Cinema. Ed. 148

RoboCop-2014

Vale rever o Último tango em Paris

Ângela Chiarotti

tango

Quem reviu o Último tango em Paris diz que o filme resistiu ao tempo. Trata-se de um drama erótico. O nome diz algo: Último tango em Paris, por ser o tango uma dança complexa, bonita e com ar de tragédia e Paris, a cidade dos apaixonados. Logo no começo do filme os personagens principais, com um ar de melancolia, vagam na ruas quase como pessoas perdidas, em busca de alguma coisa. Fazem sexo, em pouco tempo depois, em um apartamento vazio e sujo, sem se conhecer, sem saber nomes, tendo trocado algumas palavras. Aliás tem sexo no filme e cenas de nudez, tendo gerado muita polêmica na época, mas não é sexo por sexo, sem necessidade, como a gente vê cada vez mais nos filmes, livros e até em novelas.

É sexo fundamental para a construção da estória e dos personagens. Uma estória que fala do eterno conflito que os seres humanos enfrentam entre fazer aquilo que gostam e que aquilo que a sociedade espera que eles façam. Fala de como as pessoas usam umas as outras para curar suas carências, dores e frustrações e esperam que os outros atendam às suas expectativas. De como carregamos fatalmente para relacionamentos novos os vícios e traumas de relacionamentos anteriores.

Ela é uma personagem que busca por liberdade, que procura por coisas novas, isso não é dito, mas fica subentendido uma vez que se trata de uma atriz de 20 anos e os artistas e jovens em geral carregam esse estereótipo. Aliás, isso fica claro também no fato de tanto ela, Jeannie (Maria Schneider), quanto ele, Paul (Marlon Brando), estarem procurando por um apartamento para alugar, mesmo já tendo suas casas para morar. Enfim, ela encontra em Paul uma nova proposta de vida. Que é a de sexo sem compromisso, sem cobrança, sem obrigação, só por desejo. Jeannie pode parecer submissa equivocadamente em algumas partes da trama, mas não o é. Ela não é levada a fazer coisas que não deseja, muito pelo contrário, aquilo tudo é exatamente o que ela está buscando.

Padilha em RoboCop

Agenor Barbosa

robocop

Em 1987, sob a direção de Paul Verhoeven, um holandês audacioso, foi lançado RoboCop. Em 1990 e 1993, as continuações, dessa vez sem o holandês, não tiveram o sucesso da inaugural filmagem. Com o fracasso, os executivos da MGM ficaram um bocado céticos quando José Padilha se propôs ao remake. Porém, José Padilha foi o diretor do sucesso Tropa de Elite, tinha prestígio, e foi dado a ele a chance de filmar RoboCop.

Como ele mesmo disse, conseguiu fazer um filme brasileiro em Hollywood. Carregou consigo diretor de fotografia e montagem. Daniel Carvalho foi de certa maneira bem recebido pelos hollywoodianos, pois montou o filme Cidade de Deus, cuja indicação ao Oscar deu crédito. Já Lula Carvalho, o diretor de fotografia, recebeu resistência, então Padilha o levou numa reunião com os executivos da MGM e apresentou: “esse é Lula Carvalho, o diretor de fotografia”. Estava definido. Teve em mãos 140 milhões de dólares para fazer acontecer o filme, além do elenco de primeira: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Samuel Jackson, Abbie Cornish, entre outros.

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