Salve Zéfiro

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Vem aí biografia de Carlos Zéfiro, pseudônimo do carioca Alcides Aguiar Caminha (1921-1992). Bela homenagem ao funcionário público que, à noite, enquanto a mulher dormia, produzia catecismos, aquelas revistinhas de pura pornografia, que se tornaram clássicos e muito úteis na educação sexual de meninos e meninas de minha época. É tese da historiadora Erika Natasha Cardoso, que concluiu o mestrado em História na UFF.

Muito cedo, por obra e graça da Santa Madre Igreja, eu tive acesso à obra de Zéfiro. As recebi das mãos de Irmã Clarice, religiosa que sob as vestes de freira do Sagrado Coração de Jesus escondia fogosa mulher que fora encaminhada ao convento pela família, justamente por isso, por ser fogosa e afoita e por perder a virgindade antes do casamento, coisa que naqueles idos era moralmente inaceitável e cobria a família inteira de vergonha.

A Irmã Clarice foi minha professora de datilografia no Instituto São José, em Foz do Iguaçu. Mulher valorosa. Muito à frente de seu tempo. Deu-se à vocação de iniciar meninos como eu, que aos 11 anos estava cheio de curiosidade e desejo. Não a esquecerei jamais. Guardo por ela sincera afeição e sempre que encontro uma freira, acontecimento cada vez mais raro, lembro de minha iniciadora. Narro esse episódio importante de minha formação em meu romance O Guardador de Fantasmas.

Voltemos ao Zéfiro, o divino transgressor. Sua obra circulou de forma mais expressiva no país ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970. Creio que um dos segredos do sucesso de Zéfiro era o seu didatismo. Um perfeito professor de sacanagem, digamos assim. Seu desenho era claro, explícito, só as cavalgaduras eram incapazes de entender.

Alcides era um gênio. Prova disso é que foi parceiro de compositores fantásticos em músicas inesquecíveis como o clássico A flor e o espinho, com Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Frequentava a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Mas essa é outra história, para os especialistas da área que pesquisam sobre a nossa música popular.

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