Meu querido diário

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A vida não está fácil para ninguém.
Tomei muito sol e precisava urgente procurar a minha dermatologista. Marquei a consulta na hora do meu almoço. Encontrei uma vaga para o carro bem na porta. Nem no meu sonho mais feliz imaginaria isso. Mas… Entrei correndo, animada e pedi para usar o banheiro.

Pronto! Presa no banheiro e morta de vergonha. Não gritei por socorro. Restou bater na porta e com voz meiga pedir ajuda. Acho que a recepcionista ficou mais assustada do que eu e depois de muita conversa e nada do trinco mexer, consegui passar a chave por baixo da porta. Saí com cara de paisagem, mas decidida a pagar a consulta. Abri a carteira e ela estava vazia. Fui em disparada sacar dinheiro. Como não tinha almoçado, na volta parei em um posto de gasolina para comprar um lanchinho. Pois bem, começou a chover e eu precisava correr, comer e tomar o chá no caminho. Claro que isto não prestou. Me estabaquei em plena Avenida Silva Jardim. Mico! De volta ao consultório fingi que nada aconteceu e espero do fundo do coração que a médica não tenha percebido o joelho sujo e o cabelo estilo Madame Min.

Saúde é o que interessa. Depois de emagrecer 15 quilos fui fazer os exames de rotina. Queria sambar na cara dos que achavam que a minha dieta era uma loucura. Descobri que todos os idosos do planeta fazem exames na segunda-feira. Sim! O laboratório deveria ter o dia preferencial. Não somente senhas. Fiquei em jejum esperando por quase uma hora. Acho que foi a única vez que tive vontade de ter 60 anos. Que vibe, diário. Desisti. Retomei o assunto no domingo. Pensei nos almoços de domingo com os avós e apostei que seria rápido. Até seria se uma das atendentes não usufruísse meia hora de lanche. Vamos combinar que eu estava com mais fome que ela. Até tentei uma cara de coitada. Mas a resposta veio em forma de coice: – É nosso direito sagrado. Então tá, né? Chegou minha hora. A mocinha veio com a agulha e já reclamou da minha veia. Achou fininha. Estilo manicure que reclama da minha cutícula. Lembrei da querida e brilhante cartunista Pryscila Vieira. Moça, o certo é phininha. Com ph porque sou chique. Daí claro que levei duas picadas. Revanchismo. E os exames? Os resultados foram ótimos. Sambei.

É, diário… Como sou forte, fui ao supermercado no primeiro dia útil do mês. Beleza! Filial do inferno. Não achava de jeito algum onde estavam os guardanapos e os kani kamas. Eis que surge o repositor. Quando o vi naquele uniforme quis dar um beijo no moço. Pensei que fosse minha salvação. Arrisquei a pergunta. Ele sorridente respondeu que ficavam na frente da padaria. No corredor de trás. Continuou sorridente. Indicou que os kanis ficavam na seção de verduras. Não entendi absolutamente nada. Retribuí o sorriso, agradeci e como uma barata tonta continuei perdida. Achei os guardanapos. Quanto aos kanis, juro por tudo que existe de mais sagrado que não são vendidos lá. Nem na geladeira de sorvete. E assim acabou minha noite de terça-feira.

O aquecedor estragou. Pensei que fosse a pilha. Pensei mal. Como ir trabalhar sem banho? Armei uma linha de produção de água quente. Coloquei dois banquinhos dentro do box, chaleira e duas panelas. Resultado? Fritei o braço. Me senti no seriado do Kung Fu. Estou parecendo o Gafanhoto com a sua tatoo de ferro quente. Está certo que eu adoro tatuagens, mas assim não. Meu cabelo ficou uma inhaca e cheguei bem atrasada no trabalho.

Pois é diário. Ainda por cima o Atlético que achava que precisava ter dois times foi desclassificado em dois campeonatos. E o Adriano que teve como SPA e comunidade terapêutica o CT do Caju, não fez nada de bom e picou a mula.
É… Não está fácil para ninguém. Nem para mim.
Fui…

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