Um pioneiro

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Quando alguém for escrever a história da moderna fotografia em Curitiba certamente o primeiro nome a ser lembrado é o de José Kalkbrenner Filho. O Kalk, hoje aposentado, passou por várias atividades dentro dessa profissão da qual é um pioneiro. Entre 1945 e 1952 começou com o Carlos Boutin num aprendizado em laboratório: revelação de negativos, provas contato, cópias, ampliações. Em 1952 fez fotografia jornalística para os jornais “Paraná Esportivo” e “Gazeta do Povo”. No Instituto Brasileiro do Café em 1954 dedicou-se à fotografia documentária. Com o novo jornal “Diário do Paraná” na praça foi convidado pelo jornalista Adherbal Stresser para a editoria de fotografia. Na época jantava sempre no restaurante Zacarias, na praça do mesmo nome e que ficava logo acima das lojas Pernambucanas. De sua mesa, enquanto deliciava-se com um belo fricassé de frango e vinho tinto, fotografou de instantes a instantes o incêndio que devorou o Cine Luz, do outro lado da praça. Depois do jantar revelou o filme, fez as cópias e entregou-as para redação. Cobriu concursos de misses (Paraná e Brasil), fotografou futebol e até mortos na morgue para a página policial.

Em 1957 no Foto Paris foi contratado para fotografias sociais: festas, casamentos, debutantes, eventos.

Teve o seu primeiro furo de reportagem fotográfica em 1958 quando da conquista pela seleção brasileira de futebol da Copa do Mundo na Suécia: estava com o jornalista esportivo Vinícius Coelho no aeroporto do Galeão, à noite, quando chegaram os jogadores. Um mar de gente, jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas, cartolas, políticos, fãs, uma aglomeração infernal e nenhuma condução que os levasse até o palácio do Catete onde o presidente Juscelino Kubitschek aguardava. Foi quando viram um ônibus com as esposas, noivas, namoradas, mães dos jogadores e gentilmente foram convidados a integrar a caravana feminina. Encaminhados pelo cerimonial para entrar no Palácio pela cozinha deram de cara com ela. Ela, a taça Jules Rimet, só, esperando para ser levada ao Presidente e demais autoridades. E foi ali, na cozinha, que o Kalk fez as primeiras fotos da taça, como num estúdio, sem ninguém para perturbar. E em 1962 funda a Fototécnica primeiro estúdio para atender a incipiente publicidade da província. Por lá passaram grandes nomes da fotografia paranaense notadamente Helmuth Wagner e João Urban.

Além da ascendência alemã Kalk e eu temos algo em comum: a dedicação extrema ao trabalho comercial. Enfim, é de lá que tiramos o nosso sustento. Como diz o Kalk: minha família prefere comer biscoitos a medalhas.

Nessas páginas algumas fotos que do profissional cujo briefing é o seu talento.

 

 

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