O caso Gaievski

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O decreto de prisão do assessor especial de Gleisi Hoffmann, Eduardo Gaievski, por estupro de menores, põe a nu uma situação investigada há três anos

 

Em agosto, caiu o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o dólar subiu, o ministro Guido Mantega declarou que vivemos uma minicrise, houve morticínio na Síria e no Egito, mas nada chamou a atenção dos paranaenses mais do que o caso Eduardo Gaievski, o ex-prefeito do PT, alçado à condição de assessor especial da ministra Gleisi Hoffmann, instalado há alguns metros da presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.

Gaievski, como todos agora sabem, usou de sua posição de prefeito de Realeza para consumar em série e durante anos seu apetite sexual por crianças. É um pedófilo, conhecido pela sua soberba e até então apresentado ao mundo como o mais perfeito exemplo do modo de governar do PT.

Pois, pois, agora a ministra Gleisi e todo o PT se apressam para desvincular-se de Gaievski, o arrogante assessor encarregado, entre outras, de desancar jornalistas nas redes sociais. Canalha era uma de suas expressões favoritas. Agora se vê que ela é perfeitamente aplicável ao próprio Gaievski.

Síndrome petista? Gleisi Hoffmann repete a fórmula do ex-presidente Lula e jura que “não sabia de nada” sobre os inquéritos e nem da ficha corrida do seu ex-assessor Eduardo Gaievski – acusado de estupro de vulneráveis.

A ministra foi questionada sobre a nomeação de Gaievski na Casa Civil mesmo com as investigações que já duram mais de três anos. Outra curiosidade: por que a ABIN, órgão de informação e segurança do governo federal, não repassou informações tão graves sobre Gaievski? Gleisi Hoffmann disse que a ficha dele chegou a ser levantada mas que nada constou.

“Nós consultamos a ABIN, Poder Judiciário, cartórios e todos os órgãos necessários. Pedimos certidão negativa. Não existia nada sobre esse processo em relação ao Eduardo Gaievski”, disse.

Gleisi se mostrou preocupada com a vulnerabilidade do sistema de segurança. “Quando eu soube que não constava nada sobre ele por ser segredo de Justiça eu fiquei preocupada. Isso é um alerta. Precisamos criar um mecanismo para verificar se existem outras situações semelhantes e que medidas nós podemos tomar para que não aconteçam situações como essa.”

Com exceção de Enio Verri, presidente do PT, que disse que “gostaria muito que não fosse verdade isso”, causou estranheza, na sessão de ontem (27/08) da Assembleia Legislativa, o silêncio dos deputados petistas – Luciana Rafagnin, Toninho Wansdcheer, Pericles Melo, Tadeu Veneri, Professor Lemos e Elton Welter – que não pediram a palavra ou fizeram qualquer aparte na defesa do petista Eduardo Gaievski – alvo de um duro ataque da deputada Cantora Mara Lima (PSDB).

 

Investigado

Sabe-se agora que Gaievski, ex-assessor de Gleisi Hoffmann na Casa Civil, é investigado há três anos pelo Gaeco pela suspeita de estupro de 23 meninas (idades de 13 a 16 anos). Todas meninas pobres que ele levava a fazer sexo com ofertas de dinheiro, emprego ou ameaças de demissão aos pais que trabalhavam na prefeitura.

Todos os dias a situação de Gaievski piora. Uma enxurrada de denúncias chega ao Ministério Público contra ele.

Uma jornalista de Realeza postou um desabafo na sua conta do Facebook sobre o assédio sofrido do ex-prefeito Eduardo Gaievski (PT). Ela conta que tudo começou em 2009, quando ainda era acadêmica de jornalismo em Curitiba. Na época, preparava uma matéria para um blog da capital sobre soluções inteligentes para o transporte de Realeza quando procurou o prefeito para uma entrevista.

Confira a seguir o relato feito ao Jornal de Beltrão: “No gabinete, ele me convidou para ir a Brasília. Disse que eu iria como assessora especial dele. Quando cheguei em casa, ele usou um perfil falso do Orkut para me enviar mensagens sobre a viagem e sempre acompanhadas de frases suspeitas, do tipo: ‘não esqueço seu sorriso’, ‘já estou com saudades’. Me mandou um e-mail dizendo que tava apaixonado. Eu detonei com ele, lógico, e uma conhecida da minha família pegou os textos e foi até a prefeitura pedir o que estava acontecendo. Ele fez um teatro, um escândalo, falou que ia chamar a polícia pra investigar, mas até hoje não chamou. Alegou que era coisa da oposição, que era armação. Depois que ele descobriu que meus pais estavam contando pra todo mundo em Realeza, passou a me ameaçar. Ligava na minha casa e dizia que eu era uma pseudojornalista”.

O assessor de Gleisi é investigado pelo estupro de 23 meninas com idade entre 13 e 16 anos. Ele abusava delas oferecendo dinheiro e fazendo ameaças

Nojo

A deputada Cantora Mara Lima (PSDB), em duro pronunciamento na tribuna da Assembleia, exigiu que a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), venha a público esclarecer como contratou um assessor especial na Casa Civil que vem sendo investigado há três anos pelo Ministério Público por pedofilia.

A deputada Mara Lima, presidente da Comissão de Defesa da Mulher e vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, disse que Gleisi tem “obrigação” de vir a público se explicar, porque o assessor que contratou está “enlameando” o nome do Paraná em todos os jornais e televisões do País.

A deputada disse ter “nojo” desse tipo de criminoso, que ataca crianças e estranhou que Gleisi não tivesse informações sobre a ficha de seu funcionário, uma vez que as investigações já estendem por anos. Lembrou que a contratação de um assessor para atuar no Palácio do Planalto exige uma ampla averiguação da ficha pessoal, inclusive pela Abin – Agência Brasileira de Inteligência – e pelo Gabinete de Segurança Institucional.

“Será possível que a ministra soubesse do passado de seu assessor e mesmo assim o manteve no posto por que ele era útil politicamente?”, questionou Mara Lima. “A ministra Gleisi Hoffmann não pode deixar os paranaenses e brasileiros sem uma resposta”. A deputada leu um relato sobre os crimes atribuídos a Eduardo Gaievski, divulgados pela revista Veja e alguns dos principais jornais do País.

 

Crime continuado

O assessor de Gleisi é investigado pelo estupro de 23 meninas com idade entre 13 e 16 anos. Ele abusava delas oferecendo dinheiro e fazendo ameaças, no caso da criança ser filha de funcionários da prefeitura. Chegou a premiar algumas de suas vítimas com emprego na prefeitura de Realeza, cidade de 17 mil habitantes no Sudoeste do Paraná. “Eram todas meninas pobres e indefesas, que o prefeito buscava, muitas vezes, na porta da escola para levar para o motel”, destacou Mara Lima.

Para a deputada, Eduardo Gaievski deve ser capturado e tão logo seja estabelecida sua culpa, preso. “Ele deve apodrecer atrás das grades”, destacou. Estamos aguardando uma explicação pública da ministra Gleisi Hoffmann. “Ela deve uma resposta ao Paraná e ao País porque a responsabilidade de ter colocado alguém com essa ficha suja na Casa Civil é exclusivamente dela”, destacou Mara Lima.

Gaievski foi prefeito de Realeza de 2005 até 2012 e, ao deixar o cargo, foi convidado pela ministra para ser seu braço direito na Casa Civil e coordenar programas sociais ligados a menores: combate ao crack e construção de creches.

Segundo um dos depoimentos da revista Veja, o prefeito na época, Eduardo Gaievski, aliciava as garotas usando mulheres mais velhas para convencê-las a manter relações com ele, o então prefeito oferecia dinheiro a meninas pobres em troca de sexo. Uma das vítimas contou: “Eu tinha 13 anos de idade e o prefeito foi me buscar no colégio para levar para o motel”, diz J. S., uma das vítimas, que hoje está com 17 anos.

“A gente era ameaçada para não contar nada a ninguém”, diz A.F., que tinha 14 anos quando foi levada ao motel Jet’aime pelo prefeito três vezes, recebendo entre 150 e 200 reais cada uma delas. P.B., outra suposta vítima, contou que saiu com o prefeito três vezes em troca de um emprego na prefeitura. “Hoje tenho depressão e vivo à base de remédios”, conta a moça, que está com 22 anos. “Quando ele enjoou de mim, fui demitida.” Todos esses relatos foram mostrados pela revista Veja, que também revelou que as meninas disseram ter sido ameaçadas caso denunciassem o prefeito na época.

O escândalo veio à tona na mídia e a Casa Civil da Presidência da República se apressou em divulgar nota oficial comunicando o afastamento do acusado de estupro de menores. Em nota, a Casa Civil informou que o funcionário ficará longe de suas funções até que sejam apuradas as acusações.

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