A poesia como profilaxia

Ela é natural do ar: todos os ventos, brisas, deslocamentos, caminhos por altas pressões; nasceu em Cornélio Procópio e explica que talvez por conta da ventania que sopra por lá tenha lhe batizado o destino assim, com as boas aragens a correr suas decisões.
Formou-se médica e permaneceu doutora por quase duas décadas, diagnosticando, tratando, curando. Em paralelo, correndo juntinho, mas de jeito amador, a poesia e a prosa, a escrita.

Como a vocação para estender a mão ao outro e ajudar a seguir os caminhos, desviar obstáculos e enfrentar intempéries era, e é, indiscutível, em 1997 mudou os instrumentos: abandonou a clínica e mergulhou na poesia.

A profilaxia continuou na palavra escrita e cantada, Etel Frota se jogou no sopro da música, escreveu roteiros, firmou parcerias, foi apontada para prêmios e ganhou fama e respeito dos pares. Há quem aponte o fato de Maria Bethânia ter gravado composição sua como ponto alto de sua música, há quem goste de citar o prefácio de Thiago de Mello para o seu “Artigo Oitavo” como assinatura do reconhecimento geral por sua poesia. Mas ela ultrapassa os dois nomes e se mantém carpinteira, costureira, fazendeira diária de sua busca que não cessa, de sua viagem que nunca chega.

Etel Frota é um furacão que gira em torno dos assuntos eleitos, os rodopia no ar, embaralha e depois os acalma em terra firme, como faz agora em seu programa de rádio, que produz e apresenta ao lado de Alan Romero, a misturar literatura e música dessas e outras e todas bandas. Duvida? Então anote aí, gire o dial e aumente o volume: “Poemoda – a canção em verso e prosa”, na e-Paraná, 97.1 FM, todas as quartas-feiras às 9 horas da noite ou as sextas-feiras, na Rádio Zero em Lisboa.

Adriana Sydor

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Foto: Divulgação

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