Apagão???

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Desculpe, caro leitor, não é esta minha linha de artigos, mas não pude resistir à tentação de escrever sobre nossa acachapante derrota diante da Alemanha por 7×1, mas não por esse placar prá lá de elástico e sim pela desculpa dada pelo técnico, Sr. Luis Felipe Scolari, que também atende por Felipão:

“Tivemos um apagão geral de seis minutos”.

A Alemanha veio decidida a ganhar esta Copa. Organizou-se para isso. Trabalhou maravilhosamente em todos os aspectos para atingir seu objetivo. Fez um planejamento estratégico perfeito. Comprou terreno, construiu sua sede, interagiu com a comunidade, inclusive indígena, dançando suas danças tribais e por aí afora… Porém, nada disso teria dado resultado se, além de tudo, não tivesse também o melhor time, e time, até onde eu sei, são onze jogadores. É um conjunto bem organizado taticamente, com visão moderna de futebol.

Isso se constrói do nada? Óbvio que não! A Alemanha também amargou não vencer uma copa do mundo em casa. E o que fez? Lambeu suas feridas, começou um trabalho de renovação e investimentos nas categorias de base e colheu não só um talento individual acima da media, mas vários talentos de mesma grandeza e deu-lhes um plano tático bem ensaiado ao longo dos últimos anos. Mantendo o mesmo técnico, que já havia sido auxiliar técnico na própria seleção. Quer dizer, preparou-se para sair da incômoda situação que vivia. Veio ao Brasil para coroar um trabalho. Sabiam disso mais do que ninguém. Vieram, viram e venceram!

Até aí tudo muito lógico. O ilógico aqui, e que originou este artigo, é o Sr. Felipão, pago regiamente, aliás muito bem pago, não assumir sua incompetência tática e ter levado um verdadeiro baile alemão, num placar histórico, nunca visto antes numa quarta de final e que dificilmente será visto novamente. Ao não assumir o seu erro, escondeu-se nesta máxima: “Deu um apagão no grupo”. Então, como médico, posso dizer ao paciente que eu esqueci um bisturi na sua barriga por culpa de um apagão? Pode um borracheiro não apertar bem os parafusos de uma roda, com isso vir a causar um acidente e dizer que teve um apagão? E que tal aquele controlador de voo justificar uma colisão entre duas aeronaves sob sua responsabilidade porque teve um apagão! Quantos e quantos exemplos poderíamos desfilar por aqui que poderiam ser dados por profissionais para justificar erros, inclusive você, caro leitor. Claro que como humanos estamos sujeitos a falhas, nos preparamos, no entanto, da melhor maneira possível para evitá-las.

Muitos lidam com vidas. Mas essas pessoas envolvidas no futebol lidam com sentimentos!!! E o que fazer com esse sentimento de frustração que o Sr. Felipão e seus comandados deixaram em uma nação de duzentos milhões de pessoas??? Pode-se minimizar tudo com essa desculpa esfarrapada, inconsequente e covarde? Não deveriam, pelo menos, ter tido a hombridade de assumir seus erros diante da nação?

Fora o esquema tático que permitiu a avalanche alemã, cada gol teve um erro grotesco de marcação ou de perda de bola, também não assumido por seus comandados. Claro, se o chefe se isenta, nos isentamos todos. E olha que os erros contra a Alemanha se repetiram contra a Holanda. Aos dois minutos de jogo, o Sr.Thiago Silva já estava agarrando um holandês, por erro de marcação, que resultou no pênalti e no primeiro gol. Alguém não viu o mesmo David Luis, que falhou no primeiro gol da Alemanha, falhar também no segundo gol da Holanda ao cabecear a bola para o meio da área nos pés do jogador holandês??? Não sou especialista em futebol e o que aqui relatei qualquer um viu e sofreu. Na verdade, é um desabafo de um brasileiro cansado de ser tratado como otário.

O Brasil é muito sério, mas existem pessoas com cargos altíssimos e salários estratosféricos que não são!!!

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