Mulheres de sessenta

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Segundo pesquisa, o Brasil tem hoje uma população acima dos cinquenta anos maior que a de crianças até quatro anos. Entendo sermos então uma nação predominantemente de terceira idade, termo no mínimo inadequado, na minha opinião, já que não conheço critérios que classifiquem a quarta ou a quinta.

Essa geração vem se adaptando a muitas mudanças tecnológicas, científicas, sociais e se saindo muito bem, embora para alguém de sessenta ou setenta anos seja bem mais difícil lidar com as redes sociais, por exemplo, do que uma criança de sete anos. Dessa geração de sessentões, imagino que a maioria seja de mulheres, e uma das razões é que era comum os homens morrerem mais cedo, pelo estresse e responsabilidade que tinham sozinhos pela manutenção da família.

Com a viuvez as mulheres se sentiam livres e sem culpa, pois na maioria das vezes casavam-se para se libertar da casa e da austeridade dos pais e acabavam entrando em outra armadilha que era o casamento e se vendo novamente sem condições de escolher seus próprios caminhos.

Hoje a mulher disputa freneticamente a igualdade com os homens principalmente no mercado de trabalho, levando-as a jornadas duplas e triplas em postos de comandos de todas as áreas e paralelamente continuam vivendo como antigamente, parindo suas crias como há cinquenta anos, andando feito cangurus durante nove meses, ferindo seus seios para amamentar e ganhando peso e estrias.

Daí essa mesma pesquisa cita que as mulheres estão tendo menos ou nenhum filho, o que me parece também um retrocesso. Talvez avanço mesmo seja quando elas puderem comprar seus bebês nas lojas, escolhendo cor, sexo e tamanho, continuando magrinhas, malhando e fazendo sexo com homens mais velhos ou mais novos, cardíacos ou não.

Mas será que se faz tanto sexo como se fala nele? Tenho ouvido bastante que as pessoas estão empenhando suas energias ganhas nas academias na disputa pelo poder. A sociedade moderna cobra o carro do ano, viagens internacionais e filhos estudando em escolas pagas, e estes custos são divididos igualmente entre os casais. Bem, no caso das mulheres da tal terceira idade, não existe mais esses esforços nem questionamentos, já que a maioria está com a situação econômica bem ou mal resolvida, não disputa mais mercado de trabalho, até porque não são aceitas, e continuam ou começam a cuidar de si mesmas nas academias, salões de beleza e agências de viagem. Estão plenas de saúde e de bem com a vida, com tempo sobrando, mas no quesito relacionamento estão no ostracismo. Para cada mulher de sessenta existem duas de trinta ou quarenta disputando um homem de sessenta. Impossível a competição, no mínimo desigual. Os homens que restaram nessa faixa etária e estão em condições de ter uma vida sexual razoável preferem as mais jovens.

Existe uma máxima que diz que o interesse delas é pelo dinheiro, não creio que seja só isso, mas não se pode negar que os mais velhos possuem estabilidade profissional, financeira e também emocional e psicológica, podendo dar uma segurança maior às parceiras.

Quanto às mulheres sessentonas saudáveis, a dificuldade em encontrar parceiros fica ainda maior porque a parcela de homens mais jovens que gosta de mulheres maduras não é tão grande como o contrário. Por sua vez, a sociedade execra as vovós que têm coragem de exibir seus namorados jovens. Isso é preconceito? Prefiro achar que é medo, porque ainda não estamos acostumadas a exercer nossos direitos de mulheres livres e emancipadas. A manifestação de repúdio vem mais forte por parte das próprias mulheres, mas também pela família, que continua afirmando que a mãe ou avó está alimentando um gigolô.
Acredito mesmo que a sociedade ainda não se apercebeu das mudanças que acontecem de todos os lados e que tudo tem um preço.

Se até hoje assistimos passivas os homens se deleitando com um leque de opções bem maior que o das mulheres, já que acontece um verdadeiro vale tudo na hora de se conquistar um homem, já está passando da hora de aceitarmos também essas lindas coroas desfilando com seus lulus jovenzinhos. A experiência pode ser muito boa, mas será que as mais românticas querem isso? Será que elas não preferem aquele modelo tradicional de homens um pouquinho só mais velhos? Porque também é gostoso você conversar com alguém que sabe do que você está falando, aquele que viveu os anos dourados, que passou pela ditadura militar, que viu nascer a Bossa nova, que fazia serenatas sob a janela da amada e a levava ao cinema para poder beijar no escuro. Para aquelas que não mantiveram seus parceiros originais, resta a esperança de que tão rapidamente como aconteceram essas mudanças radicais na sociedade nos últimos trinta anos, logo possam também ter seus encantos físicos e intelectuais reconhecidos e possam sem culpas desfrutar de uma bela idade, que lhes dá o direito inclusive de saber fazer melhor suas escolhas.

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