Venha à vontade

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Zico Garcez: A cozinha e alma do lugar

 

O Pachá é um bar, mas não abre aos sábados à noite, se nunca foi, o leitor pode estranhar. Então, digo que para entender a filosofia do lugar é preciso conhecer um pouco mais o seu dono. Vou contar.

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Les Paxá: Inspiração nos bons tempos para criar a casa

Eu não costumo frequentar bares, mas é o bar do Zico. Quer dizer, o nome do lugar nem é esse, como eu disse, é Pachá – uma homenagem à equipe de gincana Les Paxá, com “x”, dos anos 70 do Curitibano, que fez história. Sem Google, a competição exigia muita criatividade, impossível imaginar o certame. As disputas entre as equipes eram acirradas, mas tudo acabava em “paz e amor” nas festas do clube chamadas de “Venha à vontade” – que, pasme, existem até hoje – e as comemorações eram memoráveis, até com namoros entre integrantes de equipes concorrentes, alguns que acabaram em casamento; briga mesmo era com a turma da Saldanha, mas isso é outro assunto, naquela seara tudo era regado a muito charme. Aliás, charme que Zico carregava com galhardia. Usando a linguagem daquela década, um galã. Outros adjetivos também lhe caem bem. Bon vivant e boa gente, sabe cativar e conhece meio mundo. A criação de um blog por um dos integrantes da antiga turma foi a inspiração dele para o bar, que, na verdade, é mais um restaurante bem informal; como já existia outro estabelecimento com o mesmo nome, ele deu um jeitinho, bem ao seu estilo, e pronto, nascia o Pachá, com “ch”, em 2010. Fotos da época estão lá para provar, perto das muitas imagens de santos enfileirados, muita fé? Nem tanto, vale-tudo, afinal, proteção nunca é demais.

Zico inventava modas e continua inventando, com a mesma energia. Em 1996, por exemplo, trouxe à cidade expoentes da gastronomia para cozinhar, naquele tempo, restrito a ambientes exclusivos, pouca gente sabia o que era alta gastronomia. Tinha uma loja, belíssima vale dizer, onde promovia cursos e vendia as cobiçadas panelas Le Creuset, porém, desconhecidas da maioria, entre outros utensílios. Estava à frente do seu tempo, o mercado da gastronomia aqui ainda engatinhava.

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Proteção: Santos, santas e até a bênção de um rabino

Apesar de gostar de cozinhar, ter feito curso no Senac do Rio de Janeiro, época em que a namorada da vez era da cidade, e ter experiências gastronômicas, como o bistrô Poivre Vert que fez fama desde a primeira semana da abertura, parece que Zico Garcez gosta mesmo é de receber os clientes e o faz como se estivesse em casa. Esse é um dos segredos do lugar. Também não para de inventar atrativos. Quem for de bicicleta tem desconto, “até hoje não foi ninguém”, confessa rindo, quem for com amigos e não beber porque é o motorista da vez, dependendo da escolha, não paga a conta, e por aí vai. Nos planos, se fosse “dois”, abriria uma filial na praia, “as pessoas querem que eu esteja sempre aqui”, lamenta, sem arredar o pé do lugar.

Segunda-feira é dia de buscar comida, são inúmeros os pedidos. Camarão na champagne é servido numa mesa e na outra os clientes podem estar comendo rabada com agrião, bolinho de arroz, dobradinha com feijão branco e língua com ervilha, que fazem sucesso, com justiça, bem como a pimenta que pode ser recheada com crocante de camarão, linguiça Blumenau ou carne moída, além de outras porções tradicionais de boteco. De terça a quinta-feira, durante o inverno, é dia de rodízio de “escondidinhos”: bacalhau, carne seca, linguiça Blumenau e camarão. Com a linguiça bêbada na cerveja sul-americana, participou do desafio do melhor happy hour de Curitiba, e um pedido de uma amiga para festejar o aniversário virou o prato do almoço de sábado, feijoada, assim caminha o cardápio. Conversar com ele é difícil, se não estiver ao telefone, está falando com um cliente, testando uma receita nova ou cuidando da saída dos pratos. Usa as redes sociais – criou o prato do dia e já tem uma legião de seguidores eletrônicos –, alimentando com as atrações da casa a extensa lista de amigos, que costumam levar bronca se passam muito tempo sem dar as caras. Zico quer todo mundo lá. “Venha à vontade” que será bem recebido e não é um convite apenas para os amigos.

 

Serviço
Bar do Pachá
Rua Cláudio Manoel da Costa, 548 – Bom Retiro
Telefone (41) 3044-4480

 

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