Música Erudita. Ed. 147

Capa_Bernstein

Leonard Bernstein, um maestro inspirado

Márcia Campos

Lenço na lapela, a escolha varia entre o vermelho e o branco. Mão direita segurando a batuta, definindo compassos e a velocidade com que a música deve ser tocada. Com a esquerda, não por acaso do lado do coração, o sentimento que deve ser impresso. O corpo acompanha o movimento da mão esquerda, com vigor, entusiasmo, alegria. Olhos muitas vezes fechados, sentindo a música e passando as instruções aos músicos.

A narrativa é para descrever Leonard Bernstein (1918-1990), pianista, compositor americano. Como maestro, inspirado. Regente da Filarmônica de Nova York, gravou, pelos idos de 1970, as sinfonias de Beethoven, Brahms e Schumann. Os desafios de reger grandes compositores foram superados um a um e Bernstein gravou nos anos de 1980 as sinfonias nº 1, nº 2, nº 4, nº 9 de Mahler – seu compositor predileto. E elas ganharam “vida”. Arrisco-me a dizer que foram as melhores interpretações que já ouvi. “Repaginado”, Mahler – para poucos – correu o mundo. Confirmação explícita de que os semelhantes se atraem, numa mútua compreensão, gênios, incompreendidos, inclusive na questão sexual. Mas deixemos isso de lado.

Lenny, como era carinhosamente chamado, compôs para um dos musicais de maior sucesso na história americana: West Side History, aqui traduzido como Amor, Sublime Amor. Vale a pena ver o filme e prestar atenção à trilha sonora.

Mas nosso foco é o maestro e sua principal característica, a enorme sensibilidade com a música e a forma de passar esta mesma sensibilidade aos músicos da orquestra. E isso não é tarefa das mais fáceis. Para o célebre compositor alemão Richard Wagner (1813-1883), “a regência resume-se em duas funções: saber onde está a melodia e dar à orquestra o andamento justo”.

Bernstein, sensível, mas igualmente mordaz, com autoestima elevada, beirando às vezes à soberba, briguento, dizia que “uma nota, se é a nota certa, pode inspirar uma composição inteira” e que “o caminho para o coração de uma pessoa é através da melodia”.

O maestro, que se envolve na música, em seus acordes, suas notas, semínimas, que compreende a dificuldade de interpretar a intenção do compositor, o que sentia, o que pensava, o que queria passar ao público ouvinte, traduziu tudo isso de forma esplêndida e nos deixou um legado, belíssimas gravações e interpretações, dos melhores, dos maiores.
Entrou para a história da música erudita como um dos maiores maestros, aquele capaz de proferir: “Estamos [compositores são] sempre à procura de Deus, e nós temos as ferramentas para encontrá-lo.”.
A boa música é isso, canal direto para o transcendental.

A grande música barroca

Vito Ferrara

A palavra “Barroco” é provavelmente de origem portuguesa, significando pérola ou joia no formato irregular. De início era usada para designar o estilo de arquitetura e da arte do século XVII, caracterizado pelo excesso de ornamentos.

Mais tarde, o termo passou a ser empregado pelos músicos para indicar o período da história da música que vai do aparecimento da ópera e do oratório até a morte de J. S. Bach.
A música barroca é geralmente exuberante: ritmos enérgicos, melodias com muitos ornamentos, contrastes de timbres instrumentais e de sonoridades fortes com suaves.

 

Música vocal

Orfeu, do compositor Montiverdi (1567-1643), escrita no ano de 1607, é a primeira grande ópera. Ópera é uma peça teatral em que os papéis são cantados ao invés de falados. A ópera de Montiverdi possuía uma orquestra formada por 40 instrumentos variados, inclusive com violinos, que começavam a tomar o lugar das violas.
Alessandro Scarlatti (1660-1725) foi o mais popular compositor italiano de óperas. Na França os principais compositores de óperas foram Lully (1632-1687) e Rameau (1683-1764). Nascido na mesma época da ópera, o gênero Oratório é outra importante forma de música vocal barroca. O oratório é um tipo de ópera com histórias tiradas da Bíblia.
Com o passar do tempo os oratórios deixaram de ser representados e passaram a ser apenas cantados. Os mais famosos oratórios são os do compositor alemão Haendel (1685-1759), do início do século XVIII: Israel no Egito, Sansão e o famoso Messias. As Cantatas são oratórios em miniaturas e eram apresentados nas missas.

 

Música instrumental

Durante o período barroco, a música instrumental passou a ter importância igual à da música vocal. A orquestra passou a tomar forma. No início a palavra ‘orquestra’ era usada para designar um conjunto formado ao acaso, com os instrumentos disponíveis no momento. Mas no século XVII, o aperfeiçoamento dos instrumentos de cordas, principalmente os violinos, fez com que a seção de cordas se tornasse uma unidade independente. Os violinos passaram a ser o centro da orquestra, à qual os compositores acrescentavam outros instrumentos: flautas, fagotes, trompas, trompetes e tímpanos. Um traço constante nas orquestras barrocas, porém, era a presença do cravo ou órgão como contínuo, fazendo o baixo e preenchendo a harmonia. Novas formas de composição foram criadas, como a fuga, a sonata, a suíte e o concerto.

 

Principais compositores barrocos

A. Corelli (1653-1713)
A. Scarlatti (1660-1755)
A. Vivaldi (1678-1741)
D. Scarlatti (1685-1757)
J. S. Bach (1685-1750)
G. F. Haendel (1685-1759)

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