Mariana Canet, brilhos e reflexos

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A fotografia tem muitos caminhos, trilhas, meandros, diversidade. Já vai bem longe o tempo onde se discutia bizantinamente sobre a arte da fotografia. A fotografia e a arte. Seria a reprodução mecânica uma arte? Ou um mero registro da chamada realidade? O chamado realismo socialista foi um sinistro autoritarismo e ninguém, em sã consciência, o leva a sério hoje em dia. E o caminho da fotografia foi palmilhado, descortinado, inventado por uma sucessão de artistas. E o abstracionismo há muito está entre nós com poderosas obras. A fotografia funciona, então, como um suporte mecânico à criação artística. À liberdade de cada um.

Em pouco tempo e com muita persistência e sensibilidade, Mariana Canet afirma-se uma artista sensível. A fotografia entrou em sua vida como um hobby em suas viagens. Depois de estudar fotografia, vai em 2010 ao Extremo Oriente – Laos, Camboja, Vietnã e Sri Lanka –, onde faz trabalho documental e retratos. Daí nasce uma exposição em Curitiba, “A Face Fala”. Faz mais um curso no exterior, em Londres, e lá expõe. Amsterdã também teve o privilégio de ver seu trabalho.

Hoje, tem sua exposição “Reflexos” no Museu Oscar Niemeyer. É um reconhecimento de seu belo e criativo trabalho. Diz a artista: “Considero que uma obra abstrata é uma janela para a liberdade. No abstrato não há nada para ‘entender’ no sentido literal da palavra. Interpretação e imaginação é o que faz de nós seres humanos únicos e capazes de ampliar nossos horizontes”. Mariana faz aulas de arte com o professor Fernando Bini. Com a palavra Mestre Bini em seu texto sobre a exposição:

(…)“Reflexos” é uma exposição que quer absorver os espectadores pela imagem. A história da arte moderna nos conduziu a um aprendizado do olhar. Foi Claude Monet quem nos fez ver os reflexos, e as cores passaram a ser vistas como elas sempre foram, vibração de luz. Paul Cézanne, por sua vez, queria algo mais sólido e durável: captar a emoção, o eterno. Monet é o tempo no seu instante, os efeitos de luz; Cézanne é a realidade tomada na abstração, a natureza pensada. Captar rapidamente o silêncio, a calma da paisagem, dos efeitos dos raios de sol e os seus reflexos na água. Nos ensinaram a contemplar.

Mariana, como eles antes dela, quer captar a luz no instante à beira da água, mas “não se sonha à beira da água sem se formular uma dialética do reflexo e da profundeza”, nos adverte Gaston Bachelard. O fundo e a superfície, e é o fundo que tem para o artista as maiores surpresas, guardam sempre um mistério. O movimento da água distorce os reflexos coloridos nestes instantes da natureza e a fotografia, que é a representação destas ausências, torna presente aquilo que não está mais lá, a fluidez das coisas que Monet nos ensinou a olhar. Assim a artista, com as imagens captadas pela sua objetiva, duplica pelos espelhos, estimula a imersão do espectador nas formas e nas cores.

A exposição no MON, que vai até o dia 26 de outubro, é uma oportunidade para se conhecer as fotografias de Mariana Canet.

 

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