Bondade natalina

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Quero pedir licença para bater um papo. Como se estivéssemos em um balcão de bar.
Vamos pensar um pouco. Estamos em dezembro e uma bondade imensa e inexplicável envolve as pessoas. Em um primeiro momento são feitos planos para quitar dívidas e investir o décimo terceiro. Este ímpeto dura pouco. Desanda.

Começam as festas de final de ano e amigos secretos. Jantares de comidas gordurosas, bebedeira e aqueles presentes odiosos. Muitas vezes dá para conceituar como vindos de inimigos íntimos. Já ganhei um creme vencido e um disco de músicas natalinas. Quem me conhece minimamente ou lê minhas crônicas deve imaginar que não consigo disfarçar minhas emoções. Imaginem a cara que eu fiz para o creme. Tinha até selinho amarelado de Boas Festas. Portanto, pode ter sido ganho em anos anteriores. A criatura ganhou e não gostou. O tal disquinho deveria ter sido lançado para a terra do nunca. Na boa, acho insuportável esta série de obrigações de final de ano.

E as tais caixinhas e agrados? Outra chatice. Fica a caixinha forrada com papel de presente próxima aos caixas. Indireta em verde e vermelho. Um constrangimento desgraçado. No estacionamento? Nem a pau Juvenal! Finjo que não vejo. Ignoro! Não é possível.

Sou presenteira o ano todo. Por prazer mesmo. Gosto de comprar o que combina com as pessoas. Sem datas ou motivos especiais. Que fique claro que me refiro às pessoas que gosto. Quando não gosto, não consigo imaginar nada e não dou e pronto. Nesta época construo listas de presentes. Começo animada. Coloco dezenas de pessoas. Daí analiso preços, presentes, custos, benefícios e principalmente as pessoas. A lista lentamente vai diminuindo. Primeiro vão embora os que nunca agradecem os presentes que dou. Isso me irrita à milésima potência. Depois os que durante o ano fizeram qualquer desaforo. Por menor que fosse. Sigo em frente e elimino os difíceis de agradar. Ufa! Finalmente as pessoas cabem na contagem dos dedos das mãos. Natal megaeconômico. Como não festejo a data, nem no dia 24 e nem no dia 25, arrisco a dizer que meu réveillon sempre é bem servido. Com direito a comemoração no horário de verão e no normal. Meia-noite e uma hora depois. Com dois brindes, nova ceia e simpatias. Não é por falta disso que terei um ano magro.
Pelo menos existe a vantagem que ainda não é comum presentear os animais domésticos.

Embora tenha observado uma leve pressão dos pet shops. Mas em dezembro, pelo menos em dezembro, crianças são lembradas. As pobres ou as que estão em abrigos. Quem sou eu para criticar a boa ação natalina? Se faz bem para quem dá e alivia a culpa do consumismo supérfluo, sou a favor. Faço isso o ano todo. Ninguém imagina o quanto faço porque certamente só interessa a mim. Me faz feliz. Penso que até não tenho estrutura para ir ao local entregar. Quem sabe um dia vou. A famosa qualquer hora.

Não convidei você para esta conversa para detonar o natal, os costumes, as crenças, religiões e culturas. É só para não sair no automático repetindo compulsivamente coisas que não têm explicações óbvias e concretas.

Feliz ano novo. Sejam felizes e tenham muita saúde. Pretendo ter um delicioso 2014. Desejo sinceramente um ano saboroso para cada um de vocês.

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