A cor do sol e a cor do som

Horacio De Bonis. Fotos: Lina Faria

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Quando o paulistano Horacio De Bonis chegou a Curitiba em 1991 trouxe já consigo as bolachas que ouvia. Era mesmo uma fase de transição – e parecia definitiva – de mídia.
O vinil preterido então pelo CD, ninguém ainda entendia no que ia dar, mas percebia-se que ali começava uma séria documentação.

Caçula, herdara o bom gosto musical do irmão e seus amigos que apresentavam-lhe preciosidades sonoras. Intuitivo, passou a viver e pesquisar as mídias que embalam nossas histórias.
Chegou e estabeleceu-se com seus biscoitos finos, os vinis garimpados a dedo, por esse mundo afora. A 801 Discos, sua loja, funcionou entre 1991 e 1999, na Rua Duque de Caxias.

Hoje, muito bem instalado em um apartamento modernista no Setor Histórico da cidade, continua comercializando não somente LPs, mas também CDs, DVDs e BDs, além de trabalhar com projetos culturais.
Mas é dali que controla as horas do sol acompanhando o exercício dos acordes zenitais da luz do astro rei.

As ondas sonoras, misturadas à coleção de peças vintage da maior qualidade do design do século 20, vestem como uma luva cada centímetro quadrado do lendário Edifício Santa Tereza, legado do Ciclo do Mate, já que seus proprietários, os Leão, o erigiram em um momento onde ser moderno era viver de forma vertical, em apartamentos.

Entre a Catedral, o Palácio do Governo e seu “Principado” ali no Alto da Glória, com um apartamento por andar sobre um espaço térreo comercial, há mais de 50 anos os Barões do Mate engastaram um belo exemplar de conjunto de unidades familiares urbanas.
Nove seletos núcleos familiares dividem, com a Associação Alipio Pfifer, os dez andares de um dos edifícios mais elegantes da cidade.

Em sua planta, norteada e lesteada pelo sol, quem ali vive acompanha toda a trajetória do ciclo diário da luz sobre a morada.

Melhor que isso, só vestir o espaço à imagem, sonoplastia e semelhança de quem ali pulsa seus dias. O que faz Horacio, alternando os acordes entre um rock e outro, enquanto o sol não baixa e permite os metais do jazz que aquecem ainda mais o arrebol do Santa Tereza.

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