Bacon, zumbis e gatinhos

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O bacon está na moda. No mundo da culinária, então, nem se fala. Tudo com bacon tem mais popularidade. Na verdade, o que está na moda é o que os ingleses chamam indulgence. Indulgência. O prazer sem culpa. O prazer do torresmo.

Agora, vou lhe dizer, não é para qualquer um. O prazer sem culpa é um talento. Há quem tenha e quem nunca chegue lá. Talvez seja algum tipo de mutação genética. Dia desses os pesquisadores do genoma humano hão de descobrir essa chave no DNA. Os alelos do hedonismo.

São parcos os adoradores de um queijo de porco e um belo patê de torresmo sem um comentário sequer sobre o teor de gordura. A maioria absoluta é da culpa. Resquícios de nossa tradição católica? A confissão do pecado expia o pecador?  Bobagem. Viva o torresmo quando tiver que ser. E a salada também com prazer.

Um comediante americano fez piada com os candidatos republicanos. Sugere que eles se cubram com pedacinhos de torresmo a fim de aumentar seus tristes índices de popularidade. Bom, seria isso, caçar zumbis ou virar um gatinho. Na TV e na internet, como se sabe, zumbis, bacon e gatinhos são o que há de mais popular. Talvez seja porque todos representam o prazer às últimas consequências.

O bacon é esse símbolo maior de satisfação. Já foi o tempo em que se comia toucinho sem ressoarem na caixola preocupações mil. Já o zumbi é uma grande metáfora para a irresponsabilidade. A hecatombe zumbi talvez não seja um medo, mas um desejo, o sonho do fim da sociedade correta e regrada. Quem sabe esse mundo do politicamente correto peça um pouco disso, bacon e zumbis, para aguentar os donos da verdade.
Afinal, o que você faria diante de um apocalipse zumbi? É o que essas histórias nos perguntam. Segue sua vida medíocre ou muda tudo e corta uma franja? Fica na saladinha ou se lambuza de x com bacon?

Afinal, os contos de zumbis são alegorias que trazem os valores de uma vida mais simples, desligada do consumo irrefreado, por um lado, mas onde a indulgência faz todo o sentido, por outro, pois você pode morrer a qualquer momento. E não podemos todos?
Em sua profunda superficialidade, a tevê e a internet nos mostram muito do que queremos. No fundo, sonhamos todos em ser os gatinhos da rede. Seres elegantes, egoístas e hedonistas que passam seus dias a tomar banhos de sol.

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