Naturalmente

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Brisa de mar, ar do campo. Cheiro de mato, cheiro de chuva que entra por janela aberta. O som da chuva. Tudo isso me fascina.

Olhar as árvores, caminhar sob as nuvens, sentir o sol bater no rosto ou o primeiro frio do ano que gela as bochechas e sussurra: estás viva.

Gosto da ideia do natural. De um jardim, do ar livre. A ideia de natureza me atrai. Mais do que a natureza em si. Quando o natural é bruto, dominante e desvairado, me causa medo. Me causa mais: nojo, asco, ódio.

Escapo. Escapo de tomar banho de cachoeira ou de rio, de fazer trilha, escalada, rafting ou coisa que o valha. Aventuras não são meu forte.

Tenho necessidade da natureza contida, humanizada, civilizada. Salada direto da horta, vasos de tempero no parapeito, um gato no tapete da sala. Combinação perfeita é janela com vista para o mar, casa com jardim de inverno, apartamento de frente para o Central Park. Ou, melhor ainda, coçar barriga de cachorro enquanto assisto televisão. É a dose exata de natureza.

Tudo isso cercado de paisagem urbana. Selva de pedra com vista privilegiada. Esse é meu ideal. Não tenho nada contra quem gosta de mato, praia, camping, etc. Apenas suplico para que não me convidem. A não ser que inclua churrasco.

Uma das coisas mais difíceis e importantes da vida é descobrir quem a gente é. Quanto mais cedo, menos doloroso. Acampei umas 3 ou 4 vezes antes de descobrir que odeio. Nadei em rio com cachoeira, fui um milhão de vezes à praia. Tudo isso antes de perceber que não sou da barraca.

O sofá é meu lugar. De preferência um sobre o qual bata um sol, um vento, até respingue uma chuva ocasional. Porque não sou também uma urbana convicta. Gosto daquele cheiro de vida, da ideia de vida que tem a natureza. Tem lá seu prazer pisar numa grama úmida de orvalho. Uma vez ao ano. Até que as formigas apareçam ou entre um espinho no pé.
Tem sua graça tomar um banho de chuva, se você vai direto para casa tomar um banho quente em seguida. Tem seu prazer um solzinho quente de outono, plantar temperos, cuidar de bichos.

Eu, um dia, quis ser veterinária. Aí fiz 8 anos. Gosto dos confortos da vida moderna. Banho quente, banheiro com descarga, energia elétrica. E sou sincera ao afirmar que acredito no sacrifício da natureza para um bem maior. Como o foie gras, por exemplo.

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