que dizia ter constatado “um abismo entre o poder objetivo que as brasileiras conquistaram e a miséria subjetiva que aparece em seus discursos”. A antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro avalia que as mulheres “conquistaram realização profissional, independência econômica, maior escolaridade e liberdade sexual. Mas se preocupam com excesso de peso, têm vergonha do corpo, medo da solidão”. Antes submissa ao pai, marido, amante, filhos… agora, às imposições de um mundo cruel e exigente, para agradar a quem? Aos homens, seguramente.

Elas certamente conquistaram muito, mas as desigualdades continuam. Uma das mais gritantes está no mercado de trabalho. Em abril, a revista Exame publicou estudo do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre a Mulher e Gênero da UFRGS para mostrar que a remuneração delas é, em média, 30% menor que a deles. E, já entrou para a categoria de notícias velhas o fato de as mulheres serem, no geral, mais bem preparadas que seus pares masculinos, quando se fala de estudos.

 

Excessos e paradigmas

A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann é categórica: “Temos que beijar o chão que as feministas pisaram”. Sem dúvida, elas abriram caminhos jamais antes trilhados por uma mulher e, principalmente, colocaram em pauta preocupações e necessidades relegadas a segundo plano, até com relação à saúde da mulher e maus tratos por parte de maridos violentos.

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Marina Nessi é franqueada da Casa Cor para o Estado do Paraná e diretora do evento, no comando há 17 anos. Tornou a Casa cor… substituir a última palavra Paraná, por Estado.Tornou a Casa Cor Paraná um dos eventos mais importantes e prestigiados do estado. Foto: Manoel Coelho

As feministas “podem ter cometido excessos, mas se elas não tivessem tido a coragem de romper paradigmas, talvez não estivéssemos onde estamos”, avalia Gleisi, empenhada em defender causas femininas desde que ocupou o cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional, nos anos 90. O problema, lembra com propriedade, é que a sociedade, assim como as organizações, são moldadas a partir de códigos masculinos. “A sociedade não se amoldou à nossa situação; nós é que estamos nos adaptando a ela para poder entrar no espaço público”.

Valéria Prochmann acredita que as mulheres atualmente certamente enfrentam menos problemas e obstáculos do que sua mãe para encontrar espaço próprio, “pois o mundo atual está muito transformado e é mais amigável em relação à mulher”. Valéria lembra que a mãe vivenciou a 2ª Guerra Mundial na infância, exatamente quando a condição feminina começou a ser radicalmente transformada pela entrada da mulher no mercado de trabalho para substituir a mão de obra masculina que ia para a guerra.

A mãe de Valéria apenas assistiu, mas a escritora Lygia Fagundes Telles sentiu na pele o início da luta feminina, por ser parte da geração da Segunda Guerra. “Devagarzinho a mulher começou a tomar o seu lugar no mundo”, relembrava a escritora um ano atrás na Revista Brasileiros. Os homens foram para o front e elas começaram a ocupar os lugares nas fábricas, nos escritórios, nas universidades. Mas “também foi uma geração que sofreu muito, porque, segundo Trotsky, os que vão na frente são os que levam as rajadas no peito. Nós fomos na frente. Sofremos muito, mas era preciso começar. E foi esse o começo”, contou Lygia, lembrando que o preconceito em relação à mulher era tão grande que impediu que sua mãe, Maria do Rosário, seguisse a carreira de pianista, “porque não havia carreira para a mulher; a mulher era a rainha do lar”.

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Monica Rischbieter foi secretária de estado da Cultura e superintendente da Fundação Teatro Guaíra no governo Jaime Lerner; hoje escreve roteiros para cinema e TV e produz filmes, inclusive de longa metragem, como o premiado “Mistéryos”, dos diretores Beto Carminatti e Pedro Merege, com Carlos Verezza, Stephany Britto e Leonardo Miggiorin, baseado na obra de Valêncio Xavier.

Como membro do Conselho Estadual da Condição Feminina (1984-1994), Valéria Prochmann brigou muito para transformar um mundo em que até o Código Civil considerava a mulher “parcialmente incapaz, subordinando-a à autoridade do marido até mesmo para escolher o domicílio familiar, dar queixa de estupro e amarrar as trompas (procedimento que pouquíssimos médicos realizavam)”.

Ela defendeu publicamente cinco policiais femininas da PM que foram presas por terem engravidado embora fossem solteiras. E participou da luta de delegadas que queriam entrar na Escola de Polícia Civil. Aos mais novos deve soar muito estranho ter que brigar por isso. É tão óbvio, não é não? Pois não era e surpreendentemente ainda não é. Basta uma rápida olhada até na gôndola do supermercado, para ver que o assunto continua na pauta. Numa das revistas colocadas para distrair a fila do caixa, Fátima Bernardes pensa até em parar de trabalhar por causa da culpa de não passar mais tempo com os filhos. E eles já são bem crescidos.

A cobrança é a mesma desde tempos imemoriais. Diante do quadro atual, em que as mulheres foram praticamente obrigadas a sair de casa para trabalhar para completar a renda familiar – 35% delas desempenham o papel de chefe de família –; e a total liberdade sexual cantada em prosa e verso, pouca coisa mudou no front subjetivo. E nota-se, inclusive, um refluxo: as garotas são submissas aos namorados, revolta-se a empresária Claudia Wasilewski. “Já vi algumas que aceitam proibições, como não usar o Orkut para não ter contato com outros rapazes”, conta.

 

A lista de Valéria Prochmann vai bem mais além: entre tantas coisas, “o adultério deixou de ser crime e justificativa para a impunidade de maridos assassinos; o pátrio poder foi substituído pela autoridade familiar e o casal exerce em conjunto a chefia da sociedade conjugal. A maternidade não é mais a grande vocação feminina e sim uma opção”

 

Claudia também participou do Conselho da Condição Feminina mas está longe de ser condescendente com alguns comportamentos que permanecem. E ela não exclui a responsabilidade feminina: “As mães ajudam a manter o machismo ao dar tratamento desigual aos filhos”, lamenta; “colocam as meninas para enxugar a louça enquanto os garotos são liberados para jogar videogame”.

“As meninas de hoje são liberais apenas no comportamento sexual, nos outros aspectos são muito conservadoras”, concorda Gleisi. “Não são libertárias nas ideias, na política, na solidariedade”. Numa sociedade consumista, o sexo se tornou material e a mulher, objeto de consumo. “Isso tem consequên­cias perversas para as meninas especialmente, porque os rapazes não engravidam”.

Gleisi também concorda que a raiz é mais profunda. “Um pai tem medo de dar uma boneca pro filho porque acha que ele vai ficar afeminado; mas significa dizer: você também tem que cuidar de um ser humano. E dar uma bola ou um carrinho para a menina não significa que ela vá ser masculina, mas apenas que existem outras tarefas no mundo que ela também vai precisar enfrentar”.

Cuidados

Como reflete Valéria, a mulher que trabalha alucinadamente se sente sobrecarregada; a que não trabalha fica entediada e ambas se deprimem, entram em curto e adoecem. Coisas da vida moderna novamente, mais do que de uma situação criada pela prevalência masculina.

Até porque muita coisa mudou para melhor. A um marido assassino já não se aplica, indiscriminadamente, o argumento da honra para que escape impune. A lista de Valéria vai bem mais além: entre tantas coisas, “o adultério deixou de ser crime e justificativa para a impunidade de maridos assassinos; o pátrio poder foi substituído pela autoridade familiar e o casal exerce em conjunto a chefia da sociedade conjugal. A maternidade não é mais a grande vocação feminina e sim uma opção”.

E, num tom jocoso, porém sério, lembra que não existem mais mães solteiras, filhas ilegítimas e as mulheres menstruam, não ficam mais “incomodadas”. O problema é que a violência contra a mulher, que havia diminuído com a proteção estatal, parece crescer novamente. “Em minha opinião, não mais como resultado do sentimento de posse do homem sobre o corpo da mulher, mas como reação machista raivosa e até invejosa contra a liberdade, a autonomia, a independência e o sucesso da mulher”.

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Paula Fernandes de Siqueira é mestre e doutoranda em engenharia química. Gerente de Projetos, Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Imcopa, referência em processamento de soja não transgênica e sustentável. Foto: Erlei Schade

Guerreiras

A história de Marina Nessi, diretora da Casa Cor Paraná, exemplifica bem a atual situação das mulheres na vida profissional. Marina é professora por formação, mas há 30 anos atua no mercado de decoração, onde iniciou com uma loja, a Innovation House, uma das pioneiras na venda de revestimentos em Porto Alegre. Como representante dos Tapetes Avanti teve contato com a Casa Cor. Em 1987, em São Paulo, o evento iniciava uma nova era na decoração, mostrando que morar melhor, com conforto, requinte, graça e bossa não era privilégio de quem tinha alto poder aquisitivo. Além disso, o evento valorizou os profissionais da área. Em 1992 assumiu a franquia da Casa Cor no Rio Grande do Sul (onde atuou por 15 anos).

Iniciou a história da Casa Cor no Paraná em 1994, que está em sua 17ª edição, considerado um evento de peso. Os maiores fabricantes disputam espaços para mostrar seus lançamentos. O evento desafia o mercado com propostas inovadoras.Tornou-se uma referência em decoração, presente em 15 cidades brasileiras. Desde 1994, já passaram pela Casa Cor Paraná quase 600 profissionais e exposição com cerca de 800 ambientes. Marina tem consciên­cia do que este evento representa, tanto no mercado como nas relações sociais e culturais.“Preocupa-me sempre a questão cultural. Acho que o evento é um importante meio de comunicação com o mercado, um formador de um público mais exigente e sofisticado e tem sido um sinalizador de tendências”, diz convicta.

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Valéria Basseti Prochmann, jornalista e blogueira, foi conselheira do Conselho Estadual da Condição Feminina por dez anos (1984-1994); editou várias publicações dirigidas a mulheres e a seus direitos; subsidiou a Constituinte Estadual e o governo do estado; e na Rádio Capital, apresentou o quadro Palavra de Mulher no programa Alerta Geral. Mantém o blog Piperácea (piperacea.blog.terra.com.br)

Seguindo a tendência do sucesso profissional, a mestre e doutoranda em engenharia química Paula Fernandes de Siqueira tem uma história bem-sucedida em um universo dominado majoritariamente por homens. Ela é gerente de Projetos, Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Imcopa, referência em processamento de soja não transgênica e sustentável, que comercializa produtos para importantes empresas dos mais variados países do mundo, como Inglaterra, Alemanha, Noruega, França, Itália, Suíça, Holanda, Áustria, Bélgica, China, Japão e Nova Zelândia. As pesquisas desenvolvidas no departamento de P&D, coordenadas por ela, ajudaram a Imcopa a ser pioneira em soluções inovadoras. A empresa é a primeira fábrica do mundo a produzir álcool a partir da soja, usa uma caldeira que produz vapor queimando o melaço, substituindo assim a compra de gás. Além de ser responsável pelas pesquisas da indústria, Paula ainda é membro da Comissão Técnica do Macroprograma 1 da Embrapa.

O resultado de todo este trabalho é fruto de muita dedicação e persistência. “Percebi que para ser respeitada e escutada, quando mulher, você precisa se preparar (estudar, inovar, batalhar) muito mais do que um homem precisaria. Ou seja, você tem que ser infinitamente melhor para ganhar a concorrência e ter credibilidade”, afirma Paula. Ela diz que teve a sorte de encontrar pessoas especiais ao longo da sua carreira. “O presidente do local onde trabalho é uma pessoa espetacular, um visionário, que procura estar à frente do seu tempo, livre destes preconceitos característicos de pessoas pequenas e sem visão. Ele dá valor para as pessoas pelo seu potencial e resultados e não pelo sexo ou lobby”, define.

Por estas razões, apesar das dificuldades encontradas e outros escalões, sempre conseguiu ter a oportunidade de mostrar todo o seu trabalho. Isto inclui testar novas ideias que poderiam ou não trazer benefícios e que na maioria das vezes têm um certo risco por demandar investimentos que podem não retornar.

 

Condescendência

Lygia Fagundes Telles também conta que certa vez ouviu um conselho da amiga Clarice Lispector: “Não sorria em fotografias. Uma escritora sorridente não é levada a sério”. Lygia pode não ter seguido a sugestão, mas o comentário desnuda as preocupações adicionais e fúteis que as mulheres deviam observar para se fazer respeitar. A questão é que a condescendência no tratamento à mulher, em especial, mas não apenas no trabalho intelectual não é exatamente uma coisa do passado.

As mulheres continuam confinadas ao departamento feminino dos partidos políticos, por exemplo, como lembra Claudia Wasilewski; e a nova geração – a tal geração Y –, aquela da internet, tão pródiga em tecnologias de comunicação e tão avara em interesses que estejam a mais de um palmo do próprio umbigo, não tem noção da luta travada pelas mulheres. O descompromisso com o passado é assustador, trazendo alguns fantasmas de volta à pauta, como a história que não é conhecida tende a se repetir.

 

“A mulher que trabalha alucinadamente se sente sobrecarregada; a que não trabalha fica entediada e ambas se deprimem, entram em curto e adoecem. Coisas da vida moderna novamente, mais do que de uma situação criada pela prevalência masculina”

 

Gleisi Hoffmann conta que, em muitas reuniões de que participa com mulheres, algumas fazem questão de ressaltar que não são feministas, mas femininas. É preciso deixar de lado, aqui, outro preconceito que nasceu com o movimento feminista: o de que as participantes são todas feias ou mal amadas. Uma das precursoras, a escritora Betty Friedan, precisou enfrentar grosserias durante toda a vida, mas sem pessoas como ela não estaríamos, sequer, discutindo a questão.

Gleisi reforça junto a essas mulheres a necessidade de brigar por elas mesmas “e tem de ser já”. O que nos remete a outra questão básica e por vezes esquecida: pode-se ter avançado bastante, voltado atrás em algumas posições, mas o briga é um processo que se desenrola aos poucos e está longe de acabar. Diante das mudanças ocorridas no mundo nos últimos anos, a questão é mais ampla, “a briga é das pessoas por um mundo mais possível”, avalia Monica. A sociedade é injusta demais, considera, para que o gênero humano se dê ao luxo de dividir-se.

 

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Foto: Dico Kremer

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