Geraldo Leão

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A nova série de pinturas de Geraldo Leão dá continuidade aos trabalhos que incorporavam marcas de estilos históricos já transformados em linguagem, como a utilização dos gestos expressivos – marcas de uma caligrafia individual – colocados de tal forma que a “expressividade” como marca pessoal era tornada impossível pela sua repetição e justaposição.

Os trabalhos recentes tratam da composição de uma pintura capaz de articular a possibilidade de um projeto construtivo que não exclua o inesperado, diz Geraldo Leão. Uma pintura que incorpore as possibilidades utópicas, associadas à ideia de construção, aliadas à possibilidade do erro. (A criação de uma utopia do possível, ou a assimilação na pintura desta contradição em termos.)

Enfim, uma pintura que incorpore um vocabulário, típico dos estilos construtivos, em que a ideia de uma razão organizadora, geométrica, de resto ainda fundamental para se pensar a edificação de um país ou cultura incompletos, não se opõem à sensação do vento no rosto.

Então, esses novos trabalhos reivindicam a possibilidade de uma pintura que apresente, mais que represente (na sua estrutura tanto quanto na sua superfície), a substância do mundo que desejamos. Um universo em que o projeto ordenador, necessário a toda construção, tenha uma armação aberta o suficiente para incorporar os erros, intuições e mudanças de rumo impensados de antemão.

Foto: Marcelo Almeida

Foto: Marcelo Almeida

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