Editorial. Ed. 150

Lula veio ao Paraná para mais uma ilegalidade. Subiu ao palanque e lançou a candidatura de Gleisi Hoffmann ao governo. Fez mais, saudou Osmar Dias, do PDT, como o aliado que ele quer na vice de Gleisi. E para estreitar relações, na maior desfaçatez pediu desculpas em público por ter apoiado Requião e não Osmar na eleição de 2006.

O discurso de Lula é o de sempre. Sua toada é criticar as elites, estimular e manter em alta o antagonismo entre ricos e pobres, fórmulas que sempre lhe valeram bons frutos. Agora, convenhamos, o homem desenvolveu habilidades de mágico. Antes do comício em São José dos Pinhais, Lula reuniu-se com parte do PIB paranaense. Pediu ajuda para Gleisi e para Dilma. Como ninguém, Lula consegue com o mesmo gogó desancar e afagar os endinheirados. E ainda usufruir deles.

Nem tudo saiu como queria Lula, Gleisi e entourage. O Ministério Público descobriu uma remessa de carne de carneiro para o churrasco do ex-presidente transportado em carro da Secretaria de Educação de Peabiru. E o pior, a carne foi paga com dinheiro público da merenda escolar do município.

Outro atrapalho de considerável monta. Ao agradar Osmar Dias, Lula feriu os brios do senador Roberto Requião, do PMDB. Requião deu o troco. Chamou Lula de ingrato e classificou o seu gesto de cafajestagem. Pois, pois, durante cinco eleições Requião apoiou o PT. Abriu mão de candidatura própria do PMDB para promover candidatos do PT. E de repente, não mais que de repente, Lula lhe enfia pelas costas o punhal da traição.

Essa habilidade de iludir o público, xingando aqueles que o patrocinam – a ele e ao PT – é de Lula e só dele. Quando Gleisi Hoffmann tenta fazer isso, o tiro sai pela culatra. Seria prudente, portanto, que nem mesmo tentasse se arriscar nessa seara, sob pena de despencar no ridículo, como tem acontecido por onde passa em sua campanha eleitoral antecipada no Paraná.

Outra que não vai bem das pernas é a presidente Dilma Rousseff. Irritada com as vaias durante inauguração de um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida, Dilma acusou os manifestantes de terem nascido “em berço esplêndido”. E extrapolou ao se referir ao cartão Minha Vida Melhor, que financia compra de eletrodomésticos, afirmando que só não valorizam o programa aqueles que “nunca tiveram de ralar, de trabalhar de sol a sol para comprar uma televisão, uma geladeira, uma cama, um colchão”.

O que Dilma não sabia – e ninguém contou a ela – é que o grosso dos apupos vinha de moradores do conjunto ao lado, entregue há dois anos pelo mesmo Minha Casa Minha Vida, já com rachaduras e sem equipamentos sociais. Suas palavras agrediram pobres mais pobres do que os pobres que ela, durante a inauguração, dizia beneficiar.

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