PSDB bate forte

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Fotos Pedro Ribas

Aécio Neves já conseguiu pequenas proezas: uniu os tucanos, bate forte no PT e no governo federal, e preocupa Dilma e Lula

 

O PSDB, quem diria, já consegue dar o tom nessa campanha eleitoral antecipada e avança algumas peças no tabuleiro político que se encerra em outubro de 2014. A passagem de Aécio Neves por Curitiba – onde reuniu o tucanato do Sul e alguns agregados como o DEM – mostra um partido mais coeso e unido em torno do mineiro que, sistematicamente, bate no PT e no governo Dilma, e de quebra mantém um carisma afeito a segmentos como a juventude, classe média e junto às mulheres.

“O papo é reto: é hora de enfrentar o PT”. Aécio Neves

Aécio Neves

Aécio Neves

“O papo é reto: é hora de enfrentar o PT”, discursou Aécio para uma plateia de 500 jovens e repetiu a mesma toada para três mil lideranças que lotaram as dependências do Clube Urca, no Ahú. A confiança de Aécio também reside num feito inédito no ninho tucano. O senador mineiro, de boa conversa, conseguiu desarmar brigas históricas entre José Serra, FHC, Tasso Jereissati, Sergio Guerra, Alvaro Dias, Beto Richa, Euclides Scalco e de outros tucanos de primeiro galardão.

“A política eu costumo dizer que é feita muito mais de desencontro do que de encontro. Mas possibilita também o reencontro como esse que estamos vivendo. Hoje, não é apenas um encontro dos tucanos do Sul do Brasil. Hoje, o PSDB se reencontra com a sua própria história. É isso que volta a acontecer. O PSDB vem se reencontrando a cada dia e a cada instante”, disse Aécio ao grupo de tucanos paranaenses formado por Beto Richa, Alvaro Dias, Euclides Scalco e Valdir Rossoni. Há tempos, os quatro não sentavam para um dedo de prosa – o mineiro conseguiu a proeza.

 

“Tâmo junto”

Aécio, no entanto, há tempos se preparou para comandar o PSDB na próxima campanha presidencial. Desde a derrota de Geraldo Alckmin em 2010 e sua eleição ao Senado, Aécio traçou seu plano que culminou na convenção de maio passado quando foi eleito presidente nacional da sigla com mais de 97% dos votos. O paulista José Serra participou da convenção, elogiou o mineiro, mas ainda almejava uma terceira candidatura a presidente.

“A minha prioridade é derrotar o PT, cuja prática e projeto já comprometem o presente e ameaçam o futuro do Brasil. O PSDB, partido que ajudei a conceber e a fundar, será para mim a trincheira adequada para lutar por esse propósito. A partir dela me empenharei para agregar outras forças que pretendem dar um novo rumo ao País”, assentiu Serra no dia do fico. Aécio retribuiu: “José Serra é uma figura indispensável ao partido”.

Mesmo antes da confirmação da permanência de Serra no ninho tucano, o mineiro Aécio Neves já vinha cumprindo uma agenda de pré-candidato com viagens, visitas e entrevistas. Também estruturou a comunicação tucana que conta hoje com portais, sites, blogs, newsletter e uma forte presença nas redes sociais. O partido se organizou e Aécio colocou seu bloco na rua. “Um partido político que tem os quadros que temos não pode temer o embate e jamais irá temê-lo. Nós estamos preparados para o embate em qualquer canto. Em benefício dos brasileiros, o ciclo de governo do PT, merece ser encerrado”, adiantou Aécio em Curitiba.

 

PT monitora

A intensa movimentação de Aécio preocupa Dilma, Lula e os estrategistas do Planalto. O jornalista Claudio Humberto, em sua coluna diária, atentou que o PT não pensa em outra coisa do que esvaziar as visitas de Aécio aos estados. “Aécio é mesmo o candidato mais temido por Dilma e Lula. Todos os movimentos de Aécio são monitorados pela ‘inteligência’ da campanha do PT, incluindo discursos, entrevistas e sua agenda. Agora, as viagens do pré-candidato do PSDB sempre ‘coincidem’ com a visita, à mesma cidade, de vários ministros prometendo mundos e fundos”, aponta Claudio Humberto.

Em Maceió, dia 21, à chegada de Aécio, quatro ministros prometeram investir R$ 10 bilhões, dinheiro nunca visto na negligenciada Alagoas. Em Curitiba, dia 28, nova ‘coincidência’: um grupo de ministros esteve na cidade no mesmo dia do tucano, prometendo investimentos. A estratégia definida por Lula é “levar ação de governo e recursos” aos locais aonde Aécio aparece apenas para propor: “Vamos conversar?”, disse o jornalista sobre a estratégia petista.

Aécio sabe que incomoda e vê seu momento como único. “Que bom que a campanha está chegando porque é nela que vamos contrapor o Brasil real com o Brasil virtual”, disse. “As ruas estão indignadas com a irresponsabilidade do atual governo, com a incapacidade de atendimento das demandas básicas. Cabe a nós do PSDB, com o preparo e a experiência dos nossos líderes, construirmos a melhor proposta para darmos fim a esse perverso ciclo de governo do PT”, discursou.

 

Vamos comparar

O senador garantiu estar pronto para o debate de ideias em qualquer um dos campos da administração pública. Para ele, é hora de enfrentar frente a frente o PT, sem medo de debates. Aécio chamou de “fraca” a política econômica petista e desafiou Dilma Rousseff a comparar os atuais números da economia brasileira com os tempos de governo do PSDB. Ele lembrou que o Brasil crescerá 2,5% neste ano, ficando à frente apenas da Venezuela entre os países da América do Sul. “Ao longo do governo da atual presidente, nós crescemos em média um terço do que crescem nossos vizinhos. Eles (PT) colocaram o Brasil no final da fila no que diz respeito à credibilidade e oportunidade de investimentos”, condenou.

“O governo do PT tem uma incapacidade gerencial crônica”. Aécio Neves

Por outro lado, o presidente tucano destacou o PSDB como o partido responsável, entre outras medidas, pela estabilização da moeda brasileira e pela responsabilidade fiscal. “Nós somos, sim, o PSDB das privatizações adequadas, corretas e fundamentais para o crescimento da economia e temos que nos orgulhar muito disso. Eles (o PT), pelo contrário, flexibilizaram os pilares macroeconômicos do País”, disse.

O superfaturamento de obras do governo federal foi outra frente atacada. Aécio Neves citou a transposição do Rio São Franscisco, a qual deveria ter sido entregue em 2010. “Já gastaram mais que os R$ 3 bilhões previstos e ainda não entregaram nada.” Ele criticou ainda as obras da Transnordestina, rodovia orçada inicialmente em cerca de R$ 3,5 bilhões, mas que já absorveu quase R$ 7 bilhões em recursos.

“Podia citar aqui inúmeras obras importantes que não ficaram e não ficarão prontas tão cedo. O governo do PT tem uma incapacidade gerencial crônica. Isso porque não ocupa um governo como deve ser ocupado, por pessoas com experiência em suas áreas. Mas, sim, compactuam com a troca de favores e o inchaço da máquina pública para amarrar partidos aliados.”

 

Paraná

Ao lado do governador Beto Richa, Aécio Neves também criticou a queda de repasses do governo federal ao Paraná. O senador disse que o Estado sofre uma “inaceitável discriminação”, explanando os números do Siafi – sistema integrado de informações do próprio governo federal – que apontam o Paraná como o Estado da região Sul que menos recebe recursos federais.

De acordo com o sistema, os investimentos do PAC no Paraná neste ano somam R$ 547 milhões – ante R$ 1,3 bilhão no Rio Grande do Sul e R$ 1,14 bilhão em Santa Catarina. Apenas 26% desse valor foram empenhados e 7,26% liquidados. Nos demais estados, mais da metade dos investimentos foram empenhados – 62,4% no Rio Grande do Sul e 52% em Santa Catarina.

O governador Beto Richa reiterou que o Siafi demonstra, inequivocamente, a discriminação do governo federal. “Se formos comparar os investimentos per capita, a diferença é ainda mais gritante: recebemos R$ 76 por habitante enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul recebem R$ 238 e R$ 170, respectivamente”, disse Richa, lembrando que o Estado perdeu R$ 1,47 bilhão devido à desoneração de impostos e à diminuição de repasses federais.

Último e principal alvo de Aécio Neves, como não poderia deixar de ser, foram os casos de corrupção no governo petista, encabeçados pelo Mensalão. Para ele, o Palácio do Planalto é cenário de escândalos semanais, por “um governo que estimula a impunidade” em todos os escalões. “Essa última semana pegaram mais um com a boca na botija. Isso acontece todo o tempo e em todas as áreas do governo. Eles desqualificaram o Estado, transformaram as agências reguladoras em instrumentos de articulação política e de elaboração de negócios políticos, como recentemente denunciou a Polícia Federal”, concluiu.

O encontro em Curitiba foi o segundo de uma série de encontros regionais que o PSDB promove pelo Brasil. O primeiro aconteceu em Maceió (AL). Os próximos encontros estão previstos nas capitais de Manaus (AM), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS). No meio deles, Aécio Neves viaja a Nova York para conversar com empresários e investidores. “Está chegando a hora, vamos esquentando os motores, mas com a convicção de que não se trata apenas da busca da vitória de um partido político, mas do resgate do Brasil a todos os brasileiros.”

 

Paraná é Richa, diz Aécio

O encontro de Aécio Neves, senador e presidente nacional, do PSDB, reuniu também, em Curitiba, as lideranças do partido em torno da reeleição do governador Beto Richa no Paraná. “O Paraná é governado por um dos homens mais completos da minha geração. Beto Richa, o seu talento, a sua trajetória política, é fundamental para que o Paraná continue no rumo certo e para nos ajudar a retomar o crescimento do Brasil”, disse Aécio para mais de três mil pessoas que lotaram as dependências do Clube Urca.

“O entusiasmo que vemos no Paraná contagia o Brasil inteiro. Temos uma opção, uma grande alternativa para o País no nome do Aécio Neves – um dos mais articulados políticos do País, tem a tradição da boa política que vem de família. Tenho plena convicção que podemos e vamos vencer as eleições presidenciais no ano que vem”, retribuiu Beto Richa no encontro.

Em Curitiba, Aécio reuniu lideranças tucanas como os senadores Alvaro Dias (PR), Aloysio Nunes (SP) e Paulo Bauer (SC), o ex-governador Leonel Pavan (SC), o ex-deputado Euclides Scalco, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. “Este é o meu reencontro com o PSDB do Paraná e estarei ao lado de Beto Richa para assegurar mais quatro anos de boa governança no Estado”, disse Alvaro Dias. “Estou muito satisfeito com este encontro”, disse Scalco.

 

Discriminação

Aécio criticou a discriminação que Paraná e Santa Catarina vêm sofrendo por parte do governo federal. Além de receber menos recursos que outros estados, o governo paranaense tem tido dificuldades para conseguir autorização federal para captar empréstimos de organismos internacionais, embora tenha situação fiscal melhor que muitos outros estados brasileiros.

“O Paraná sofre uma inaceitável discriminação por parte do governo federal que mostra o caráter pouco republicano da atual presidente da República. O Paraná sozinho produz na agricultura, em grãos, mais que 20 estados somados”, disse Aécio. “No primeiro semestre, não fosse o crescimento do agronegócio, assim como no ano passado, o País teria resultados negativos na economia”, completou.

“Não podemos mais ver o retrocesso do País. O Brasil não aguenta mais. Está na hora de dar um basta a essa discriminação. Nós que nunca perdemos uma eleição para presidente no Paraná, não vamos perder no ano que vem. O Paraná é Aécio Neves”, pontuou Richa.

 

Giba neles

_mg_8093O medalhista olímpico do vôlei Gilberto Amauri Godoy Filho, o Giba, de 36 anos, filiou-se ao PSDB no encontro realizado em Curitiba. Giba disse que acompanha atentamente a política paranaense e nacional. Segundo ele, seu pai trabalhou com José Richa (pai do governador Beto Richa), em Londrina, o que o estimulou a ingressar no PSDB.

“Há muitos projetos já em desenvolvimento e outros que podem ser colocados em prática para estimular o esporte e o vôlei para as crianças e os adolescentes”, disse Giba, que atualmente joga em Taubaté (SP). “Estou sempre em contato com prefeitos, governadores e embaixadores falando sobre isso.”

O atleta afirmou que não tem planos, por enquanto, para lançar-se em uma campanha política, mas considera importante estar vinculado a um partido que possa colocar em prática projetos eficientes. “Fui convidado por vários partidos políticos e de vários estados diferentes. Mas não vejo sentido estar em um local que não seja o Paraná, onde nasci e estão os meus filhos”, comentou.

Beto Richa elogiou a filiação. Segundo ele, o atleta fará a diferença no PSDB por ser “sério, competente e trabalhador”. Richa disse ainda que Giba vai desenvolver ações que estimulem as crianças e os jovens a ter uma vida saudável e vinculada ao esporte.

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