Cinema. Ed. 155

capa-cinema-155

Azul é a cor mais polêmica

azul

Talvez sórdido, o filme La vie d’Adèle, em português Azul é a cor mais quente, trouxe polêmica depois do lançamento no ano passado. Com direção do franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, a intensidade das filmagens desagradou o elenco e a comunidade LGBT.
O roteiro foi inspirado na história em quadrinhos Le bleu est une couleur chaude, de Julie Maroh, cuja tradução dá nome à versão brasileira. A trama gira em torno de Adèle, interpretada por Adèle Exarchopoulos, uma menina de 17 anos que se encanta por Emma (Léa Seydoux). Para viver esse amor o segredo faz-se necessário, porque a família e a moral não permitem que as duas se entreguem.

Em entrevista ao site francês Télérama, Kechiche mostrou-se arrependido e disse: “O filme não deveria sair. Ele é muito sujo”. Porém, isso não impediu que a película fizesse sucesso com a crítica, consagrou-se vencedora da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2013 e teve quase trinta indicações, além de outras dez premiações em festivais do mundo inteiro. O diretor disse que a Palma de Ouro lhe trouxe um breve momento de felicidade e completou dizendo que “logo de seguida senti-me humilhado, uma rejeição da minha pessoa. Vivo como se estivesse sob uma maldição”. Alfinetou também a atriz Léa Seydoux, que o criticou e o acusou de ter sido abusivo.“Lamento que essa controvérsia tenha maculado o filme. Gostaria de falar de outros aspectos que ele carrega, como a liberdade e o amor. Uma atriz [Seydoux], com sua neurose, sujou o filme. A baixaria dela é inqualificável.”

A protagonista Adèle Exarchopoulos afirmou que o diretor gritava muito nos sets de gravação para as atrizes se entregarem à personagem, “talvez ele tenha cometido erros às vezes. Não é porque você grita ou humilha alguém que ela te dará mais. O resultado é o mesmo quando você é mais gentil, mas com coisas boas e imperfeições. O resultado está aí e eu nunca vi algo semelhante no cinema”.

O filme é denso, polêmico e controverso, mas o amor entre as duas mulheres e as cenas de sexo podem se tornar secundários quando assistido pela perspectiva de Adèle (a personagem), que traz tristeza e melancolia muito mais fortes que qualquer deleite entre quatro paredes.

O Mercado de Notícias

cinemabh

O Mercado de Notícias, documentário de Jorge Furtado, veio ao conhecimento do público em agosto passado. Elogiado pelo cantor baiano Caetano Veloso, foi baseado na peça do inglês Ben Jonson (1572-1637), The stape of news, encenada pela primeira vez em 1626, em Londres, e ganha agora a primeira tradução em português.

A peça trata da novidade da época – o jornalismo – através de uma crítica bem humorada. O documentário usa como fio condutor a peça, no entanto, foca no debate sobre a credibilidade da notícia e o grande número de informações, levando em conta também um histórico sobre a imprensa, desde seu surgimento até os dias atuais, o diálogo mídia e democracia e a importância do papel jornalístico na manutenção da opinião pública.

Além disso, há também depoimentos de treze jornalistas do país, entre os quais Renata Lo Prete, responsável por revelar o esquema do Mensalão petista em 2005, Janio de Freitas, que já foi diretor-geral dos jornais Correio da Manhã e Última Hora, Fernando Rodrigues, premiado quatro vezes com o Prêmio Esso de Jornalismo, entre outros.

Leia mais

Deixe uma resposta