Instituto Professor Luiz Alberto Machado

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Iniciativa do filho, Luiz Alberto Machado Filho, e de alguns professores (especialmente Ivan Curi e Eroulths Cortiano Junior), agora em agosto foi lançado o Instituto Professor L. A. Machado. Estive lá, é claro. Comecei minha vida profissional trabalhando com o professor Machado. A estreia do Instituto contou com uma palestra do constitucionalista português J. J. Gomes Canotilho na manhã do dia 16 de agosto e, na noite do mesmo dia, um coquetel com a presença de muitos admiradores de todo o Brasil. O ex-ministro do STF, Eros Grau, falou pelos amigos/admiradores. Não são poucos os admiradores de Machado. E, devo reconhecer, alguns críticos. Quem sabe esta divisão entre críticos e admiradores revele sua mais saborosa característica: ninguém pode ser indiferente ao professor Machado.
Machado é e sempre foi um sujeito brilhante. Formou-se em primeiro lugar na faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. E de lá só saiu aposentado como professor.

Lecionou por quase quatro décadas. Não falta quem diga que foi o melhor diretor da história da Faculdade de Direito da UFPR (recentemente indicada entre as melhores do País). Foi responsável por consolidar a pós-graduação. Criou o curso de doutorado. Publicou bastante em sua área de concentração e grande paixão: o Direito Criminal. Melhor do que professor, Machado foi um advogado multidisciplinar. Machado, aliás, é integralmente multidisciplinar. Tem uma impressionante cultura geral.

Quando tínhamos algo a tratar sobre casos do escritório, Machado logo resolvia a questão e passava para assuntos “mais relevantes”. Conhecia profundamente os temas mais variados. Do sequestro do italiano Aldo Moro pela Brigate Rosse à entusiasmada descrição dos livros do Gore Vidal (um dos seus escritores prediletos), para citar exemplos aleatórios lançados agora pela minha memória.

Quando todos ainda supunham belo o juridiquês empolado, Machado já advogava com um texto limpo, leve, direto e objetivo. Sempre foi crítico da (a expressão é dele) linguagem barroca na advocacia. Vale-se do “ponto e vírgula” nos textos jurídicos tão bem quanto o outro Machado, o de Assis, valia-se na literatura. Convenhamos: saber usar o “ponto e vírgula” para dar cadência melódica às frases não é para qualquer um. Até hoje guardo aqui comigo muitas petições redigidas pelo professor. Acho que assim podem ser resumidas as características que tanto animam os admiradores do Machado. Há outras, é claro. Uma, em especial, dá argumento aos críticos. Machado é um polemista. Um polemista brilhante, com a língua afiada e sem nenhuma preocupação com o que se convencionou chamar de postura politicamente correta. Machado é, sem querer ser, líder da contracultura em tempos de patrulha. Precisamente por isso provoca muitos sentimentos em quem está por perto; menos um, repito aqui: a indiferença (será que o Machado vai aprovar o meu ponto e vírgula?).

Também não sei se ele vai aprovar a comparação, mas em alguma medida Machado é o nosso Paulo Francis do Direito. Ele é um pouco Kraus, Shaw, Mencken e Capote; tudo bem misturado (mais um ponto e vírgula…). Suas vítimas, é claro, não gostam muito quando são alcançadas por suas sínteses arrasadoras. Paciência. É o preço. Pretender o contrário é consagrar as polêmicas censuradas e insípidas dos dias de hoje.

Machado estava lá no lançamento do Instituto que leva seu nome. Já não tem a mesma saúde, lamentavelmente. Fui abraçá-lo e, como muitos, não pude disfarçar a emoção. Espero que ele ainda possa acompanhar por muitos anos o Instituto que nasce da inspiração e da justíssima homenagem ao professor de todos nós: Luiz Alberto Machado.

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