O olho de Sato vê Niemeyer

01-capa-146-ensaio

Em maio de 2012, número 127, a Ideias publicou o brilhante trabalho de Jorge Sato, fotógrafo paulistano. Naquele Ensaio Fotográfico, selecionei o que fora feito com as câmeras Lomo, sobreviventes da antiga União Soviética, hoje com grande aceitação pelos fotógrafos do mundo inteiro. Escrevi um texto onde apresentei suas fotografias feitas com a Lomo e dei o título de “Um clique de Lomo jamais abolirá o acaso”. Ali comentei o novo enfoque criativo que essa câmera proporciona ao agregar a instabilidade, o acaso, o inesperado, à captura das imagens.

Para este número, Sato colocou à disposição muitas fotografias entre seus vários ensaios. A escolha foi dificílima. Optei pelo seu olhar sobre a obra de Oscar Niemeyer, The Wonders of Niemeyer em seu site. O olhar sensível, certeiro, de Sato, a ver a grande obra, curvilínea, sensual, escultural do mestre da arquitetura brasileira e mundial. Falar sobre Oscar Niemeyer (1907-2012) é falar sobre a arquitetura moderna do século XX e início do século XXI. É, ao lado de Le Corbusier, Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto, Walter Gropius, Ludwig Mies van der Rohe, entre outros, um dos grandes arquitetos que marcaram a moderna arquitetura contemporânea. De Niemeyer, o construtor de linhas: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas de meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”.

As fotografias que Jorge Sato fez das diversas obras de Oscar Niemeyer mostram a percepção que tem da construção, do volume, da perspectiva, do desenho, das curvas do grande artista. O resultado é um encontro de dois artistas: o da obra já projetada, construída, acabada, sendo utilizada, e a do olhar penetrante que constrói, pela escolha dos enquadramentos, do aproveitamento da luz, da seleção da perspectiva, uma visão original e extremamente criativa das obras de Niemeyer.

Para essas fotografias Sato escolheu câmeras mais “conservadoras” que as Lomos. Usou Rolleiflex, Yashica D e Yashica Mat, todas TLR (twin lens reflex), com filme 120.
É com enorme prazer que publicamos mais um ensaio fotográfico de Jorge Sato. E temos a certeza que esse artista nos revelará grandes surpresas dentro em breve. Bom proveito.

 

 

niemeyer01

 

 

niemeyer02

 

 

niemeyer03

 

 

niemeyer04

 

 

niemeyer05

 

 

niemeyer06

 

 

niemeyer07

 

 

niemeyer08

 

 

niemeyer09

 

 

niemeyer10

 

 

niemeyer11

 

 

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *