Graciosa

estradadagraciosa3jw

Um corredor encantado, com paisagens exuberantes, curvas perigosas, árvores, passarinhos, flores, quiosques e muita água: dos rios que apostam corrida e se misturam para chegar ao mar, dos restos da noite que pingam das folhas, dos fios que atravessam os morros, das lojinhas para refrescar o verão.

A Estrada da Graciosa está lá do jeito que a conhecemos e admiramos com seus 28,5 quilômetros desde 1873, mas antes disso ela já tinha sido apontada por nossos índios, depois por nossos exploradores e por nossos povoadores – há registros do século XVI. Mas ainda antes, bem antes, tinha gente se aventurando por suas curvas, o Caminho do Peabiru, aquele que rasgou o continente entre o Atlântico Sul da América ao Pacífico no Peru, se ramificou por ali também e alguns historiadores ligam o trajeto aos povos Incas.

Os motivos que fazem uma estrada subir planalto são conhecidos por todos e não mudam muito com o passar dos séculos: é preciso levar pra cima o que está no mar e vice-versa; é preciso ligar os territórios; é preciso expandir possibilidades; é preciso domar a natureza; é preciso derrubar os limites.

Durante muito tempo a PR-410 foi o ponto de ligação entre o litoral e as cidades, a única pavimentada do Estado. Era por lá que o que se precisava mandar para outros lugares passava. A erva-mate, o café, a madeira escorregavam pela Graciosa até chegar aos portos de Antonina e Paranaguá. Importância econômica.
Hoje, a estradinha serve de referência histórica e mais ainda de diversão para os finais de semana. Importância turística.

estradadagraciosa11jwDo que se escreveu nas páginas da História, a construção da Graciosa começou junto com a emancipação da Província do Paraná, o nosso presidente Zacarias de Goes convocou seu diretor de Obras, tenente-coronel de Engenheiros Henrique de Beaurepaire Rohan, e o incumbiu da tarefa dos primeiros estudos. Dom Pedro II autorizou e foi dada a largada para que o caminho virasse estrada. Dez anos mais tarde, poucos avanços, uma dívida gigantesca, a luta para dominar a natureza, troca de responsáveis. A chegada do engenheiro Antônio Rebouças (sim, aquele da estrada de ferro) fez a empreitada prosperar, até que quase vinte anos depois da primeira pedra, sob o comando de Monteiro Tourinho, o Paraná pôde comemorar o grande feito e esperançar, de fato, futuro melhor: estava finalmente pronta a rampa que subia e descia de zero a 1.050 metros.

Das coisas que o tempo atual derruba sobre nós, há um pouco de congestionamento em alguns dias; há uns carros nos escapes com porta-malas abertos a cuspir barulho; há ciclistas que se aventuram pelos paralelepípedos úmidos a trazer risco para eles e outros; há rastros dos churrascos dos finais de semana. Mas há também placas a nos contar que não devemos modificar a paisagem; há a oferta da bala de banana e da água de coco; há mirantes para o deslumbrante que afoga os olhos, há a providencial venda de repelente; há cestos de lixo; há a possibilidade do civilizado.

A Mata Atlântica cheia de originalidade e diversidade que espanta e enleva, as sinuosidades em declive que fazem os carros se arrastarem devagarinho, o canto dos passarinhos que vez ou outra se exibem, o rio para uma paradinha refrescante, os pastéis fritos na hora e o silêncio, o retumbante silêncio nos intervalos da natureza a compor a melhor trilha… a Estrada da Graciosa é o nosso Santiago de Compostela. É a possibilidade de olhar pra fora e ver o que tem dentro, é o natural a se integrar com grande feito, é ao mesmo tempo domínio e redenção.

A Estrada da Graciosa não foi construída para ser bela, não teve objetivo de enfeite, mas o que se há de fazer hoje em dia em suas curvas femininas, molhadas, suadas de orvalho? Hoje, é preciso reconhecê-la, amá-la e cuidá-la para que continue por séculos a nos fazer misturar sensações e descobertas.
Ela é nosso tesouro e sabemos todos, cheios de belezas nos olhos, que o arco-íris começa e termina ali.

 

DER estuda construir viaduto na Estrada da Graciosa

graciosa11jw

O Governo do Paraná pretende construir um viaduto na Estrada da Graciosa, para recuperar a rodovia PR 410, que foi destruída por causa das fortes chuvas ocorridas em março. Técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), geólogos da Mineropar e representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estiveram reunidos para definir o cronograma de obras e também os custos necessários para a recuperação da rodovia.

 

A estimativa do DER-PR é investir R$ 5 milhões entre obras e projeto na implantação do viaduto, na altura do quilômetro 10, onde houve o desmoronamento. A previsão é ter o projeto no prazo máximo de um mês e fazer a obra em até quatro meses.

 

“Os estudos preliminares indicam que a construção do viaduto é a alternativa mais viável. No entanto, somente após a contratação do projeto executivo será possível estabelecer se não há outra opção que seja mais barata e também mais rápida para executar a reconstrução da estrada”, disse o superintendente regional do DER-PR, Sérgio Moreira Gomes.

 

Entre as dificuldades encontradas pelos técnicos do DER-PR estão a topografia e também a limitação de tráfego de veículos pesados na Estrada da Graciosa. O peso excessivo poderia provocar outros afundamentos ao longo da rodovia, obrigando o uso de maquinário de menor porte, o que poderia alterar o cronograma da obra e também a execução dos trabalhos.

 

No trecho onde ocorreu o desabamento da barreira, na altura do quilômetro 12, as equipes do DER-PR terminaram a retirada do material. Será feito um estudo mais aprofundado deste ponto, para ver se não há pontos com trincas ou rachaduras que possam ainda comprometer a rodovia. Caso não haja nenhum risco, a proposta do DER-PR é fazer um muro atirantado, que vai permitir segurar as pedras do morro e evitar outros desabamentos.

 

O DER-PR vai aguardar a elaboração do decreto de emergência elaborado pela prefeitura de Morretes e que será encaminhado ao Governo do Paraná para homologação. Somente após o reconhecimento desse decreto pela União, o DER-PR poderá executar a contratação de projeto e também das obras em regime emergencial. Com esse decreto, o prazo limite para a conclusão da obra e projeto é de 180 dias, a contar do dia 13 de março.

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *