Um olho que se move

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O olho aproxima-se da ocular e procura o enquadramento. O que está prestes a ser fotografado, o que se apresenta em frente da objetiva, na visão subjetiva do fotógrafo, guia a composição. Nesse momento a memória fotográfica do autor vai em busca, inconscientemente ou não, de uma referência. Referência essa que pode ser do que viu, do que já fotografou ou do que sonhou que viu ou fotografou: junções de imagens formando dípticos, trípticos, combinações. No fotógrafo a memória visual é fundamental: acrescenta, descarta, cita ou modifica.

No presente caso, nas fotografias escolhidas e editadas pelo seu autor são dípticos, imagens que se complementam. Da Lisboa de 1988, da Berlin de 1989 até Florianópolis de 2006, Ivan monta um panorama humano que se autorreferencia. A abertura do obturador em rapidíssimo avo de segundo fixa um momento da existência compartilhado pelo fotógrafo e pelo que foi fotografado. E é a estética filtrada pela sensibilidade do autor que torna perene as imagens registradas.

Ivan Rodriguez partindo do fotoclubismo ― que junto com o cineclubismo já teve sua época áurea no Brasil ― formou-se em comunicação e dedicou-se à sua paixão que é a fotografia. De sua formatura em 1981 até hoje trabalhou em várias atividades fotográficas em Curitiba e em Lisboa para onde foi em 1988. Só ou junto de parceiros fotografou gente (books), fez coberturas fotográficas, editorial de moda para a revista Elle (Portugal) e, principalmente, trabalhou e trabalha para o mercado de fotos publicitárias. Ao lado desse trabalho profissional, sempre com altíssima qualidade, não descuidou do trabalho autoral. Desde a exposição “Visagens” ― Novos Fotógrafos ― na Sala Funarte em Curitiba 1983, passando por São Paulo com “Cemitério de Máquinas” junto com Neni Glock no Centro Cultural de São Paulo 1985, “Foto Poesia” com Cristina Gebran no Museu Guido Viaro Curitiba 1987, três mostras em Lisboa: 1989, 1990 e 1992: “Fotos & Postais”, com Joaquim Paiva e Nino Rezende, “Fotografias” e “Nus Up Stairs” estas duas mostras individuais até sua última exposição em Curitiba, Ivan continua a mover o seu criativo olhar para o trabalho que é a sua profissão e para aquele que não está à venda.

 

 

1_Lisboa_1988

Lisboa 1988

 

 

Mértola 1999

Mértola 1999

 

 

Braga 1992

Braga 1992

 

 

Curitiba 2003

Curitiba 2003

 

 

Florianópolis 2006

Florianópolis 2006

 

 

6_Berlim_1989

Berlim 1989

 

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