Larguei os betes

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A expressão é muito paranaense. No jogo de bete-ombro é preciso fazer corridas enquanto a bola é lançada pelo jogador adversário. Nesse tempo em que o adversário corre atrás da bola, a dupla que rebateu deve cruzar os betes no centro do campo, fazendo assim dois pontos cada vez que cruzam os betes, que são tacos.

Largar os betes é desistir. Cair fora. Ir embora. Tenho pensado que já os larguei em uma série de coisas. Já estou dando um passo além. Quero largar, chutar e botar fogo.
Cansei de reclamar de algumas coisas. Não estou conformada, mas faço um exercício absurdo de paciência para abandonar a irritação.

O pessimismo reina na imprensa. Não adianta ter o assunto positivo. É absolutamente necessário buscar ou burlar informações. Algo mudou, caiu de moda ou perdi alguma parte. Onde está a checagem e o compromisso com a verdade? Tudo muito agudo. Ouvi um dia desses a seguinte frase: “A imprensa acaba com a biografia da pessoa, mas não modifica o sistema”. Frase exata e no alvo. Outra que li e infelizmente não consegui a confirmação para dar o devido crédito é sobre o fatalismo nas manchetes. Vejam só!
Lázaro demorou quatro dias para ressuscitar.

Ou…
Lázaro ressuscitou!
Pô, Lázaro, quatro dias? Voltar à vida foi o que de menor aconteceu. Ressuscitar é obrigação, né?

Larguei os betes também com gente que só enxerga o próprio umbigo. Como é difícil. Avisar que vai dar M%$#@& e depois passar por ruim e intrigante. Que chato. Não faz meu tipo estufar o peito para lançar o jargão: te avisei. Morro de vontade, mas só pioraria a situação.

A resolução de largar os betes neste caso foi a mais difícil. A minha sinceridade já foi qualificada de assassina. Chego a suar de vontade de falar. Aperto bem o dedo polegar e me calo. Só que minha cabeça continua girando.

Aprendi a usar dispositivos para não ver postagens. Que alívio. Não preciso desfazer amizades ou deixar de seguir. Quando começa a disseminação de ódio dou apenas um clique. Pronto! Magic! Na minha página do facebook ninguém publica mais nada sem minha aprovação. Faz tempo. Houve época que ficava em dúvida se a tinham transformado em picadeiro, culto religioso ou palanque.

Em tempo de Copa do Mundo, dar um clique e não ver mais postagens é libertador.

#NãoVaiTerCopa ou #VaiTerCopaSim poluem o feed de notícia. Parece uma guerra. Ânimos exaltados e acusações descabidas. Levaram muito a sério o “imagina na Copa”. Virou luta de classes ou até mesmo política partidária. Certamente gostariam de protocolar no TRE pedidos de direito de resposta. Fora a vergonha de ver pessoas querendo aparecer mais que os times e até mesmo a Fifa. Adoro trabalhar com prazer e diversão. Existe limite para a exposição. É desnecessário colocar a cada pauta zilhões de fotos. Não teria largado os betes neste caso se visse rolando uma fotinha ou outra. Não foi o caso.

Estou escrevendo esta crônica sem a Copa ter começado. A revista estará nas bancas sem a Copa ter terminado. Portanto, espero do fundo do coração que os meninos “revolts” das manifestações tenham se acalmado com uma bela TV e bons jogos. Não larguei os betes para a seleção. Não chego a esta radicalidade.

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