Música Erudita. Ed. 143 – Viva Verdi

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Vito Ferrara

A Sociedade Giuseppe Garibaldi comemora os 200 anos de Giuseppe Verdi, o compositor que nasceu em 10 de outubro de 1813, em Roncole di Busseto, pequena cidade italiana da província de Parma. Comemora, também, os 130 anos da fundação da Sociedade. E o faz em boas mãos. A nova diretora cultural é Raghnild Borgomanero, mulher que reúne qualidades que vão da cultura musical à preservação da mais importante coleção de peças que o seu marido, Guido Borgomanero, recolheu em suas viagens de pesquisas arqueológicas pelo mundo.

giuseppe-verdi-1813-19011Pois o primeiro evento organizado por Raghnild é um concerto que será apresentado no dia 15 de setembro, às 18h, no Palácio Garibaldi, com entrada franca. Apresentam-se excelentes músicos que cantarão melodias de óperas de Verdi. Gente do quilate de Ana Paula Brunkow, soprano; Penelope White, mezzosoprano; Pepes do Valle, barítono; dirigidos por Alessandro Sangiorgi, piano. E é de se esperar que tenhamos mais dessas iniciativas que Raghnild Borgomanero é capaz de criar com sua cultura e determinação.

Não há nome mais importante na história da ópera que o de Verdi. Um menino de família humilíssima que começou a aprender música aos quatro anos, com o padre da pequena cidade. Aos sete ganhou um piano do pai. Aos nove, começa a compor. Gênio. Aos 19 muda-se para Milão para estudar no Conservatório. Terá que esperar. Não tinha idade suficiente para ingressar.

Em 1836 casa-se com Margherita. Com ela tem dois filhos. Virginia e Icilio. Perderá os três em curto espaço de tempo. Um evento dramático no início de sua carreira, quase interrompida. Ele recupera forças e apresenta no La Scala de Milão a obra Oberto, com algum sucesso. Nesse período compõe Un giorno di regno, sem sucesso. Dois anos mais tarde, em 1842, teria grande sucesso com a sua ópera Nabucco. Durante os 10 anos seguintes, compôs 16 óperas, com uma média de uma a cada oito meses.

Com a Traviata pode-se dizer que inicia o período mais produtivo da sua vida. É dessa época o início do relacionamento com a soprano Giuseppina Strepponi. Em 1847 viaja a Paris e Londres para representar I masnadieri. Muda-se para Paris e passa a viver com Strepponi. A veia criativa é fecunda. Em três anos compõe a célebre Trilogia popolare. Famosa pelos três títulos fundamentais que a compõem: Rigoletto, Trovatore e Traviata, aos quais se junta I vespri siciliani. O êxito é enorme. Verdi alcança a grande fama. Muda-se com Strepponi para Sant’Agata em Busseto, onde passará grande parte do seu tempo. Em 1857 apresenta Simon Boccanera e em 1859 Um ballo in Maschera. Nesse mesmo ano casa com Giuseppina Strepponi.

Desde 1861 a sua vida artística uniu-se à política. Eleito deputado ao primeiro Parlamento italiano em 1874, foi proclamado senador. Nesses anos compõe La forza del destino, Aida, e a Messa de Requiem, escrita pensando nas celebrações de Alessandro Manzoni. Em 1887, e já com a idade avançada, compõe Otello, baseado em Shakespeare. Em 1893, com a ópera cômica Falstaff despede-se do teatro em Sant’Agata. Morre em 27 de janeiro de 1901, no Hotel de Milão.

Verdi tornou-se um dos compositores mais influentes desde o século XIX. Suas obras continuam executadas com frequência em casas de ópera em todo o mundo. Melodista incomparável, muitas de suas árias enraizaram-se na cultura popular – como La donna è mobile, de Rigoletto, Va, pensiero (Coro dos Escravos Hebreus) de Nabucco, Libiamo ne’lieti calici (Valsa do Brinde) de La Traviata e a Gloria al Egito e ad Iside (Marcha Triunfal) de Aida. As obras-primas de Verdi dominam o repertório padrão um século e meio depois de suas composições.

Seu funeral levou centenas de milhares às ruas em Milão. A notícia comoveu o mundo. Arturo Toscanini conduziu a vasta força de orquestras e coros combinados de toda a Itália no funeral de Verdi, em Milão.

Sociedade Giuseppe Garibaldi – 130 anos

Convida

Domingo, 15 de setembro, às 18 horas,

no Palácio Garibaldi, Pç. Garibaldi

VIVA VERDI

Melodias de óperas de Giuseppe Verdi:

Macbeth – ária “Come dal ciel precipita” (basso), 5.00

Il Trovatore – ária “Timor di me/D’amor sull’ali rosee” (soprano), 5.10

Il Trovatore – ária “Stride la vampa” (mezzo), 3.15

La forza del destino – ária “Pace, pace mio Dio” (soprano), 5.40

Don Carlo – ária “Ella giammai m’amò” (basso), 8.00

Don Carlo – ária “Nel giardin del bello” (mezzo), 4.50

La forza del destino – duetto “Siam soli…” (basso, soprano), 12.00

Aida – duetto “Fu la sorte dell’armi…” (mezzo, soprano), 10.00

Com a participação de

Ana Paula Brunkow, soprano

Penelope White, mezzosoprano

Pepes do Valle, barítono

Alessandro Sangiorgi, piano e direção

Entrada franca

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