O rei da festa

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Um bom e autêntico espumante, aquele nascido nos dourados vinhedos da região de Champagne, tornou-se o clássico indiscutível em brindes de fim de ano. Nenhuma outra bebida é tão viva e estimulante. Nenhuma se encaixa tão bem no clima alegre e esperançoso que todos buscam fazer valer. Qual o melhor? A variedade é imensa. Cada casa produtora busca um estilo e o mantém. A decisão fica então por conta do gosto do freguês, um direito que deve ser exercido sem constrangimentos. Como sempre dizia o professor Emile Peynaud, uma lenda na enologia francesa, “o melhor vinho é aquele que lhe dá prazer”. E de fato é por aí.

Muitos países fazem vinhos espumantes. Chamam-se cavas na Espanha, proseccos na Itália, sparkling wines na Austrália e Estados Unidos, ou espumantes mesmo no Brasil e Portugal. Os nossos, provenientes da Serra Gaúcha, são estupendos, e ficam ainda melhores pelo preço acessível, mas, como todos os outros, têm de render homenagens à indiscutível majestade do champanhe. Trata-se, afinal, do precursor da espécie, criado em fins do século XVII pelos monges da Abadia de Hautvillers, na província francesa que emprestou seu nome à bebida. O lugar fica próximo a Paris e tem a cidade de Reims como epicentro. A produção anual gira em torno de 370 milhões de garrafas. Prevalece a pequeníssima propriedade, com a imensa maioria dos viticultores, mais de 19 mil, vendendo suas uvas às grandes casas, em número não superior a 200, que possuem, além de vinhedos próprios, as instalações para a produção e engarrafamento.

O Brasil consome em quantidades razoáveis. Aprecio muito o Bollinger. A casa tem por tradição aumentar na mescla a proporção da uva tinta Pinot Noir, atribuindo maior corpo e concentração ao vinho. Inconfundíveis os aromas de torrefação, pão recém-saído do forno, manteiga derretida. Também o Philiponnat e o Jacquesson Cuvée 732 vão por aí, dando ênfase à Pinot. Focados, consistentes, são champanhes que fazem bonito à mesa, a exemplo de marcas como Krug e Jacques Selosse, feitas de vinhos longamente envelhecidos em tonéis de carvalho. Champanhes de safras antigas como essas não são unanimidade, em razão dos aromas oxidados, o sabor ligeiramente acre, picante. Uns idolatram, outros detestam. Ficaram na memória aquelas costeletas de cordeiro ao forno, escoltadas por um Selosse Substance no esplendor da terceira idade.

Os champanhes mais leves, refrescantes, têm, contudo, a preferência dos que habitam nestes trópicos. Merecedores do rótulo de arroz de festa são o Veuve Clicquot, o Taittinger e o Moët & Chandon, sem contar o Deutz e o Ayala, mais recentes no País, porém ganhando terreno. Nas versões básicas, não safradas, oferecem bolhinhas finas, mousse cremosa, persistente, os aromas típicos de leveduras, maçã verde, pão torrado, minerais no paladar. Estão por todas as prateleiras, inclusive supermercados. Não tão comuns, mas excelentes, o Henriot, o Pol Roger, o Pommery e o Billecart-Salmon. E para ocasiões muito, muitíssimo especiais, um Dom Perignon 1996, um Louis Roederer Cristal 2002 ou um Perrier Jouët Belle Epoque 2004. No caso deste último, só a beleza da garrafa já vale.

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