Música Erudita. Ed. 150

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The most relaxing violin music in the Universe te leva ao encontro com o seu eu divino

Márcia Campos

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Há horas em que o desgaste da vida moderna, envolta em stress, horas perdidas em trânsito conturbado, pressão no ambiente de trabalho e muitos outros fatores, precisa dar vez e espaço à serenidade.

Dar um tempo e introspectar-se, adentrar a sua “catedral”, acender as velas, deixando-se ficar assim por minutos que podem trazer calma, relaxamento, autoconhecimento. É com essa intenção que a  Denon Classics, sinônimo de reprodução de “audio art”, traz a coleção de músicas clássicas (eruditas), jazz e new age relaxantes.

As peças eruditas são bastante conhecidas do público, incluem grandes compositores e contam com performances de músicos do quilate de Chee-Yun, Jean-Jacques Kantorow, Josef Suk, Boris Belkin, entre outros.

O álbum The most relaxing violin music in the universe, que faz parte da coleção da Denon, vem acompanhado de dois CDs. No primeiro, destaque para Violin Concerto nº 3, andantino quase alegretto, de Saint-Saëns; Violin Concerto in E minor, de Mendelssohn; Violin Concerto nº 3 in G Major, II. Adagio, de Mozart. Mas há outras músicas tão belas e que cabem no gosto individual.

O segundo CD vem mais robusto, pelo peso dos compositores, cujas peças são capazes, se ouvidas com o coração, de nos elevar a patamares inimagináveis, transcendentais. São obras de Bach, Violin Sonata nº IV in C minor, I. Largo; a maravilhosa e relaxante Vocalise, de Rachmaninov; Vivaldi, Violin Concerto nº 5, II. Largo; e o sensível, delicado e deslumbrante Concerto nº 1, II. Adagio, de Bruch.

Em frase atribuída ao mestre Beethoven, ele nos diz: “Nada é suficientemente bom. Então vamos fazer o que é certo, dedicar o melhor de nossos esforços para atingir o inatingível, desenvolver ao máximo os dons que Deus nos concedeu, e nunca parar de aprender”.
É isso, permita-se ser envolvido na serenidade das músicas, já com sua “catedral” toda iluminada, e encontre-se. Sua companhia é ótima!

Serviço
The most relaxing violin music in the Universe, 2005, Denon
Duração: 138’46”

Legado de Mortier

Ângela Chiarotti

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Morreu aos 70 anos de idade Gérard Mortier, um dos mais importantes diretores de ópera. A notícia partiu de uma consternada ministra da Cultura belga, Fadila Laanan. O genial Mortier, que sofria de câncer, foi diretor executivo do Teatro Real de Madri, até setembro de 2013.

Sua carreira foi brilhante. Mortier passou pelos maiores teatros da Europa: o Théâtre Royal de la Monnaie, em Bruxelas (1981-1992), o Festival de Salzburg (1992-2001), e também a Ópera de Paris até 2009. Ele teve a carreira de diretor de ópera mais brilhante e tumultuada das últimas três décadas, defendendo incansavelmente a modernidade da ópera e sua dimensão teatral. O que, como era de se esperar, enfureceu os tradicionalistas com quem manteve uma longa polêmica.

Nascido em Ghent, em 25 de novembro de 1943, Mortier era um líder brilhante, mas seu ego enorme, por vezes, lhe rendeu duras críticas, especialmente em Paris. Conhecido por sua franqueza e audácia artística, Mortier conduziu grandes sucessos em Madri com óperas como Cosi fan Tutte, de Mozart, encenada no início de 2013 pelo diretor austríaco Michael Haneke, ou A Perfect American, do norte-americano Philip Glass.

Visivelmente debilitado pela doença, o teimoso Mortier queria porque queria estar presente na apresentação da ópera Brokeback Mountain em 27 de janeiro, em Madri, que ele havia encomendado em 2008 ao compositor americano Charles Wuorinen. Nesta ocasião, ele reivindicou um “programa político”, o que azedou o fígado de todos os seus críticos.

Mas Mortier estava acima dos críticos e das circunstâncias. Ao morrer, recebeu homenagens de personalidades que dão a dimensão de sua importância para o mundo civilizado. O presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, saudou no microblog Twitter a memória de um “grande diretor de ópera não convencional e inovador”. O ministro belga das Relações Exteriores, Didier Reynders, expressou sua tristeza apresentando as suas “condolências à família”.

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