As mídias sociais, o marketing político e os maracujás

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Já foi cunhada a expressão “Marketing Político Digital” para denominar mais esta especialidade (e que fantástica especialidade esta é) de atuação do marketing político.

Creio que este fato é uma prova cabal para aqueles que ainda duvidam (e surpreendentemente ainda os há) de que as redes e as mídias sociais, embaladas pela constante e vertiginosa evolução tecnológica das indústrias de hard e softwares, nos obrigam a mudar radicalmente — e para sempre — nossas formas anteriores de pensar e trabalhar com a comunicação e o marketing.

Depois de muitos anos trabalhando no planejamento de marketing de campanhas políticas utilizando todo o arsenal das “velhas mídias”, tive que aprender a trabalhar com novos conceitos de interatividade e conteúdos especialmente desenvolvidos para as comunidades on-line.

Muitos profissionais de marketing político ainda veem o papel da internet nas eleições apenas como mais um canal para veicular os materiais e as mensagens criados originalmente para as mídias convencionais. Considero esta uma visão equivocada na medida em que mantém a comunicação “top > down” e ignora o enorme potencial da relação de interatividade entre emissor e receptores que propicia a personalização da comunicação “one-to-one”, muitíssimo mais eficiente e convincente.

Este ano, pela primeira vez, as eleições acontecerão no mesmo ano em que a Copa do Mundo será disputada no Brasil. Isto significa que os candidatos terão pouco mais de dois meses para captar a atenção da esmagadora maioria dos eleitores. Ainda que os muitos cenários estejam longe de sua definição, as pesquisas atuais indicam que as disputas majoritárias serão acirradas, tanto no pleito presidencial quanto no dos governos estaduais. Não tenho nenhuma dúvida de que os candidatos que — desde já — passarem a utilizar de forma adequada as mídias sociais aumentarão muito suas chances de vitória.

Para os que discordam, por acreditar que apenas a parcela das pessoas de maior poder aquisitivo ou com maior índice de escolaridade são atingidas pelas novas mídias, conto aqui um caso que aconteceu comigo mesmo, no último verão: voltando de um final de semana passado em Antonina, resolvi comprar frutas numa daquelas tradicionais barraquinhas de beira de estrada. O vendedor me recomendou dois tipos diferentes de maracujás, dizendo que o menor, que eu nem sequer conhecia, era menos ácido e, sendo assim, o ideal para se fazer compotas e caipirinhas. Perguntei pelas receitas e, enquanto embrulhava os pacotes, ele respondeu:
— Eu também não conhecia, doutor, mas uma amiga minha do Facebook me passou o link. Procure no Google. É bem fácil.

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