Olivença

Fotos: Romildo Voss Jr

A cidade de Olivença está situada entre Portugal e Espanha e já foi motivo de disputa pelos dois países. Aqui, em Curitiba, Olivença é o restaurante que apresenta pratos emblemáticos dos dois lugares, e apenas clientes almejam as suas concorridas mesas. Está entre os procurados endereços de gastronomia da cidade, com fama de ser um dos melhores daqui. Mas qual é a fórmula do restaurante, então, que em seus poucos oito meses alcançou reputação invejável?

Primeiro: um chef consultor. Este poderia ter sido um ponto negativo. Desconfio de lugares que chamam um chef consultor para definir o cardápio e ensinar um cozinheiro que vai de fato pôr a mão na massa no dia a dia, costuma não dar certo, mas aqui deu. O chef português Hélio Loureiro veio, fez o cardápio e passou para o Giba Prado, que manteve o padrão.

Segundo: um proprietário do ramo e com experiência. A casa tem Raphael Zanette no comando. À frente do Terra Madre, do C La Vie e de uma importadora, o restauranteur não brinca em serviço, sabe o que é comer bem e procura levar isso para os seus restaurantes.

Terceiro: equipe afinada. O sommelier Denis John Melo Silva comanda o salão. Lembro-me dele do excelente, e infelizmente extinto, DOP Cucina, e de Fernando Luiz Mazzi e Sérgio Rogério Ferreira, citando pelo menos dois dos profissionais da casa que costumam nos atender, além do bar com bons drinques e da carta de vinhos.

Quarto: comida bem preparada e de qualidade, sem firulas, até hoje não ouvi reclamações.

Quinto: preço justo e porções bem servidas, além do convidativo balcão, ideal para degustar as conhecidas tapas espanholas, que completa o ar despojado e de bom gosto da decoração desenhada pela arquiteta Cláudia Pereira.

E, finalmente, falo do chef Gilberto Prado Filho, que comanda a cozinha e dá conta do recado, recebendo frequentes elogios. De família de cozinheiros, o paulista Giba, como é mais conhecido, veio para Curitiba com 15 anos, trabalhou com o pai, que é o chef do restaurante Porcini, na casa de massas da família, e aos 17 anos já estava na cozinha do internacional Bice, passando depois por outros endereços. Estudou no Senac e na Escola de Gastronomia da Argentina (IGA), aprendeu o ofício na prática e tem humildade e talento, atributos necessários para a formação de um bom profissional.

Pedi uma receita, um dos carros-chefe da casa, arroz de pato, o chef assentiu e enviou a tempo de ser testada. Receita para iniciados, não falou como fazer o caldo, nem o glacê de pato, muito menos a cebola crispe, ou como era o cozimento dos ingredientes. Me enchi de coragem e fui para o fogão. Deu muito certo, o prato agrada, tem sabor marcante. Disse-me o chef que é uma porção para dois, no restaurante elas são generosas, eu acho que serve quatro pessoas tranquilamente. Detalhes de como fazer a receita para os mais inexperientes estarão no blog. Vida longa ao Olivença, que é um modelo a ser seguido.

 

Olivença

Rua Teixeira Coelho, 235, Batel
Telefone: (41) 3016-9988

 

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