Invernais

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As fotografias aqui publicadas fazem parte de um projeto de livro chamado “Invernais” que concebi no Monte Estoril, Portugal, onde morei entre 1990 e 1997. Tanto lá em Portugal como cá no Brasil andei de Herodes a Pilatos mas não consegui patrocínio para a publicação.

Aqui está uma amostra das 80 fotografias selecionadas, de aproximadamente 500 tiradas e um excerto do texto que escrevi para a apresentação do livro.

Palmilhando Lisboa no inverno de 1993, cidade que me acolheu durante quase 8 anos, vi, olhando com olhos de ver, fachadas de edificações percebidas através dos galhos das árvores sem folhas. Embrenhei-me na Graça, na Mouraria, em Capo de Ourique e em Campolide, no Rossio, na Sé, na Estrela, no Campo Grande e no Campo Pequeno, na Estefânia, na Ajuda, no Bairro Alto e em Alfama, em Alcântara, no Areeiro, nos Prazeres. Em ruas, avenidas, becos, alamedas, largos, praças, travessas, vielas, áleas, azinhagas. Nessas fachadas imóveis vi um eloquente testemunho de vidas, dramas de vidas vividas no interior e no exterior dessas habitações. Como grandes olhos, ouvidos, bocas, aparentemente cegos, surdos, mudas, essas quietudes fizeram-me imaginar uma parte da história da cidade: história pública e privada. Onde parece haver desolação, nudez, silêncio, pude imaginar (e ver) uma porção vibrante da vida e da história de Lisboa.

Ficaria recompensado se essas fotografias transmitissem o mesmo sentimento que tive quando descobri uma Lisboa vista pelos olhos de um andarilho num já distante inverno. Para caracterizar minha ligação com Lisboa faço minhas, mudando-as, as palavras com as quais Miguel Torga descreveu a sua ligação com o Brasil quando disse que “ tinha o Brasil tatuado na alma”. Eu trago Lisboa tatuada no meu coração.

 

 

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