Editorial. Ed. 148

Preparem coração e mente. Quem não tiver estômago forte não se aproxime. A campanha eleitoral deste ano da graça de 2014, que começou com um calor insuportável e um calendário que quase o anula para o trabalho, foi inaugurada em alta voltagem e com sinais muito claros de que a disputa vai descer às cloacas.

Pudera. O comando da campanha de Gleisi Hoffmann, candidata do PT contra o governador Beto Richa, não esconde sua convicção de que a única forma de encarar o desafio eleitoral é atacar o adversário da forma mais pesada possível. Do contrário, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Ou seja, pretende derrubar Beto Richa com um golpe daqueles que no judô se chama de ypon, no boxe de nocaute, um único golpe para derrubar o adversário e encerrar a luta com vitória quando está perdendo o confronto por pontos.

São as circunstâncias. Os indicadores dizem que o governador Beto Richa mantém a curva de crescimento nas pesquisas e que os eleitores desejam mudanças, mas o sentimento predominante seria o de que “é mais factível mudar com Beto Richa do que com o PT”.
Como a campanha será curta devido à Copa, os analistas consideram que não há espaço, nos 45 dias da reta final, quando o debate eleitoral chega à televisão, para o que chamam de “efeito avalanche”. Um comandante político da oposição petista, menos otimista que os demais, chega a afirmar que é mais provável uma morte súbita de um dos candidatos da oposição do que um crescimento súbito de um deles.

Isso talvez explique porque Gleisi Hoffmann perdeu as estribeiras durante uma solenidade oficial, ela ainda ministra chefe da Casa Civil, de entrega de casas em Umuarama, solenidade que uniu a petista e o governador Beto Richa no mesmo palco. Pois a solenidade transformou-se no primeiro debate público na corrida ao Palácio Iguaçu e a petista deixou bem claro o tom pesado que adotará nesta campanha.

A ministra esqueceu a função, fez pouco do papel de representante da presidente Dilma Rousseff, subiu nas tamancas e fez o possível e o impossível para atingir o governador Beto Richa. Barrou o cerimonial do Palácio Iguaçu; impediu que banners do Estado (que tem participação na construção das casas) fossem expostos e fez questão de ser a última a discursar, quebrando o protocolo do evento.

O discurso foi eivado de pancadaria como nunca antes se viu em solenidade do tipo na história do Paraná. Até então, as solenidades oficiais eram respeitadas e jamais confundidas como cenário de confronto ou de debate que assemelha o ato republicano a um palanque eleitoral. E pensem que isso acontece agora, quando a absoluta maioria dos paranaenses e brasileiros não está nem aí para a política e para as eleições. Agora imaginem o que vem pela frente e o que teremos de ouvir nos últimos 45 dias de campanha eleitoral na televisão, com vários candidatos sob o signo do desespero.

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *