Música erudita. Ed. 146

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Paulo Szot

Bach, para a alegria dos homens

Márcia Campos

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Johann Sebastian Bach, nascido em Eisenach, Alemanha, é, sem dúvida, um dos maiores nomes da música erudita. Se há uma música que deve chegar às esferas superiores do orbe, certamente foi composta por ele. Escrever sobre Bach é ter que fazer reverência, um minuto de silêncio, respirar fundo e buscar na inspiração as melhores palavras para descrever esse compositor genial, afinal, estamos falando do maior compositor barroco e mestre da música sacra e profana.

Para a Ideias, edição de dezembro, época de Natal, renascimento, nada melhor do que relembrar uma das mais notáveis composições de Bach, um presente para a humanidade chamado Jesus Alegria dos Homens – Her und Mund Tat und Leben (BWV 147). Soberba!
Bach, homem de profunda religiosidade, luterano convicto, temente a Deus, buscou a perfeição em suas composições, pois Deus é perfeição. Para alguns, orar é falar diretamente com Deus, Bach fez mais: orou de forma esplendorosa com suas composições, capazes de nos remeter a patamares transcendentais e a uma profunda reflexão.

E, se para o compositor, Jesus era a resposta aos anseios de felicidade dos homens, Bach tornou-se, pelo menos para mim, resposta às urgências musicais que o momento necessita. Reflexão, alegria, celebração, inspiração e tantas outras emoções.
Apenas dois trechos do Coral da peça Jesus Alegria dos Homens são suficientes para favorecer a compreensão do nível de religiosidade a que Bach estava imerso:

Bem-aventurado sou, porque tenho Jesus.
Oh, quão firmemente eu o seguro,
Para que traga refrigério ao meu coração,
Quando estou triste e abatido.
Eu tenho Jesus, que me ama e se confia a mim.
Ah! Por isso não o deixarei,
Mesmo que meu coração se quebre.

Jesus continua sendo minha alegria,
O conforto e a seiva do meu coração
Jesus refreia a minha tristeza,
Ele é a força da minha vida
É o deleite e o sol dos meus olhos,
O tesouro e a grande felicidade da minha alma,
Por isso, eu não deixarei ir Jesus
Do meu coração e da minha presença.

Grande e profundo são adjetivos que correspondem perfeitamente às características intrínsecas a esse compositor, tanto que Ludwig Van Beethoven, outro gênio da música erudita, assim o descreveu: “Bach (riacho, em alemão) deveria se chamar Ozean (oceano) e não Bach!”

Ouvir Jesus Alegria dos Homens, mais do que adentrar o universo místico de Bach, é entrar em comunhão com o Divino. Quem beber dessa fonte, jamais terá sede!

Paulo Szot

Vito Ferrara

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Paulo Szot, o barítono brasileiro que faz sucesso nos palcos mais importantes do mundo, foi o primeiro nativo a ser aceito no programa de jovens artistas da Royal Opera House. Desde 2001, mais de 300 artistas participam da seleção, que tem apenas cinco aprovados, entre cantores, regentes e diretores. Em geral, são jovens com pelo menos dez anos de estudo e de experiência.

Um grande exemplo de sucesso na carreira para qualquer cantor lírico jovem, Paulo Szot, que há dez anos optou por morar nos Estados Unidos, além de já ter se apresentado nas mais importantes casas de ópera do mundo, tem no currículo prêmios como o Tony Awards e o Drama Desk. Apesar das diferenças entre os estilos de um musical da Broadway e de uma ópera, ele acredita que a versatilidade é um diferencial.

“As pessoas estão tentando ser mais versáteis para fazer vários estilos da melhor maneira possível. Isso só vem com muito estudo e aperfeiçoamento da técnica”, avalia Szot.
Ele conta que o sucesso nos mais prestigiados palcos do mundo não fazia parte de seus sonhos. “Os brasileiros nem têm esse tipo de sonho, porque é tão longe da nossa realidade. Procuro viver cada concerto, fazer a música de uma forma cada vez melhor, com mais seriedade. Procuro ouvir o público, respeitar estar no palco. Ficaria muito feliz se pudesse manter minha carreira nesses teatros pelo mundo por muitos anos”, afirma.

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