Então é natal

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Ah, o natal. Convenhamos, não há coisa mais cafona. A não ser, talvez, a palavra cafona, que é cafonérrima. A época é recheada de frutas secas e pieguice. Natal de luz, natal do amor, natal da paz e amizade.

A esta época, as caixas de correio já estão repletas de cartões natalinos das Casas Pernambucanas e coisa que o valha. Os dizeres parecem saídos de boca de miss. Pedem saúde e alegria, até paz mundial. Tudo muito vazio e repetitivo.

Repetem-se as músicas, os enfeites da árvore e a comida. Quem viu um natal, viu todos. Ouviu Simone até perder os tímpanos, pisou em enfeite quebrado, irritou-se com o amigo secreto da firma e comeu peru até dizer chega.

Você aí do outro lado, eivado de espírito natalino, mantenha também o esportivo, porque não parei por aqui. Este ano estou de maus bofes com Papai Noel, aquele vigarista explorador de anões e renas.

É que tudo é demasiado cansativo em dezembro. As lojas estão cheias de produtos e pessoas. Minto. Pessoas não, consumidores, que é gente da pior espécie. Acotovelam-se pelos caixas em busca das melhores pechinchas, todas propagandeadas com barbas falsas e votos requentados.

E já não tenho paciência para mais um coral infantil do bate-o-sino. Pequenino, mas barulhento. Depois não há quem tire o rame-rame natalino da cabeça.
E nem do estômago. Não sou de recusar pernil em época nenhuma do ano, mas até a comida de natal é cafona. Meus argumentos em apenas três palavras: fios de ovos. Há comida mais cafona que fios de ovos? E aqueles pratos adornados com frutas em calda que eram moda em 1916? Voltam todos os anos para assombrar as mesas natalinas.

O que dizer da obrigatoriedade do peru? Há quem pense que o Papai Noel é a maior mentira do natal. Não é. A dura e seca verdade que tentam encobrir, por pura conspiração, é que ninguém gosta de peru. Ninguém. Fosse bom, não era recomendado em dietas. Haja tempero.

Aliás, o que irrita no natal é a obrigatoriedade de tudo. De comprar presente, de ir ao shopping na pior época do ano, de enfeitar a casa, de assar peru, de ver fulano ou sicrano, de festa. Festa compulsória.
Tão chato quanto eu e meu mau humor de fim de ano. Vou comer um panetone para ver se passa.

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