Editorial. Ed. 154

Os políticos nativos jamais se distinguiram pelo arrojo. Ao menos, os políticos tradicionais. Aqueles que, entra década, sai década, estão sempre na crista da onda.

Certamente eles atribuem à prudência a sua longa vida política e a do sistema que representam. Mesmo quando, aparentemente, não fazem parte dele. Nesta perspectiva vale a pena analisar a resistência da maioria dos políticos à ideia da antecipação das eleições presidenciais.

Enquanto a reforma não vem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admite que a lei permite que partidos façam alianças e coligações estaduais diferentes das alianças no plano federal. Legaliza a “bacanal eleitoral”. O termo foi usado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para nomear a situação.

Doze candidatos a governador apoiados pelo candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) são de partidos aliados ao PT ou ao PSB. Nove candidatos a governador apoiados pelo presidenciável Eduardo Campos (PSB) são de partidos aliados ao PT ou ao PSDB. Dois candidatos apoiados pela presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, são de partidos aliados ao PSDB ou PSB.

As alianças se multiplicam em torno de interesses paroquiais sem que se tenha o pudor de explicar as razões. No Brasil, a vocação para colocar tais interesses acima dos nacionais vem de longe. Na República Velha, os partidos regionais já dominavam a cena, predominando no palco até meados do século 20.

Hoje, a bacanal eleitoral é assegurada pela Constituição. A maioria derrubou em 2006 a verticalização partidária adotada pelo TSE e pelo Supremo Tribunal Federal. O Congresso legitimou a opção por conta da prevalência dos interesses eleitorais frente aos interesses partidários e programáticos.

Falsamente gratuito – em 2010 as emissoras tiveram desconto de mais de R$ 850 milhões no Imposto de Renda para veiculá-lo – e falsamente justo, tamanha a barganha com a moeda-minuto em alianças partidárias sem pé nem cabeça, o horário político tornou-se pernicioso à política. Faz mal a ela. Despolitiza-a.

É, ao lado do voto obrigatório – item número um entre os que desejam mudança – e das legendas que se multiplicam como baratas, entulho que só ajuda a distanciar o eleitor.

Um terço do tempo é dividido igualmente entre todos os partidos e outros dois terços proporcionais à representação de cada um deles no Congresso. Com 32 partidos, a divisão do terço dos 50 minutos diários significa pouco mais de 5 segundos. Parece nada, mas vale fortunas e cargos a rodo. Não à toa, 21 deles aparecem coligados aos chamados candidatos competitivos.

A mensagem passada para a população mais educada é péssima e alimenta o descrédito com relação à política e aos políticos. Aos que não se importam, fica a lembrança do que teria dito Platão: “Aqueles que não gostam da política serão governados por aqueles que gostam”. E não necessariamente por aqueles que deveriam estar no comando.

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