Malditas fotos

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Há quanto tempo você não renova os documentos? Se faz tempo, prepare-se para uma surpresa megadesagradável. Apavorante. Não imagino outra palavra.

No começo deste ano precisei fazer uma maldita foto 3×4. Em um domingo encontrei meu amigo Marcos Cordiolli que estava com o mesmo problema e fomos à luta. Shopping, docinho, papo e não havia mais como escapar. Rumamos para a sessão de tortura. Como ele é um cavalheiro, me deixou ir na frente. Eu estava de vestido e tive que me equilibrar em um banquinho alto. As pessoas subindo e descendo a escada rolante. Parecia que todos estavam me olhando. Mico ou orangotango? Não sei. A moça se aproximava com a câmera e eu dizia: — por que tão perto? E ela vinha como se fosse medir minha pressão ocular. O peste do Cordiolli fotografava junto. Não sabia quem matar antes. Quando vi a foto tive um chilique. Clássico. De voz fininha e tudo mais. Nessa fase o Cordiolli se contorcia de tanto rir. Aquela maldita câmera me transformou em um Macaco-narigudo (Nasalis larvatus) de Bornéu. Achatou meu nariz de um jeito que parecia cobrir o lábio. Não quis a foto. Não paguei aquela %#@*&¨! Logo o meu nariz? O Cordiolli cedeu e deve ter se achado ótimo.

Não me dei por vencida e fomos para o Passeio Público atrás de um lambe-lambe. Nada. Nenhum para contar a história. Nós dois parecíamos ter ficado em coma nos últimos 20 anos. Olhávamos os quiosques digitais como se fossem tecnologia de ponta. Desistimos. A abençoada Luciana Nogueira tirou minha foto. De longe, é claro. Photoshopada? Não sei. Não tive coragem de perguntar. Somente agradeci e muito.

Hora de renovar a carteira de motorista. Já prevendo a tragédia, passei um quilo de corretivo e base. Blush para melhorar a palidez. Mais iluminador para abrir os olhos. Abri um sorriso na hora. Nada feito. Não poderia mostrar os dentes. Como assim? Alguém me reconhece em uma foto quando estou séria? Mostrar os dentes é pecado mortal. O sorriso e os dentes são características individuais. Certo? O Detran pensa diferente. Não fiquei parecendo o macaco de Bornéu, mas meu rosto ficou cinza. Outra foto %#@*&¨!

Levei minha mãe para renovar a carteira de identidade. Outra vibe! Ela passou a semana falando que queria um fundo escuro. Como tem cabelo branco, acha que fotos dela em um fundo claro fazem com que o cabelo pareça uma aura. Foto Kirlian. Pode?

Então… a levei ao salão. Aproveitei a ida para renovar a minha também. Confesso que me arrumei novamente. Puxaram meus dados do Detran e usaram a mesma foto cinza. Agora a identidade e a carteira de motorista são duas vezes eu mesma. Estou em crise. Pensava em mostrar a carteira de motorista em uma blitz e em nenhum outro lugar. Nada disso. Vou ter que mostrar por aí. Pô, tenho uma imagem a zelar.

Cansei. Em qualquer edifício tenho que tirar fotinhos em camerazinhas e ninguém me mostra. Saio dali andando firme e pensando como os balconistas devem rir. Tecnologia dos infernos!!!

Contei tudo isso para dizer que morro de saudade de ir à “Foto Okamoto”, na Cândido Lopes. Acabou. Fiz todas as minhas fotos de infância e adolescência para documentos e escola. Implicava que tinha que levantar e abaixar a cabeça. Das puxadas nas minhas bochechas com se ele quisesse me deixar mais gordinha. Era magra demais. Só que quando estavam reveladas ficava feliz. Distribuía. Sempre fazia 36 cópias. Agora só me estresso. E sento aqui para falar sobre as fotos %#@*&¨. Grrrrrrrrr.

Haja psicanálise!

Fui…

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