Cinema. Ed. 147

jasmine

Cena do filme Blue Jasmine

Blue Jasmine

Ângela Chiarotti

woody-allen_2324414b

Há controvérsias, mas a maioria absoluta das pessoas que assistiram Blue Jasmine afirmam que este é o melhor filme de Woody Allen em muito tempo. Não sei, ainda sou fã incondicional de A era do rádio, o mais fellinesco dos filmes de Allen. Contra o nariz torcido de especialistas, diverti-me e muito com Meia-Noite em Paris. Mas vamos lá. Pode-se dizer, sem dúvida, que Blue Jasmine é o acontecimento cinematográfico do ano. O título é o nome da personagem de Cate Blanchett, que está maravilhosa. Blue Jasmine é da seara de Hannah e Suas Irmãs, Crimes e Pecados. Cate faz a mulher cujo marido quebrou, financeira e moralmente. Socialite, acostumada ao bom e ao melhor de Nova York, ela busca refúgio na casa da irmã, em San Francisco. A irmã – Ginger – é  interpretada por Sally Hawkins. Ginger é simplória, tem um namorado grosseiro . Ela acusa a irmã de sempre se haver contentado com pouco. Jasmine é assim. Chega para tensionar, dividir. Cria um mal-estar tão grande que a solução é lhe apontar a porta da rua.

Woody Allen constrói seu filme na oposição – de personagens e ambientes. Alec Baldwin, o ex de Jasmine, é o contraponto perfeito de Bobby Cannavale, Chili, o atual de Ginger. Por pressão da irmã, Ginger arrisca-se a perder um amor sincero por uma relação duvidosa. A antinomia aplica-se às irmãs. Cate, como Jasmine, é absolutamente frenética. Passa o filme à beira de um ataque de nervos, expondo suas carências, mas sempre sem perder a pose.

Embora sem um tostão no bolso, e vivendo de favor com a irmã, desembarca em San Francisco viajando de primeira classe – porque é o que os ricos fazem. É o problema de Cate/Jasmine – ela não consegue ser feliz, simplesmente. O segredo de Blue Jasmine é que Woody Allen volta à densidade da sua grande fase – Dostoievski, Crime e Castigo, etc. –, mas com a leveza da fase recente. Seu novo filme é um dos acontecimentos do ano.

Blue Jasmine
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Duração: 98 minutos
Música composta por: Christopher Lennertz

A discutível recuperação do cinema nacional

Diogo Cão

Somos-Jovens

Ora, pois, quem diria? O cinema nacional vai fechar 2013 com 115 filmes lançados. É um número a que não se chega desde a chamada retomada, há duas décadas – a média em geral fica em 80 títulos anuais. O resultado se credita não só a blockbusters, como Minha Mãe é Uma Peça (com 4,5 milhões de espectadores) e Vai Que Dá Certo (2,7 milhões), mas também aos chamados filmes médios, com público entre 100 mil e 500 mil pessoas, caso de A Busca (351 mil) e Cine Holliúdy (450 mil).

A porção do mercado alcançada pelas produções brasileiras está em 18,8%, quando no mesmo período de 2012 era de 8% (o ano acabou fechando com 10,6% de market share). A renda superou R$ 240 milhões, ou seja, mais do que dobrou em relação ao ano passado, computada em R$ 100 milhões.

“É um ano de consolidação do cinema brasileiro. Caso não aconteça nada de grave, esse cenário tende a permanecer e mesmo crescer”, analisa Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B, portal especializado no mercado de cinema no Brasil, que compilou os dados.
Dos oito longas nacionais mais vistos do ano, cinco são comédias – encabeçadas por De Pernas Pro Ar 2, que estreou em dezembro de 2012 e foi assistida por 4,7 milhões de pessoas.

A forte presença dos novos nomes do humor, como Paulo Gustavo, Fábio Porchat, Gregório Duvivier e Bruno Mazzeo, nas telas da TV e do computador e também nos teatros, indica que ainda há sucessos por vir.

“Não acho que 2013 seja um ano atípico. O ingresso da classe C foi determinante. O público está cada vez mais receptivo ao cinema brasileiro, em especial às comédias. Mas acho que daqui a pouco isso acaba, porque é algo muito limitado. Cinema é muito mais do que comédia, no mundo todo a comédia é só mais um gênero”, analisa Antonio Carlos Fontoura.
Diretor de Somos Tão Jovens, Fontoura furou o bloco do riso e chegou em quinto lugar no ranking, com 1,7 milhão de ingressos vendidos, na frente de Faroeste Caboclo (1,5 milhão). Ele mesmo trabalha no momento numa comédia: está começando a captar para Radical Chic, versão cinematográfica do personagem de Miguel Paiva.

Leia mais

Deixe uma resposta