O limitado universo universitário

Muro

Talvez hoje menos do que antes, mas ainda assim há aqueles professores marxistas que pregam como Silas Mafaia: “creiam em Marx e não caiam na tentação capitalista”. Vestem o cabresto nos alunos e os conduzem ao caminho da verdade e contra a dominação capitalista.

A Universidade não forma, cá no Brasil pelo menos, cabeças universais, cosmopolitas, abertas ao novo. As visões unilaterais deterioram o pensamento, atrofiam a sociedade. Os universitários e os formados, que supõem alguma inteligência por ter um canudo, não lideram os rumos para o avanço, para o progresso. Assistimos cabeças com convicções rasas e ignorantes, mentes que não olham para o outro lado da via para ver o que volta. E isso é culpa de quem as forma, são professores ora preguiçosos ou mal formados, ora unilaterais. E não falo só dos marxistas. Quem não se lembra do episódio de Gualazzi, professor da USP, que no dia 31 de março andava a dar aulas fazendo apologia ao golpe militar e os alunos, tão retrógrados quanto ele, entraram a cantar Opinião, de Zé Kéti. Tudo leva a crer que os alunos – como Gualazzi – querem voltar à ditadura militar, pois poderiam argumentar na base do discurso, porém preferiram a força bruta.

Os universitários deveriam ser os futuros gerenciadores da sociedade, não necessariamente os políticos, mas os líderes das comunidades que de acordo com o poder de influência fazem boas ou más escolhas; elegem bons ou maus músicos, bons ou maus programas de televisão, bons ou maus regimes, boas ou más ideias.

O próprio regime acadêmico, no entanto, não permite a formação de bons líderes, entramos na faculdade sujeitos a aceitar suas regras, a liberdade para novas propostas não existe, os universitários aprendem a ser universitários e tampouco isso. Não forma-se para a sociedade, forma-se para a academia. A Universidade deveria ser o ambiente mais democrático de uma sociedade, onde todas as discussões deveriam ser aceitas; não é assim, as patrulhas imperam, e aqueles que se dizem rebeldes e julgam-se a solução, quando contrariados classificam de idiotas os que remam contra a maré da praia deles. Além disso, mesmo se aceitassem as discussões, democracia é mais que a liberdade de discutir, pensar assim é como querer emagrecer através da bulimia, fica-se magro sem saúde, como nossa sociedade, livre e enferma.

Os gênios de ontem dão as ideias para os tolos de hoje. Não se fabricam gênios em nossas universidades, só tolos.

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