Prateleira. Ed. 147

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Ondjaki. Foto: Divulgação

Ondjaki vence o Prêmio Saramago

O angolano radicado no Rio de Janeiro Ondjaki (1977) é o vencedor do Prêmio José Saramago 2013 com o romance Os Transparentes (Companhia das Letras). O livro é situado em Luanda, cidade natal do autor, e traça um painel de um país em transição. Ondjaki é autor, também, de obras infantis e juvenis.
O Saramago, que já foi vencido pela brasileira Andrea Del Fuego, dá 25.000 euros ao ganhador (mais de 77.000 reais).

Biografia de Tolstói

Envolvente como um romance épico, uma nova biografia do escritor russo Liev Tolstói mostra o artista dividido entre as glórias mundanas e as aspirações do espírito

livro-TolstoiQuando estava na casa dos 70 anos, o russo Liev Tolstói (1828-1910) costumava surpreender gente com metade da sua idade, que não conseguia acompanhá-lo em uma caminhada pela neve. Esse hábito diário era exercitado no ar límpido da manhã e na enregelante escuridão noturna, mas nunca em caminhos livres do gelo das nevascas: o escritor preferia enfrentar as trilhas tortuosas e selvagens ou os campos abertos, onde os pés mergulhavam até os tornozelos na brancura gélida.

A passagem, logo no início de Tolstói, a Biografia, de Rosamund Bartlett (tradução de Renato Marques; Biblioteca azul; 640 páginas; 69,90 reais), deixa claro que quem desejasse seguir seus passos (três obras-primas da literatura, milhares de exemplares vendidos e mais milhares de seguidores de seus ideais cristãos pacifistas em todo o mundo, além de dez filhos) precisaria de muito mais do que simples disposição física.

É a maneira de a biógrafa frisar, desde o princípio, sua tese de que o sobre-humano Liev Nikoláievitch Tolstói viveu “uma vida russa” — o subtítulo original do livro em inglês —, “revelando tanto o dionisismo natural quanto o ascetismo cristão”.

Especialista em literatura russa (ela também escreveu uma festejada biografia de Anton Tchekov), a inglesa Rosamund estava traduzindo o clássico Anna Karenina (1877) quando decidiu mergulhar num relato da vida do autor para, segundo ela, compreender melhor como ele construíra uma obra literária de extrema complexidade a partir de uma prosa clara e simples.

Exploradores do abismo

exploradores-abismoEm tradução primorosa de Josely Vianna Baptista Exploradores do abismo, de 2007, é o décimo livro de Enrique Vila-Matas publicado pela Cosac Naify. O autor retoma alguns de seus temas clássicos, como o vazio, o não, as pulsões suicidas, o anonimato e o desaparecimento do autor e os intercâmbios entre vida e literatura. O livro é o retorno de Vila-Matas à narrativa breve, mas é também um livro inclassificável, tão distante do relato convencional como do típico conjunto de contos fechados e corretos. São dezenove relatos – entre ideias, citações, fragmentos, linhas narrativas – protagonizados por personagens à beira do precipício, seres que se detém ante o vazio e o estudam e analisam.

German Lorca

german_lorcaGerman Lorca auxiliou de modo decisivo a implantar o pensamento e a estética do modernismo fotográfico no Brasil durante as décadas de 1940 e 1950, quando atuou no Foto Cine Clube Bandeirante de São Paulo, com Geraldo de Barros, Thomaz Farkas e Eduardo Salvatore, entre outros. Diferente de fotógrafos de sua geração que também possuíam uma produção de caráter experimental, Lorca foi um dos únicos a se tornar fotógrafo profissional, trabalhando com publicidade, retratos e reportagens, sem nunca deixar de lado suas fotos autorais. Este livro é o primeiro inteiramente dedicado a sua vasta e multifacetada obra. Além do ensaio fotográfico principal, com as imagens mais experimentais, o volume traz textos do organizador Eder Chiodetto e da crítica portuguesa Tereza Siza, que situam a obra de Lorca no contexto brasileiro e mundial e propõem chaves de leitura. Ao fim, há um saboroso depoimento do próprio fotógrafo, uma criteriosa cronologia organizada pela pesquisadora Daniela Maura Ribeiro – fartamente ilustrada com imagens publicitárias e de seu arquivo pessoal – e uma bibliografia.

Letra e música

letra-musica01A caixa Ruy Castro: Letra e música traz os volumes de crônicas A canção eterna e A palavra mágica, vendidos em conjunto, em uma luva. Cada um desses volumes reúne 64 crônicas escritas por Ruy e originalmente publicadas na coluna que assina quatro vezes por semana no jornal Folha de S.Paulo desde 2007. Em A canção eterna, o tema abordado é a música popular. Para Ruy, “escrever sobre música é a única alternativa para os que não são capazes de produzi-la”. A palavra mágica trata de assuntos relacionados ao jornalismo e à literatura, dois temas também caros ao autor, que passou por redações de vários jornais do Rio e São Paulo e é notório escritor de biografias.

O ponto e a curva

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Quer entender melhor o país? Aqui está O ponto e a curva, um livro interessantíssimo que mostra como funciona o sindicalismo oficial, seu relacionamento com o governo e a influência que isso tem sobre todos nós.
O autor não poderia ser mais qualificado: o advogado Almir Pazzianotto, ex-ministro do Trabalho, ex-advogado de sindicatos (três vezes deputado estadual pelo MDB e depois pelo PMDB de São Paulo), que alia grande conhecimento do tema à capacidade de escrever com simplicidade e estilo agradável. Pazzianotto foi também ministro do Tribunal Superior do Trabalho de 1988 a 2002, tendo presidido o Tribunal entre 2000 e 2002.

José Luiz Passos vence o Portugal Telecom

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Surpreendente. O pernambucano José Luiz Passos levou o prêmio principal do Portugal Telecom, o da categoria Romance. Ele concorreu com O Sonâmbulo Amador, lançado pela Alfaguara. Como para as demais categorias do prêmio, Poesia, Conto ou Crônica e o Grande Prêmio Portugal Telecom 2013, Romance paga 50.000 reais ao vencedor. Passos levou também o Grande Prêmio.

Passos disputou o prêmio contra dois favoritos, o paulista-gaúcho Daniel Galera com Barba Ensopada de Sangue, e o angolano-português Valter Hugo Mãe com O Filho de Mil Homens.
Na categoria Poesia, a vitória ficou com Eucanaã Ferraz e Sentimental, publicado pela Companhia das Letras. O livro de Ferraz venceu Formas do Nada (Companhia das Letras), de Paulo Henriques Britto, Porventura (Record), de Antonio Cícero, e Um Útero É do Tamanho de um Punho (Cosac Naify), de Angélica Freitas.

Na categoria Contos/Crônicas o prêmio ficou com a gaúcha Cintia Moscovich, com Essa Coisa Brilhante que É a Chuva (Record), que deixou para trás A Verdadeira História do Alfabeto (Companhia das Letras), de Noemi Jaffe, O Tempo em Estado Sólido (Grua Editora), de Tércia Montenegro, e Páginas sem Glória (Companhia das Letras), de Sérgio Sant’Anna.

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