Missão: descoberta do avião

aviao4

Depois de muito investigar e raciocinar, descobri algo surpreendente.
Desculpem-me os brasileiros, americanos e outros fanfarrões aéreos, mas quem inventou o avião foi um italiano. Não tenho mais dúvidas. Vou tentar mostrar para vocês algumas das minhas conclusões.
Primeiro vou usar o método científico da exclusão.
Brasileiro não foi.
Teriam se matado antes de chegar até o aeroclube. Se não fosse de acidente de automóvel, seria um tiroteio básico qualquer.

O governo se intrometeria e daria o nome de projeto X, o qual seria adiado indefinidamente. Além disso, as verbas para o projeto teriam sido desviadas e o que sobrasse mal daria para fazer um modelo em escala 1:72. O julgamento dos acusados pela fraude estaria acontecendo até hoje e provavelmente o único culpado seria um tal de Alberto S. Dumont. Deduzi isso porque a história do suicídio foi mal contada. Para mim foi queima de arquivo. Mas aí e outro caso que é melhor nem mexer.

Até perguntei para um sujeito lá no morro se ele conhecia o “avião”. Deu maior problema. Chegaram uns caras armados me pressionando para dizer por que eu queria saber e tal… Foi tenso. Tive que interromper a pesquisa com os brasileiros.
Americanos também não voaram coisa nenhuma.

Só por se chamarem Wright, todos pensam que eles estavam certos. Ali já começou um problema com o nível de inglês dos outros pilotos. Confundem “Wright” com “right”. Erro de tradução prejudicado mais ainda pela fonia fora de padrão. Traduziram que os irmãos “Certos” inventaram o avião. Coisa de manicaca (piloto ruim) em inglês.
Também não faz sentido alguém que compra tudo o que quer, criar alguma coisa. Dá muito trabalho. E se fazer o avião fosse alguma coisa realmente importante, eles inventavam uma guerra e pronto. Descobririam o avião na base da força bruta e ainda mentiriam no jornal. Simples lógica.
Americans… No way…
Francês é muito esnobe para viver no meio aeronáutico. Não se dariam bem com aquele bando de pilotos mal educados, que não pensam em mais nada que não seja voar. Sabem quando eles iriam guardar grana para hora de voo em vez de comprar um vinho de boa safra? Jamais!

Outro fator decisivo é que eles falam inglês muito mal e não passariam na prova de suficiência da International Civil Aviation Organization – ICAO. Ou seja, francês… nem pensar.
Agora vou explicar por que foram os italianos.

A primeira prova é que se alguém consegue dirigir em Roma, consegue fazer qualquer coisa com uma máquina nas mãos. Sem torre e nem plano de voo, os caras conseguem trafegar naquela bagunça infernal. Só uma cabeça preparada para tráfego aéreo é capaz disso.
Do Leonardo Da Vinci eu não vou nem falar porque é óbvio demais. Só não solou por que o Certificado de Capacidade Física devia estar vencido.

Segunda prova: só um país que teve dois caras como o comendador Ferrari e o Lamborghini conseguiria inventar algo tão bonito como um avião. Um povo que sabe fazer máquinas maravilhosas e que aprecia arte certamente se interessou também por construção aeronáutica. E, ao contrário dos franceses, não tem frescura em se sujar de graxa e praguejar quando não dá para decolar.

Terceira e mais importante constatação: para inventar o avião era necessário saber falar com as mãos. É inconcebível imaginar alguém falar sobre aviação sem colocar as mãos lado a lado e fazer movimentos enquanto conta alguma coisa ou ensina sobre suas manobras. Não posso imaginar um aeroclube sem ver todos gesticulando e falando com as mãos. E isso é a linguagem oficial da Itália e dos aviadores.

Já estou até vendo a imagem em minha mente. Um baixinho de chapéu extravagante, puxando um manche imaginário e esticando a palma da mão no ângulo de ataque correto para a decolagem enquanto a mão esquerda acelera. Os braços abertos prevendo o voo nivelado e se equilibrando delicadamente para evitar o catrapo (pouso ruim) e por fim sair nos braços da multidão em delírio.

Enfim… Acho que ficou evidente que o inventor era italiano mesmo.
Investiguei coisas muito sérias com essa pesquisa e vou precisar de muita determinação para continuar. A pressão internacional é forte. Todos querem levar o crédito de ter inventado a máquina dos sonhos. Ainda bem que conto com a proteção do santo que sou devoto.
Enquanto não termino o trabalho, saio para voar. Mas antes de empurrar o manete de potência dou um beijo na medalhinha do meu padroeiro e penso:
“Me cuida… Santo Dumontte”

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *