Prateleira. Ed. 141

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Zum – revista de fotografia

Dico Kremer

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O Instituto Moreira Salles publica duas revistas que se pode chamar de livros: Serrote, revista de ensaios, artes visuais, ideias e literatura, que sai três vezes por ano, e Zum, revista semestral de fotografia. A primeira já vai em seu número 13 e a Zum em seu quarto número.

Duas publicações primorosas. Na edição nº 4 da Zum temos algumas fotos e histórias de Win Wenders, importante cineasta alemão; o ensaio fotográfico “Bulevar” de Katy Grannan com comentário de Seth Curcio. Um artigo de Arthur Lubow sobre fotos de Garry Winogrand. E mais: fotografias de Rosângela Rennó; Thomas Truth fornece fotos para o sociólogo Richard Sennett conversar com artistas, arquitetos e urbanistas sobre o que suas fotos revelam sobre cidades; André Cepeda; Bárbara Wagner; Pierre Bourdieu; Franz Schultheis; Leo Rubinfien sobre Shomei Tomatsu, falecido fotógrafo japonês.

Mas a piéce de résistence, a meu ver, são as fotografias do fotógrafo chinês Li Zhensheng com um artigo de Dorrit Harazim: “O Guardião da História”. O jovem fotógrafo Li foi contratado por um jornal de província chamado Diário de Heilongjiang e fotografou, com a braçadeira da Guarda Vermelha, que lhe dava uma certa garantia de não ser incomodado, cenas da famosa Revolução Cultural de Mao Tsé-tung. Fotografou o que podia ser publicado e o que não podia. Escondeu em sua casa milhares de negativos com a cumplicidade de sua mulher. E conseguiu fazer chegar, via Robert Pledge, cofundador da agência fotográfica Contact Press Images, seus preciosos negativos a Inglaterra. Lá foi publicado o livro Red-Color News Soldier. O livro não é encontrado na China. Hoje há livros de crítica sobre a história passada e presente chinesa que podem ser comprados em livrarias do país. Mas só de texto e com algumas exceções. Com imagens, parece, a coisa muda de figura. Li Zhensheng está com 70 anos e vive em seu país sem ser molestado.

Angélica Freitas

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O segundo livro de Angélica Freitas reúne 35 poemas marcados por uma visão crítica extremamente original, animada por um humor que deixa o leitor em suspenso entre a seriedade e o riso. Os versos precisos revelam o domínio da poeta sobre a linguagem. Um útero é do tamanho de um punho tem a mulher como centro temático: procura definir que figura feminina é essa que nossa cultura trata de desenhar e que se desconstrói incessantemente, questiona de um lado o mundo, de outro a própria identidade. Angélica Freitas estabelece uma relação sutil entre os poemas, de modo que sua voz se torna mais contundente ao longo da leitura. A poeta mostra amadurecimento e se destaca como uma das vozes mais vigorosas da poesia brasileira contemporânea. (Cosac e Naify)

A história de amor de Rovedo

Hélio Puglielli

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Bem concebida, bem desenvolvida e bem acabada, a novela A Flor da Pele, de Franco Rovedo, flui em ritmo contínuo, sem altos e baixos, prendendo a atenção de quem lê. A não ser que seja leitor(a) que faz questão de ostentar “carteirinha de intelectual”, desejoso(a) de encontrar reinvenções textuais e pirotecnias estilísticas. Nesse caso, A Flor da Pele só tem a oferecer um texto limpo, claro e transparente, no qual Rovedo revela o domínio do idioma e daquilo que é possível fazer com ele, sem transgredir fronteiras. Em vez de uma história torturada, cheia de angústias existenciais ou problematizações ideológicas, o narrador apresenta personagens em busca do amor, abertos à vida e às emoções, mas imunes a filosofias do desespero e do non sense. Em termos de estrutura, não deixa de ser uma narrativa linear, ainda que intercalando as falas em primeira pessoa do personagem Giulio com as páginas do diário escrito por Karin, num contraponto que nos revela o ângulo masculino e o feminino da trama, sem privilegiar um em detrimento do outro. E assim, com equilíbrio, desdobra-se o enredo, comportando ingredientes tão atraentes quanto os esportes radicais, incluindo motos, lanchas e paraquedas. Mas a linha condutora é sempre o amor entre Giulio e Karin, iniciado com mensagens nas redes sociais e progressivamente amadurecendo numa sequência de ocorrências sensuais, iluminações e atribulações, onde o inferno dos amantes sempre são os outros. Só não cabe discutir se o amor triunfa, ou não, para não “queimar” o epílogo da novela, que tem todo o tempero necessário para sobressair e alcançar êxito.

Serviço

O livro está disponível na Livraria Danúbio, no Batel, e através do email:
editorainverso@editorainverso.com.br

A bela capa leva a assinatura da artista e fotógrafa Vilma Slomp.
Foto da exposição “Delicius” de 1987.

Clement Greenberg

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Este livro, Estética Doméstica, reúne nove ensaios e seminários de Clement Greenberg (1909-1994), o mais importante crítico de arte norte-americano do século XX, cuja influência foi decisiva para a afirmação do expressionismo abstrato e para artistas como Pollock e Rothko. Neste livro, Greenberg afirma que o gosto é uma faculdade que pode ser cultivada por meio de uma crescente exposição à arte e, posteriormente, por meio da reflexão sobre o que foi visto, ouvido ou lido.

O design dos livros da coleção foi pensado nos mínimos detalhes para que seja especial e inovador, como nas demais edições da Cosac Naify. As capas, com relevo exclusivo, trazem cores fluorescentes em uma disposição geométrica que varia a cada título. Todo o volume é impresso em munchen; a textura e cor agradáveis deste papel, aliadas ao tamanho e espaçamento das linhas e das letras, garantem uma leitura confortável. (Cosac e Naify).

Educação criativa

Criatividade---Fernanda-Piske---5094-FERA atual metodologia de ensino e o formato da educação escolar rendem algumas amarras ao processo de aprendizagem. Tal questão faz com que o período escolar seja uma etapa que algumas vezes se torna uma situação complicada para professores e estudantes. Muitas vezes alguns casos que precisam de maior atenção acabam ficando em segundo plano. Professores adotam o mesmo critério de ensino para todos os alunos, sem poder levar em conta a diferença de cada criança.

Neste cenário, cada vez mais é interessante contar com professores dispostos a apostar em medidas educativas que instiguem a curiosidade e interesse de cada aluno. Esta reflexão é o tema central do livro Criatividade na Escola – O Desenvolvimento de Potencialidades, Altas Habilidades, Superdotação (AH/SD) e Talentos. Publicado pela Juruá Editora, a obra traz um completo apanhado de estudos e pesquisas sobre o tema. Na coletânea, autores nacionais e internacionais marcam presença com textos pontuais sobre essa discussão. A intenção desta edição é, de maneira criativa, fundamentar o desenvolvimento potencial de todas as crianças, incluindo as que possuem altas habilidades/superdotação (AH/SD) e talentos.
Os textos selecionados mostram que um ensino fora do padrão, que possibilita a liberdade de expressão, pode ser o caminho para perceber o verdadeiro sentido do processo da aprendizagem.

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