Prateleira. Ed. 143

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A Vênus das Peles

crepax_a-venus-das-peles-capaGuido Crepax foi o primeiro grande mestre dos quadrinhos eróticos. Era formado em arquitetura, mas nunca exerceu a profissão. Dedicou-se, ainda estudante, às artes gráficas publicitárias e à ilustração.

Em 1965 escreveu e desenhou a sua primeira história em quadrinhos, com a personagem Valentina, a bela fotógrafa cosmopolita criada à imagem e semelhança da atriz Louise Brooks, de quem Crepax era fã.

Além de Valentina, outras obras suas se destacaram: baseado em histórias do Marquês de Sade fez Justine; em Arsan, fez Emanuelle; em Pauline Reage, História de O, e em Sacher-Masoch, A Vênus das Peles. Isso entre muitas outras.

Adorava jazz, fez então uma homenagem para Charlie Parker em O Homem do Harlem. Não bastasse, fez adaptações para os clássicos Frankenstein, O Médico e o Monstro e Drácula.

Foi autor de outras heroínas: Bianca, Anita, Giulietta, Belinda e Francesca. No campo das artes plásticas propriamente ditas, Crepax assinou uma centena de obras, entre litografias e serigrafias. Faleceu em 2003.

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Cores de Matisse

Odalisque à la Cullote Rouge

Odalisque à la Cullote Rouge

O pintor que iluminou a cena moderna terá álbum que sintetiza seu percurso. O poder transcendental da pintura do francês Henri Matisse (1869-1954), que atravessou o século 20 como principal rival de Picasso, é inquestionável. Isso poderá ser visto em álbum que reproduz 80 obras suas e trabalhos de pintores contemporâneos franceses que ainda fazem uso de suas técnicas e invenções. Como eles, Matisse buscava, acima de tudo, a expressão. Injustamente, diziam dele que tudo o que procurava não ia além de uma satisfação puramente visual. Acusavam-no, enfim, de ser decorativo. Ele, parafraseando Delacroix, respondia que os artistas não são compreendidos, apenas aceitos. E defendia o decorativo como uma qualidade essencial de uma obra de arte. Concordam com ele seus discípulos contemporâneos que dialogam com Matisse.

Anna Kariênina

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Com apresentação e tradução diretamente do russo por Rubens Figueiredo, esta nova edição de Anna Kariênina inclui notas explicativas, uma lista de personagens e uma árvore genealógica dos principais núcleos familiares.

“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Esta é uma das aberturas mais famosas de todos os tempos, e ainda hoje impressiona a sabedoria concisa com que Tolstói introduz o leitor no universo de Anna Kariênina, clássico escrito entre 1873 e 1877. Muito do que o romance vai mostrar está contido nesta frase. A personagem-título, ao abandonar sua sólida posição social por um novo amor, e seguir esta opção até as últimas consequências, potencializa os dilemas amorosos, vividos dentro ou fora do casamento, de toda a ampla galeria de personagens que a circunda. O amor, aqui, não é puro idealismo romântico.

Fora de lugar

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David é um brasileiro de 30 e poucos anos radicado em Chicago. Filho de uma imigrante mexicana, toca trompete e é apaixonado por jazz. Quando ele descobre que tem pouco tempo de vida, começa o seu aprendizado do desprendimento, que o leva a deixar para trás tudo que não é essencial. Alex é uma jovem descendente de vietnamitas, mãe solteira, que tenta a duras penas conciliar trabalho, estudo e maternidade em um ambiente muitas vezes hostil. No desenho desses dois personagens que se entrelaçam já estão presentes as questões que movem a narrativa de Hanói, novo romance de Adriana Lisboa (Alfaguara, 240 págs. R$ 39,90): a transitoriedade da vida, o desenraizamento, as adversidades enfrentadas por imigrantes na sociedade americana, a miscigenação e o encontro/desencontro de culturas.

Corrosão do caráter

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A expressão “capitalismo flexível” descreve hoje um sistema que é mais que uma variação sobre um velho tema. Enfatiza-se a flexibilidade. Atacam-se as formas rígidas de burocracia, e também os males da rotina cega. Pede-se aos trabalhadores que sejam ágeis, estejam abertos a mudanças a curto prazo, assumam riscos continuamente, dependam cada vez menos de leis e procedimentos formais.

Essa ênfase na flexibilidade está mudando o próprio significado do trabalho, e também as palavras que empregamos para ele. “Carreira”, por exemplo, significava originalmente, na língua inglesa, uma estrada para carruagens, e, como acabou sendo aplicada ao trabalho, um canal para as atividades econômicas de alguém durante a vida inteira.

Mulher fotografa mulher

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Dora Maar, Portrait d’une femme, Paris, c. 1935

Para abrir o ensaio do catálogo que acompanha a exposição Au féminin, Women Photographing women, o comissário Jorge Calado escolheu uma citação da fotógrafa americana Imogem Cunningham (1883-1976) que clarifica, à partida, a fronteira entre estes dois momentos: “A fotografia não tem sexo”, no sentido em que, na sua gênese, ela está apenas ao serviço da luz, como uma folha em branco. Apesar da sua neutralidade de gênero, a fotografia (ou produção fotográfica que se tornou mais visível) esteve durante muito tempo nas mãos de homens. Não que as mulheres estivessem ausentes do universo da fotografia. Muito pelo contrário, elas sempre fizeram parte dela, não só como tema e sujeito, mas também como criadoras, comissárias e teóricas (como Susan Sontag e Gisèle Freund, que assinaram alguns dos mais importantes ensaios do século passado).

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