Editorial. Ed. 151

Há um sentimento de desconforto na sociedade brasileira. Os governantes no poder perdem a credibilidade, tantos são os escândalos de corrupção que parecem não ter fim. A maioria absoluta não quer saber de política. E a situação da economia não apenas influencia o resultado das eleições como também a situação política interfere na economia, especialmente em anos eleitorais como o que vivemos.

As pesquisas divulgadas mostram um ambiente político diferente daquele que teremos a partir de julho. Aí a campanha eleitoral vai esquentar. Os partidos terão definido oficialmente seus candidatos, e começarão os debates na televisão. A propaganda eleitoral vai ao ar em agosto.

No momento, a pesquisa do Ibope mais recente registra que nada menos que 56% dos entrevistados têm pouco ou nenhum interesse nas eleições de outubro. O fato de que 37% dos pesquisados optaram por “nulo ou em branco” ou “não sabe” mostra que boa parte dos desinteressados escolheu a resposta mais condizente com seu estado de espírito no momento.

Não é provável que esse número se sustente nas eleições, embora possa ser maior do que o registrado em 2010 — de 8,6% no primeiro turno —, pelo aumento da frustração do eleitorado com a política, os políticos e as instituições da política.

Os eleitores que estão deixando, com certa regularidade, de escolher o nome da presidente Dilma nas pesquisas dos últimos dias devem acabar optando por um dos nomes da oposição, caso o governo não consiga reverter a tendência de descrédito que no momento o atinge.
Os especialistas dizem que o movimento mais habitual dos eleitores desiludidos é fazer uma parada nos indecisos (ou branco ou nulo) para depois escolher a melhor alternativa.

Tanto o candidato do PSB, Eduardo Campos, quanto o do PSDB, Aécio Neves, ainda têm espaço para serem conhecidos pelos eleitores, e para eles o programa eleitoral na televisão antes da campanha pode ser a bala de prata. Não funcionou, aparentemente, para a dupla Eduardo Campos-Marina, que apareceu na televisão nos dias em que a pesquisa do Ibope foi realizada.

Campos não saiu do lugar, e Marina ainda não demonstrou ser capaz de transferir seus votos, ou parte deles, para sua chapa. Já Aécio Neves teve seu programa de televisão transmitido depois do fechamento da pesquisa do Ibope, embora a reação a algumas inserções publicitárias possa ter sido captada. Continua com a esperança de que uma exposição maior lhe dará um reconhecimento do eleitorado que até agora se mostrou restrito.

E o futuro não é risonho com qualquer dos candidatos que venha a ser eleito. O partido do futuro presidente terá, no máximo, um quinto da Câmara (100) e um quarto do Senado (20). O governo será de coalizão. Para que ele tenha um mínimo de estabilidade, vai precisar do apoio do partido âncora, o PMDB.

Sua base parlamentar será heterogênea. O partido do presidente, como fez o PSDB no governo FH, como agiu o PT na gestão Lula e como se comporta agora na administração Dilma, vai tentar limpar sua imagem às custas de enxovalhar o PMDB. E tudo deverá continuar sob as ordens de Renan, Sarney, Collor de Mello et caterva. Por que então devemos acreditar na política segundo as regras que fazem perdurar essa situação?

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