É tetra!

“Toda crise é uma oportunidade de mudança” dizia um cartaz português que protestava contra as exigências de Angela Merkel e a Troika em 2012 em tempos de crise no país luso. Os alemães sabem bem disso, não somente por tudo que passaram no século XX, mas também pela virada do milênio e a Eurocopa de 2004.

Naquele ano, o time que fabricou craques como Fritz Walter em 1954 ou Franz Beckenbauer vinte anos depois, caiu na primeira fase da Copa europeia e viu que precisava de mudanças, mesmo dois anos antes chegando à final da Copa do Mundo com a muralha Oliver Kahn.

Decidiram radicalizar nas mudanças, a Deutscher Fussball-Bund (Federação Alemã de Futebol) passou a obrigar os centros de excelência para jovens nos clubes de primeira e segunda divisão, com o objetivo de fabricar novos talentos. Os indicadores são positivos.

São poucas as exceções, como o veterano de 36 anos Miroslav Klose, que não vieram destes CTs e consagraram-se campeões do mundo em 2014. O autor do gol do tetra alemão, Mario Götze, passou oito anos na categoria de base do Borussia Dortmund.

Outro fator positivo que levou ao título é a permanência e confiança no trabalho de Joachim Löw. Assumiu a Alemanha em 2006 depois da Copa do Mundo, foi vice-campeão da Eurocopa de 2008; permaneceu para a Copa do Mundo na África do Sul onde conquistou o terceiro lugar; na Euro de 2012 caiu nas semifinais; e em outubro de 2013, mesmo sem ganhar um título sequer, renovou seu contrato até 2016, após a final da Eurocopa. No mesmo período o Brasil já estava no seu terceiro técnico e agora com a queda de Luiz Felipe Scolari vai para o quarto.

A regularidade do futebol alemão é explicada na frase de Löw na coletiva antes da final contra a Argentina, “Nós estudamos o futebol do Mundo todo. Analisamos a América do Sul, assistimos à Copa América e, na Europa, nós jogávamos um contra o outro. Pena a Holanda ser um país pequeno, é impressionante que tenham tantos bons jogadores. Nós olhamos para a fronteira para aprender, sim, com as outras escolas do futebol”. Diferente da regularidade do futebol brasileiro, que de tempos em tempos fabrica um time de craques, porém isto muito se deve à administração da CBF. Antes da entrada de Luiz Felipe Scolari, José Maria Marin recebeu a sugestão de um técnico estrangeiro, no pico de prepotência afirmou que o futebol pentacampeão não precisa aprender com o futebol estrangeiro.

A construção de um trabalho que não precisou de craques consumou no título máximo do futebol mundial, justo e merecido. E uma frase que circula nas redes sociais define o futebol alemão: “O Brasil tem Neymar. A Argentina tem Messi. Portugal, Cristiano Ronaldo. E a Alemanha tem um time”.

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