Paulo Bernardo e o lamaçal da política

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“Esta eleição vai ser um lamaçal. Todo mundo jogando lama para todo lado. Com certeza a política vai perder muito com isso.” Quem diz é Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, citado por Ilimar Franco em sua coluna de O Globo, a aplicar vacina contra as críticas que ele, o PT do Paraná e sua candidata, Gleisi Hoffmann, o governo Dilma e o PT deverão receber durante a campanha eleitoral.

Assunto é que não falta, especialmente contra o time do ministro. Quando já era extremamente desgastante para o PT o reflexo do Mensalão no Paraná, pela participação de paranaenses como o operador Henrique Pizzolato, estourou um escândalo intermediário com a prisão de um dos principais assessores de Gleisi Hoffmann na Casa Civil, o ex-prefeito Eduardo Gaievski, que teria cometido dezenas de crimes de pedofilia quando era prefeito de Realeza. Indicadores da época mostram que esse caso abalou a credibilidade de Gleisi como gestora, por não ter critérios para a escolha de seus auxiliares.

Gaievski continua a fazer o PT sangrar e perder o prestígio que tinha conquistado na classe média paranaense, historicamente refratária ao partido. Seu processo continua e desde que foi preso surgiram dezenas de novas denúncias contra ele. Escabrosas.

Com assunto de sobra, como as denúncias contra André Vargas, Paulo Bernardo prepara vacina contra as críticas que ele, o PT, Gleisi Hoffmann e o governo Dilma deverão receber durante a campanha eleitoral

Com assunto de sobra, como as denúncias contra André Vargas, Paulo Bernardo prepara vacina contra as críticas que ele, o PT, Gleisi Hoffmann e o governo Dilma deverão receber durante a campanha eleitoral

Quando o caso Gaievski saiu das manchetes, eis que estoura o escândalo que envolve uma das figuras emblemáticas do PT no Estado. O deputado federal André Vargas, vice-presidente da Câmara, presidente da Comissão de Comunicação da direção nacional do PT, foi flagrado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que prendeu o doleiro Alberto Youssef, homem de confiança de Vargas, que com ele tramava negociatas em várias áreas do governo federal. Sempre com a ajuda de Vargas, segundo as gravações das conversas de Youssef.
Vargas baixou a guarda e estimulado pela rentável relação com Youssef, recebeu do doleiro o presente do último verão. Um jato fretado para que Vargas levasse família e amigos para veranear no Nordeste.

Ele não era um deputado de pouco prestígio e escasso poder: seria difícil entender que fosse assim definido um político que seus companheiros de partido chegaram a eleger vice-presidente da Câmara dos Deputados. Devolvido à planície do plenário, o paranaense André Vargas, do PT, anunciou que renunciaria ao mandato, no que acreditaremos quando acontecer – se acontecer.

Numa carta que ele talvez imagine convincente, Vargas afirmou estar sendo massacrado pela imprensa, o que o levou a anunciar a saída de cena para preservar a família. Lamentavelmente, não citou qualquer notícia ou reportagem que, por exagero ou falsidade, pudesse ser definida como massacre.

Na verdade, o noticiário a respeito de suas tribulações recentes mostra principalmente uma decisão do seu partido no sentido de se livrar de uma companhia que o PT descobriu ser incômoda demais para sua própria saúde.

Alguns observadores cruéis talvez manifestem surpresa ante o fato de que o ex-deputado conseguiu manter em segredo, por muito tempo, suas relações com o doleiro Alberto Youssef, recentemente preso pela Polícia Federal na investigação batizada de Operação Lava-Jato. Como o nome sugere — pelo menos para quem entende do assunto — trata-se de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

É pena, por outro lado, que um partido poderoso e acima de qualquer suspeita como o PT tenha sido surpreendido com a revelação das relações pecaminosas de um companheiro de partido que chegou à vice-presidência da Câmara — o que, supõe-se, não é para qualquer um. Mas também é verdade que essas coisas acontecem, aqui e além-mar. Registre-se que a reação do partido foi submeter Vargas a um castigo definido pelos observadores como “isolamento e fritura interna”.

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