Uma casa, uma árvore

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Fotos: Lina Faria

Nos tempos em que se pensava uma morada a servir muitas gerações, havia sempre no traço imaginário uma casinha e uma árvore.
Com o tempo, altaneiras, máximas em sua escala, a proteger o casulo do sol e produzir brisas.

Assim pensou Anna Luiza Zanetti, quando caminhava pelo bairro Água Verde, em busca de uma casa para comprar, e deparou-se com esse belo casarão de madeira. Isso há mais de 50 anos, quando vinha de Palmeiras pra cá, junto aos seus seis filhos.
Casa e árvore, complementares, comadres, felizes.

Os lambrequins, rendas pingadeiras a delinear o telhado, davam o acorde musical que Anna Luiza queria nos saraus, costume que perduraria desde sempre nesse endereço de artistas. Sob aquela árvore queria passar o resto de seus dias.

Aos 70 começa a pintar. Nas paredes da centenária casa, as cores e formas das telas onde deixou seu cotidiano, alguns figurativos, junto a paisagens paranistas.
Devota de Santo Antonio, vê os netos seguirem sua fé através da celebração ao santo, todo 13 de junho.

Há oito anos a casa abre as portas para as rezas, os cânticos, os ritos, nesse dia.
Agora, após quatro anos da morte da matriarca, a casa volta a pulsar a energia dos netos Letiicia Teixeira e Leandro Teixeira, filhos de Deolinda. Eles montaram ali um café-restaurante, preservando os móveis da casa, como o piano, o fogão à lenha, os quadros, a velha mesa de jantar, mais toda memória da família em fotos.

Sobre uma toalha com bordado richelieu, crivado como um mantra pela própria Anna Luiza, os guardiões afetivos do espaço parecem aprovar.
Algumas paredes derrubadas, uma réplica da planta original foi feita.
A arquitetura de madeira é por excelência montável e desmontável e pelo jeito a casa ainda viverá muitas emoções, regada à calda de Doce de Sidra.
Vida longa ao casarão!

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