Editorial. Ed. 149

Durante uma festa do PT, excitada ao som dos aplausos da claque partidária, a presidente Dilma Rousseff, com seu linguajar e estilo, chamou de caras de pau os críticos de sua política econômica. Ora, pois, a presidente não quer a sua gestão lembrada pelo insucesso, bem representado em seus efeitos pela estagnação industrial, pela inflação elevada e, no último ano, por duas quedas trimestrais do índice de atividade calculado pelo Banco Central.

A esses feitos, ou malfeitos, é possível somar várias outras façanhas, como a demora em fixar a meta fiscal para 2014, mais um claro sinal de falta de rumo. Daí um problema: se os críticos são caras de pau, como qualificar quem maquia as exportações com vendas fictícias de plataformas de petróleo inacabadas, sem condições de operação e até sem segurança?
Janet Yellen não entra na categoria “cara de pau”, mas não escapa do grupo dos “pessimistas do fim do mundo” – conforme a classificação feita pela presidente Dilma na mesma festa do PT. Presidente do Fed, o banco central dos EUA, Yellen colocou o Brasil entre os cinco emergentes mais frágeis neste processo de mudança do cenário global. Mas não se meteu em política interna brasileira, nem sugeriu mudanças.

De cara de pau poderiam ser chamados os campeões da desfaçatez que criam exportações de mentirinha, destinadas inicialmente a produzir efeitos tributários. Para reforçar a balança comercial e para impressionar o mercado, o governo decidiu lançar as plataformas antes da hora e completar a construção no mar, com riscos e custos muito maiores.

Bem, também se pode classificar como o cúmulo da cara de pau a transformação do Palácio da Alvorada em comitê eleitoral do PT. Diz o artigo 73 da Lei Eleitoral: é proibido aos agentes públicos “ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios”.

O Palácio da Alvorada já sediou pelo menos quatro encontros de campanha. Num deles, em outubro do ano passado, Dilma reuniu-se por cinco horas, em pleno horário de expediente, com Lula, o marqueteiro João Santana, o presidente do PT Rui Falcão, o ex-ministro Franklin Martins e o ministro Aloizio Mercadante.

Os contribuintes brasileiros, além de financiar o palácio, o conforto, a água mineral, o cafezinho, o serviço de copa e o garçom, pagaram os salários de Dilma e Mercadante para que eles trocassem os negócios da nação pelas articulações partidárias.

Na Quarta-Feira de Cinzas, o grupo voltou a carnavalizar o Alvorada. Além dos personagens de sempre, participaram da conversa Edinho Silva, futuro tesoureiro do comitê, e Giles Azevedo, que deixará a chefia de gabinete de Dilma para integrar-se formalmente à campanha.

Quem é mesmo cara de pau, presidente Dilma?

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