A princesa e o ateu

lancelotd

Era uma vez uma princesa muito linda e alegre. Todos os homens do reino tentavam cortejá-la e ganhar sua atenção, mas era inútil. Embora simpática e cativante, não permitia intimidade suficiente para uma relação duradoura. Sempre dizia que deixaria Deus tomar conta do seu destino ao lado de um homem.

No dia do seu aniversário, foi realizada uma grande festa em sua homenagem. Vieram princesas e príncipes de outros lugares para comemorar e brindar a outro ano da futura rainha. Ganhou muitos presentes e flores raras na esperança de que um dos pretendentes fosse notado e recompensado com a atenção da bela mulher.
O protocolo da festa estava sendo seguido segundo as normas do reino. Os lugares na grande mesa estavam marcados conforme a importância de cada nobre. Ao seu lado esquerdo ficavam suas amigas e em frente a ela, observando tudo, ficava um velho rei vindo de longe.

Inesperadamente, um cavaleiro vestido de negro chegou e, sem cerimônias, sentou-se na ponta da mesa. Aquele era um lugar reservado para alguém muito especial que não existia ainda. Todos ficaram espantados com a audácia do homem. Seu atrevimento chamou a atenção da princesa e mesmo sob protestos dos outros pretendentes ela aceitou falar mais com o estranho. Durante a conversa, suas bocas ficaram a centímetros uma da outra e quase se tocaram. A atração era visível e a princesa ficou feliz e aceitou outros encontros. O cavaleiro fazia de tudo para seduzi-la, mas o progresso era lento. Passearam a cavalo, conversaram e riram muito, mas só depois de algum tempo se beijaram. Um beijo simples, mas que começou uma grande história de paixão e desejo. Se amaram e se deliciaram com o prazer de ambos e aproveitavam cada segundo dos momentos maravilhosos que viviam juntos.

Tudo ia bem, mas algo ainda incomodava o cavaleiro.
Sabia a respeito da fé que a princesa tinha e a crença sobre quem decidiria o destino dela ao lado de um homem. Ele não gostaria de magoá-la sendo falso, então, mesmo arriscando perdê-la, confessou:
— Princesa… Eu não acredito em Deus.
Depois de pensar um pouco, ela sorriu e respondeu:
— Mas ele acredita em ti.
E, assim, foram felizes para sempre.

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